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Alemã morta em queda de avião será cremada em Campo Grande, sem a família

Lydia Möcklinghoff morreu há 13 dias após aeronave decolar com destino ao Pantanal

Por Bruna Marques | 16/07/2026 14:29
Alemã morta em queda de avião será cremada em Campo Grande, sem a família
Pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff (Foto: Reprodução/redes sociais)

Treze dias após morrer em um acidente aéreo, a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff será cremada em Campo Grande. A cerimônia será realizada no Crematório de Campo Grande, na Avenida Tamandaré, com atendimento da funerária Pró-Vida.

RESUMO

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A pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, será cremada nesta quinta-feira (16) em Campo Grande, 13 dias após morrer em acidente aéreo. Ela e o piloto Henrique Martin de Carvalho morreram quando o bimotor Neiva EMB-810D caiu após decolar do Aeródromo Estância Santa Maria. O Cenipa investiga a queda, classificada como perda de controle em voo. Lydia pesquisava o Pantanal há duas décadas, com foco no tamanduá-bandeira.

A princípio seria hoje, mas deve ocorrer apenas amanhã, porque a família só solicitou o procedimento no início desta tarde. Porém, nenhum parente participará da cerimônia. Advogados vão filmar e enviar as imagens à Alemanha.

A cremação encerra uma espera de quase duas semanas desde o acidente que interrompeu a trajetória da cientista de 45 anos. A família vai decidir se as cinzas seguirão para a Alemanha ou serão espalhadas no Pantanal, região onde Lydia viveu por 16 anos.

Ela morreu na manhã de 3 de julho, após o avião em que viajava cair pouco depois de decolar do Aeródromo Estância Santa Maria, na Capital. O piloto Henrique Martin de Carvalho também morreu.

A aeronave seguia para a Fazenda Barranco Alto, em Aquidauana, uma das principais bases das pesquisas desenvolvidas pela cientista no Pantanal.

O avião, um bimotor Neiva EMB-810D Seneca, fabricado em 1983, perdeu o controle durante a subida inicial e atingiu uma área de vegetação próxima ao aeródromo. A aeronave ficou destruída.

Relatório preliminar do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) classificou a ocorrência como perda de controle em voo. A definição descreve a dinâmica do acidente, mas ainda não esclarece o que provocou a queda. A investigação continua.

Alemã morta em queda de avião será cremada em Campo Grande, sem a família
Destroços de avião em área de mata próximo ao Aeroporto Santa Maria (Foto: Juliano Almeida)

Nos levantamentos iniciais, as condições meteorológicas e a baixa visibilidade causada pela neblina passaram a ser analisadas como possíveis fatores. O voo estava inicialmente previsto para ocorrer por volta das 5h, mas teria sido adiado e decolou aproximadamente às 6h20.

O aeródromo era habilitado para operações visuais, enquanto a aeronave tinha autorização para voos por instrumentos. Apesar disso, ainda não existe confirmação de que o mau tempo tenha causado o acidente.

Como o modelo não possuía caixa-preta, o trabalho de investigação depende da análise dos destroços, dos registros de manutenção, das condições meteorológicas, de informações de GPS e de depoimentos de testemunhas e profissionais ligados à operação aérea.

Trajetória dedicada ao PantanalZoóloga, ecóloga tropical, bióloga comportamental e jornalista científica, Lydia construiu parte importante de sua carreira em Mato Grosso do Sul. Ela possuía mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburgo e desenvolvia doutorado na Universidade de Bonn, ambas na Alemanha.

A pesquisadora frequentava o Pantanal havia mais de duas décadas e chegou à Fazenda Barranco Alto em 2009. Durante cerca de 16 anos, reuniu dados sobre a ecologia e o comportamento do tamanduá-bandeira, espécie que se tornou o centro de sua trajetória científica.

Alemã morta em queda de avião será cremada em Campo Grande, sem a família
Fotos usadas em postagem estrangeira mostram Lydia em campo, no Pantanal (Foto: Instagram/Reprodução)

O trabalho também envolvia o monitoramento da biodiversidade e registros de outros animais do bioma, como onças-pintadas, araras-azuis, ariranhas e pumas.

Lydia também atuava na divulgação científica, transformando as experiências de campo em livros, reportagens, palestras e conteúdos destinados ao público fora do ambiente acadêmico.

Exemplares de uma de suas obras sobre o Pantanal foram encontrados entre os objetos retirados dos destroços da aeronave.

A morte da pesquisadora provocou manifestações de instituições ambientais, propriedades rurais e organizações ligadas à ciência e à preservação do Pantanal. Colegas destacaram sua contribuição para o conhecimento sobre o tamanduá-bandeira e para a conservação do bioma.

Uma campanha internacional também foi divulgada com a proposta de financiar projetos de pesquisa, proteção da biodiversidade e divulgação científica em memória da pesquisadora. Até a última publicação sobre o assunto, porém, os responsáveis ainda não haviam detalhado quais projetos receberiam os recursos nem como seria feita a administração do dinheiro.

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