Adolescente acusado de atear fogo em amigo deixa Unei por bom comportamento
Defesa diz que garoto ficou 12 dias na unidade e aguardará em casa os próximos passos do processo

O adolescente de 12 anos acusado de atear fogo no amigo de 11 deixou a Unei (Unidade Educacional de Internação) nesta segunda-feira (17), em Campo Grande, após a Justiça autorizar a saída durante audiência de apresentação.
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O garoto estava internado desde 5 de agosto por causa do episódio que deixou a outra criança com queimaduras graves na Vila Popular. Segundo a defesa, relatórios da unidade apontaram bom comportamento durante o período de internação.
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“Existem no processo os pareceres da Unei com relação à boa convivência dele, à orientação, que ele é muito solícito. Enfim, que ele é uma criança de um padrão normal, não é uma criança violenta, não é uma criança que destoa do padrão para a idade de 12 anos”, afirmou o advogado Ricardo Pegolo por telefone ao Campo Grande News.
O menino já está em casa com a família. A saída ocorreu durante a audiência de apresentação. Agora, a defesa terá três dias para apresentar sua manifestação e indicar testemunhas e outras medidas que considera necessárias.
“Ele está assustado, está cabisbaixo por conta de toda a situação e, principalmente, pelo que ele vivenciou lá dentro”, disse o defensor.
A defesa também pretende solicitar documentos e novas análises durante o andamento do caso. “Nós vamos pedir ao juiz algumas diligências, pedidos de ofícios, algumas constatações e complementações de perícias por parte da autoridade policial”, afirmou.
Entenda - O episódio ocorreu na tarde de 4 de agosto, na casa do adolescente, na Vila Popular. O menino de 11 anos sofreu queimaduras de terceiro grau em cerca de 85% do corpo e foi internado em estado grave na Santa Casa.
Antes de ser intubado, ele relatou a profissionais de saúde, familiares e ao médico que o amigo teria jogado álcool sobre seu corpo e ateado fogo depois de uma discussão. O adolescente de 12 anos apresentou versão diferente e afirmou que os dois brincavam com álcool e tentavam colocar fogo em uma pedra quando as chamas se espalharam.
"São dois pré-adolescentes. Foi uma brincadeira que terminou em tragédia. Meu filho não fez isso de propósito. Estão tratando uma criança de 12 anos como se fosse um bandido", disse o pai do adolescente ao Campo Grande News.
Segundo ele, o filho permanece abalado e, quando foi ouvido pelo pai, contou novamente a mesma versão apresentada à Polícia Civil: os dois brincavam com álcool quando o fogo se espalhou. "O que aconteceu foi uma brincadeira. Eles não tinham noção da gravidade de brincar com álcool e fogo. Meu filho falou que eles foram acender uma pedra e o álcool se alastrou. Quando viu o amigo pegando fogo, tentou ajudar, levou para o chuveiro, ligou a bomba da água, deu roupa para ele e ficou na casa. Ele não fugiu", afirmou.

