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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

21/08/2013 07:00

Animais levam vida de rico e provam que Capital é a "cidade dos bichos"

Elverson Cardozo e Cleber Gellio
Cleo dos Santos mora em frente a uma reserva ambiental e não deixa de cuidar dos quatis. (Foto: Cleber Gellio)Cleo dos Santos mora em frente a uma reserva ambiental e não deixa de cuidar dos quatis. (Foto: Cleber Gellio)
Animais levam vida de rico e provam que Capital é a cidade dos bichos

Hoje eles comem pães, arroz, frutas e até bolos. Gastam, em média, R$ 2,5 mil por mês. Recebem visitas frequentes e vivem tranquilos, sem esquentar a cabeça. Bela, Amarelo, Eduard, Callayam e Terê são, talvez, os quatis mais “vida mansa” que existem. Mas os bichinhos, moradores de uma reserva ambiental do Bairro Zé Pereira, já passaram por “perrengues”. Felizmente, tiveram sorte.

Esta é mais uma história do mundo animal, que prova: Não fosse Morena, “apelido” oficial da Capital do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, que completa 114 anos na segunda-feira (26), poderia ser, quem sabe, a “cidade dos bichos”.

Cleo dos Santos, 51 anos, vizinha da reserva do Zé Pereira, foi quem deu a vida de rei aos animais, depois que sensibilizou com a situação em que eles se encontravam.

Tudo começou quando, certo dia, ela chegou em casa e viu alguns quatis fuçando a lixeira em busca de alimentos. Tocada com a cena, a moradora resolveu agir e, desde aquele dia, 27 de dezembro de 2004, passou a tratá-los.

“Sempre gostei de animais, mas, quando vi aquela situação, não aguentei. Poderia acontecer com eles o que já vinha acontece com gatos na vizinhança, que estavam morrendo com os alimentos domésticos contaminados”, disse.

Bando vive uma vida boa. Não há do que reclamar. (Foto: Cleber Gellio)Bando vive uma vida boa. Não há do que reclamar. (Foto: Cleber Gellio)

Preocupada com a questão legal, Cleo entrou com contato com órgãos responsáveis e obteve a autorização para tratá-los. Hoje, só ela tem permissão para entrar na área.

Mas na reserva da rua Alexandrino Marques, conhecida como a “Rua dos Quatis”, não vivem só esses mamíferos, que somam cerca de 180. A mata também é a “casa” de macacos bugios, capivaras, peixes, araras, periquitos, tucanos, cobras, mutum e até jacarés.

A identificação com a dona Cleo é tanta que alguns animais vão até ela comer na mão. Basta que os chame pelos nomes. Na lista dos quatis, o preferido é Bela.

"Ela tem mais afeto, talvez porque exerce a liderança no grupo. Quando ouve a minha voz, já traz o resto do bando”, comentou. O mais arteiro é o Amarelo, que dá trabalho. “Ele briga com os outros e vai para a rua”, contou a moradora. Vira e mexe, a mulher precisa sair atrás dele.

Entre o bando de macacos, estão Jack, Chesper e Aliça, a única que, meio desconfiada, ainda se aproximou das lentes de nossa reportagem.

No alto da árvore, macaco se espreguiça e a cena vale o registro. (Foto: Cleber Gellio)No alto da árvore, macaco se espreguiça e a cena vale o registro. (Foto: Cleber Gellio)
Este outro se arrisco para conseguir pegar o pão. (Foto: Cleber Gellio)Este outro se arrisco para conseguir pegar o pão. (Foto: Cleber Gellio)

Com tantas espécies, o lugar virou ponto turístico do bairro e, diariamente, recebe visitantes. Dias desses, durante um único final de semana, mais de 150 pessoas passaram pelo lugar. A “muvuca” era tanta que alguém, assustando, pensando que fosse um acidente chamou o Corpo de Bombeiros.

“Recebo pessoas de diversas regiões do Brasil e até do mundo. Já passaram por aqui turistas do Japão, Coreia do Sul, Itália, França, Marrocos, entre outros. Não faz muito tempo, presenciei um fato curioso: ao sair de casam, vi um grupo de umas 20 pessoas, sentadas em cadeiras e lanchando de frente para os animais. Eram paraguaios que vieram conhecer a reserva”, relembrou, entusiasmada.

