Advogado pede investigação após morte de detenta por tuberculose
Agepen afirma que interna recebeu atendimento imediato e suspeita é de intoxicação

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A morte de Bárbara Vitória Soares Dias, de 24 anos, na última quarta-feira (13), levou o advogado Sérgio dos Santos Franco a pedir investigação sobre as circunstâncias do caso. A jovem estava presa por tráfico de drogas, no Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi, no bairro Coronel Antonino, em Campo Grande, desde fevereiro deste ano.
Segundo o atestado de óbito, encaminhado pelo defensor, a jovem morreu por conta de uma tuberculose pulmonar. Ao Campo Grande News, o advogado afirmou que havia sido contratado pela detenta cerca de uma semana antes do óbito e que chegou a solicitar atendimento médico na véspera da morte, na terça-feira (12).
“Ela estava na cela 8 com mais de 30 internas. Eu tinha acabado de ser contratado. Ela começou a tossir à noite e, segundo informações que tive, começou a tossir sangue e foi encaminhada para a unidade de saúde, onde faleceu”, relatou o advogado.
Segundo Sérgio, Bárbara deixa uma filha de 6 anos e um pai de consideração em Campo Grande. A primeira audiência de instrução e julgamento estava marcada para 9 de junho. Ela havia sido presa em 21 de fevereiro, após ser flagrada com 21 porções de cocaína. Em março, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) denunciou a jovem por tráfico de drogas.
Na petição encaminhada à Justiça, a defesa descreveu o cenário de confinamento como “absolutamente incompatível com a dignidade humana”.
Agora, o advogado pede o arquivamento do processo e solicita que a morte seja investigada pelo MPMS, pela Corregedoria da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) e pela DHPP (Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa).
Questionada pela reportagem, a Agepen informou em nota que Bárbara recebeu atendimento imediato após passar mal na manhã da última quarta-feira (13). Segundo a instituição, policiais penais acionaram socorro e a interna foi encaminhada à UPA Coronel Antonino, ao lado da unidade prisional.
A Agepen afirmou ainda que não havia registro de diagnóstico de tuberculose na unidade e que um exame anterior teria dado resultado negativo. Segundo o órgão, a custodiada vivia em situação de rua antes de entrar no sistema prisional.
"Antes do ingresso no sistema prisional, a interna já vivia em situação de rua e apresentava aspecto físico debilitado. Não havia registro de diagnóstico de tuberculose na unidade, sendo informado, inclusive, que exame anteriormente realizado havia apresentado resultado negativo para a doença. A causa da morte ainda depende da conclusão do laudo oficial. Entretanto, a suspeita médica preliminar é de possível intoxicação exógena", diz a nota.
O órgão reforçou que todos os protocolos de atendimento foram seguidos e aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecimento dos fatos.
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