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Cidades

Campanha tenta manter vivo trabalho de pesquisadora morta em acidente aéreo

Lydia Möcklinghoff dedicou 16 anos ao estudo de tamanduás e à divulgação científica no Pantanal

Por Anahi Zurutuza | 13/07/2026 14:15
Campanha tenta manter vivo trabalho de pesquisadora morta em acidente aéreo
Homenagem e campanha postada por podcast alemão no Instagram (Foto: Reprodução)

Dez dias após a morte da pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff em um acidente aéreo em Campo Grande, uma campanha internacional de arrecadação foi lançada para tentar manter vivo o trabalho ao qual ela dedicou parte da vida no Pantanal. A iniciativa pretende financiar projetos de pesquisa, conservação da biodiversidade e divulgação científica, áreas que marcaram a trajetória da cientista de 45 anos.

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Dez dias após a morte da pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, em um acidente aéreo em Campo Grande, uma campanha internacional de arrecadação foi lançada para manter vivo seu trabalho no Pantanal. A iniciativa, divulgada pelo podcast Weltwach em três idiomas, visa financiar pesquisas e conservação da biodiversidade. Lydia morreu em 3 de julho ao cair com um bimotor logo após a decolagem, junto ao piloto Henrique Martin.

A mobilização foi divulgada nesta segunda-feira (13) pelo perfil do Weltwach, um popular selo de podcast e plataforma de mídia alemã, em uma publicação feita em alemão, inglês e português.

Com a frase "Por Lydia: o seu legado continua!", a homenagem pede contribuições para apoiar projetos relacionados às causas defendidas pela pesquisadora. “De todo o coração, queremos dar continuidade ao compromisso da Lydia: em sua memória, apoiamos projetos que dão continuidade às causas que eram centrais para ela, pesquisa, conservação da biodiversidade e divulgação científica”, diz a publicação.

“Cada doação ajuda a continuar o seu trabalho”, resume a homenagem publicada em três idiomas. O post não detalha, porém, quais projetos serão beneficiados, quem administrará os recursos ou como será feita a escolha das iniciativas contempladas.

Campanha tenta manter vivo trabalho de pesquisadora morta em acidente aéreo
Fotos usadas em postagem estrangeira mostram Lydia em campo, no Pantanal (Foto: Instagram/Reprodução)

As imagens escolhidas para divulgar a campanha contam, por si só, parte da trajetória da pesquisadora. Lydia aparece em atividades de campo, a cavalo em uma área alagada, navegando, dirigindo um veículo em meio à vegetação, manuseando equipamento de monitoramento preso a uma árvore e com uma câmera nas mãos enquanto um tamanduá-bandeira caminha ao fundo.

O animal é inseparável da história da cientista no Brasil. Lydia chegou à Fazenda Barranco Alto, em Aquidauana, em 2009, levada justamente pela paixão pelos tamanduás. Durante os 16 anos seguintes, reuniu dados que ajudaram a ampliar o conhecimento sobre a ecologia e o comportamento da espécie no Pantanal.

Além de zoóloga, ecóloga tropical e bióloga comportamental, Lydia era jornalista científica. Transformava os resultados das pesquisas em histórias acessíveis por meio de apresentações, redes sociais, podcasts e livros. Tinha mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburgo e fazia doutorado na Universidade de Bonn, com uma tese dedicada à conservação de mamíferos pantaneiros. Também integrava grupos de pesquisa na Alemanha.

Uma de suas obras, publicada em alemão, relatava justamente as aventuras vividas durante os anos de pesquisa no Brasil. Exemplares do livro estavam com Lydia no último voo e foram encontrados entre os destroços do avião, numa imagem que acabou se tornando símbolo do legado deixado pela cientista.

Na manhã de 3 de julho, Lydia embarcou em um bimotor Neiva EMB-810D, acompanhada do piloto Henrique Martin. A aeronave decolou do Aeródromo Estância Santa Maria, em Campo Grande, com destino à Fazenda Barranco Alto, onde a pesquisadora havia construído boa parte de sua trajetória profissional e pessoal no Brasil.

Ela não chegou ao destino. O avião caiu poucos minutos após a decolagem, em uma área de mata na zona rural da Capital, e os dois ocupantes morreram no local. Segundo relatório preliminar do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), a aeronave perdeu o controle durante a subida inicial. A causa do acidente ainda não foi determinada e a investigação continua.

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