Quem conhece a reserva, tece elogios. “Isso aqui é muito bom. Não precisamos sair para ver a fauna e a flora do nosso Estado”, disse a instrutora de trânsito Weslayne Ramalho, 25 anos, que estava no local, admirando a paisagem e os animais, acompanhada do marido, Gregory Patrick da Silva, 23 anos.

Jurema Villarinho, 50 anos, e o esposo, Nélio Villarinho, 51 anos, costumam caminhar próximo à reserva. O casal já teve boas surpresas. Essa semana, por exemplo, eles viram um preá entrando na área, mas dizem ter encontrado até ninho de tartaruga.

Para Jurema, essa característica da cidade é ponto positivo. “Aqui temos os ipês, as araras e muitos outros atrativos da natureza. Quando falo com alguns amigos que moravam aqui e se mudaram, relato o quanto nossa cidade está bonita com suas áreas verdes e parques. É um dos atributos que uso quando alguém diz que quer conhecer Campo Grande”, destacou.

O argumento, se bem trabalhado, costuma impressionar os visitantes, tanto é que alguns acreditam mesmo que, no Mato Grosso – isso mesmo, sem o “do Sul” -, cobras e jacarés atravessam as ruas. Se a visão é equivocada, a realidade, quando confrontada, gera boas surpresas.

Jibóia resolveu agarrar a presa em frente à governadoria. (Foto: João Garrigó/Arquivo)Jibóia resolveu agarrar a presa em frente à governadoria. (Foto: João Garrigó/Arquivo)

Cenas do dia a dia - Capivaras atravessando o asfalto, na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), viraram cena clássica, digna de registro. Mas o mamífero, de cara dócil e comportamento tranquilo, já foi encontrado até dentro de um guarda-roupa. Estava lá, com jeito de “não fiz nada”.

Quem não se lembra da “capivarinha”, de 50 quilos, que resolveu se alojar no móvel de uma casa, na Aldeia Urbana Marçal de Souza? Rendeu boas risadas e, claro, manchetes.

Em março, o Corpo de Bombeiros teve um trabalho danado para retirar um boi, da raça Girolando, que caiu em uma piscina. Há 1 ano e seis meses, outra surpresa: uma jibóia resolveu degustar uma pomba, lentamente, em frente à janela da Governadoria, no Parque dos Poderes.

Na ocasião, da sacada da janela, o governador, André Puccinelli (PMDB), brincou com a equipe do Campo Grande News: “Deixa as cobras aí de fora, pois elas são mais puras do que as daqui de dentro”. “Sábias palavras”, replicaram alguns leitores.

As araras barulhentas, porém, elegantes, garantem um show à parte, provocando surpresas e olhares de encantamento, especialmente em quem vem de fora. Estão em várias regiões da cidade, do centro aos bairros.

Bióloga e presidente do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes afirma que, desde 2009, o número dessas aves na cidade tem aumentado. Em 2010, a equipe que faz parte do Projeto Aves Urbanas, composto por alunos de mestrado e graduação da Anhanguera-Uniderp, monitorou 2 ninhos, contra 16 em 2011 e 30 em 2012. Os dados de 2013 ainda não foram finalizados.

Araras garantem um espetáculo à parte. (Foto: Marcos Ermínio)Araras garantem um espetáculo à parte. (Foto: Marcos Ermínio)

Apesar do aumento, o percentual de filhotes que voaram em 2012 foi bem menor que em 2013. “Caso a situação se repita, talvez não tenhamos araras povoando o céu da cidade no futuro”, explicou

Com relação às araras canindé (Ara ararauna), disse a pesquisadora, “a população aumentou bastante. “Temos mais de 200 araras circulando pela cidade. Elas se estabeleceram e ficam por aqui o ano inteiro. Já as araras vermelhas (Ara chloropterus), são visitantes ocasionais. Estão aqui na cidade em determinadas épocas do ano, quando encontram frutos específicos para sua alimentação”. Não há um estudo nesse sentido, completou, mas a estimativa é que existam pelo menos 40 aves dessa espécie na cidade.

A bióloga comenta que a cidade é bastante arborizada e as árvores frutíferas do cerrado, as de vegetação original e as plantadas, atraem uma série de animais, não só as araras, porque fornecem alimentação.

“Comparada com outras cidades, como Goiânia, Curitiba, Brasília, que são cidades com boa qualidade de vida, Campo Grande ganha, por ter mais arborização”, ressaltou.

A teoria faz sentido. Biólogo e coordenador do Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) da Capital, Elson Borges, diz que o órgão não tem um estudo pronto sobre a população de animais na cidade, mas há estimativas.

Capivara é figura fácil na cidade. Esta estava no Parque das Nações Indígenas. (Foto: João Garrigó)Capivara é figura fácil na cidade. Esta estava no Parque das Nações Indígenas. (Foto: João Garrigó)

No Parque das Nações Indígenas, onde o Centro atua, vivem pelo menos 300 capivaras, mas o número, se somar todas as regiões, é bem maior. Quatis, só no Parque dos Poderes, deve ter pelo menos 200. Na saída de Rochedo, mais 100.

O Parque do Prosa é a casa de uma família de bugios, composta por cerca de 10 integrantes. Os saguis, aproximadamente 50, dividem o espaço com eles. Até um casal de jaguaratirica, coisa rara, já foi flagrado no local. Do resto, inclusive das aves que, nas palavras do biólogo, “estão se multiplicando, adquirindo hábitos urbanos”, não há um levantamento.

Para quem vive de pesquisar esse universo, a variedade de espécies, esse contato mais próximo com a natureza, é motivo de orgulho. Na avaliação de Neiva Guedes, uma cidade rica em biodiversidade proporciona ao ser humano maior qualidade de vida. “Conviver com exemplares da fauna, ajuda a recuperar o estresse do dia a dia, a curar de depressão e a diminuir a ansiedade”, considerou.

Veja, abaixo, uma galeria de imagens com registros dos fotógrafos João Garrigó e Marcos Ermínio.




Pois é... inclusive na Câmara Municipal, está cheia de bicho peçonhento, e bichos preguiça.
 
Eduardo Semir em 21/08/2013 16:45:19
Linda a matéria, e confirmo que aqui é a cidade dos bichos, pois me confundo todo dia com pessoas sem educação que parecem bichos. É a coisa mais normal aqui em Cg em todo lugar tem bicho, nas repartições públicas, nos bairros, nas baladas, e por ai vai.!!!
 
Gustavo Nery em 21/08/2013 16:07:26
Ótima matéria, espero que as autoridades da capital morena se sensibilizem e ajudem a Cleo na manutenção dos animais, pois o valor é altíssimo e essa pessoa de boa alma é aposentada.....tenhamos conciência......vamos ajudar!!!!!!!! Aproveitem e venham conhecer o lugar, é realmente lindo!
 
Cristiane Severo em 21/08/2013 14:36:42
Parabéns pela matéria Elvis e Cleber, sempre leio rapidamente para ficar a par dos acontecimentos, mas hoje me surpreendi pela matéria de vcs e não perdi tempo em ler essa matéria maravilhosa, continuem assim, nos alegrando diariamente,e parabéns a esta Sra, pela iniciativa de cuidar desses animaizinhos. Parabéns!!!!!!!!
 
Eliazib Junior em 21/08/2013 13:27:43
parabens pela materia, interessante como hoje as pessoas da nossa cidade cuidam mais dos bixos e as pessoas que para cá vem adquirem essa responsabilidade
 
samuel vosni em 21/08/2013 13:08:44
Matéria muito bem feita. Só faltaram as fotos dos nossos quatis no Parque dos Poderes, que habitualmente comem frutas trazidas pelos servidores.
Vale a pena conferir futuramente. A família toda dos quatis são figuras diárias no verão.
Pouquíssimas vezes no frio ou chuva.
 
Lara Cardoso em 21/08/2013 11:57:26
autoridades). Algumas cidades que estão distante do Pantanal, cuidam melhor de seus animais, que a população e as tais autoridades, e órgãos competentes(que estão mais para incompetentes) do MS.
O que seria do planeta só com cimento? sem fauna e flora, logicamente sem água, pois a mesma também desapareceria.
Está na hora de cobrarmos mais atitudes, principalmente dos nossos governantes, quanto ao meio ambiente que é imprescindível a todos.
Agora só estou votando, em quem têm preocupação não apenas com as pessoas, sim com o meio ambiente(animais, plantas,água...). Sem essa desculpa, que não têm dinheiro, porque têm SIM, para cuidar de tudo sem deixar só para as Ong´s e particulares, só NÃO ROUBAR e saber administrar.
 
Neyde de Oliveira em 21/08/2013 11:18:56
Parabéns meninos, a matéria ficou muito boa. Quanto as fotos do Joãozinho, ficaram como sempre belíssimas, esse garoto é o CARA, sou sua fã há anos do seu trabalho.
Como sempre digo, a natureza é a coisa mais linda do mundo, nenhuma selva de pedras supera o meio ambiente,pela sua beleza e encantos.
Muito nobre o trabalho dessa moça, para como os animais, isso que chamo de respeito à VIDA. Faltam as autoridades acordarem...dar mais valor ao meio ambiente, criando projetos e leis que realmente funcionem em prol da nossa Fauna e Flora.
Única coisa que discordo da matéria, Campo Grande tem bichos, mas ainda NÃO pode ser chamada de cidade dos bichos, pela falta de respeito aos animais que aqui residem, falta muiiita coisa(conscientização da população, atitudes e maior comprometimento das
 
Neyde de Oliveira em 21/08/2013 11:08:24
O local aonde os quatis vivem é de boa, é bem organizado, mas as calçadas aonde as pessoas andam ali perto estão horríveis, demorou a prefeitura dar um jeito nisso, se ali estiver ficar tudo limpo, mais pessoas irão visitar eles..
 
Leticia Diaz em 21/08/2013 10:37:17
Maravilhosa a matéria, agora só precisamos que os não conscientes se conscientizem e ajudem na preservação, não andem em alta velocidade próximo a áreas de preservação, enfim, sejam cidadãos.
 
MAXIMILIANO RODRIGO ANTONIO NAHAS em 21/08/2013 10:03:05
Parabéns pela matéria Elverson e Cleber, sempre leio rapidamente uma reportagem,somente para ficar a par do que acontece,mas hoje não perdi uma letra dessa matéria maravilhosa, continuem assim,trazendo informações que alegram nossas vidas,e parabéns a Cleo que cuida desses animaizinhos.
 
Teresa Moura em 21/08/2013 09:48:29
Próximo ao Itanhangá Parque tem uma reserva. À tarde, já tive oportunidade de ver uns vinte tucanos numa árvore seca, pena que eu não estava com uma câmera p/ documentar. No fundo do Hospital Universitário, é comum ver tatu, alguns lagartos tiús e pássaros bem diferentes. Ao entardecer, próximo ao Lago do Amor, já vi uma árvore parecida com os ninhais do Pantanal. Realmente, Campo Grande, precisa de uma atenção maior quanto a este aspecto, pois bem aproveitado, torna-se um recurso turístico.
 
Gláucia Chaves Brito em 21/08/2013 09:36:06
Parabéns pela reportagem, Elvis é o cara \o
 
Henrique Tavares em 21/08/2013 08:56:23
Trabalho no Parque dos Poderes, o salário pode não ser grande coisa mas a vista é maravilhosa, quem não tem este privilégio não imagina o quanto é bom começar o dia ouvindo o cantar dos pássaros, o sonido dos quatis, entre outros bichos...as fotos ficaram lindas parabéns João Garrigó pelo excelente trabalho.
 
Marco Aurélio em 21/08/2013 08:06:48
Linda reportagem, exemplo essa senhora a Cléo.
É claro que os animais estão perdendo seu extinto selvagem, mas esperamos
que as pessoas saibam cooperar, e respeitar a vida desses bichinhos, e que lembrem
que muitas vezes somos nós que invadimos o espaço desses lindos animais..

Parabéns Campo Grande News, a reportagem e fotos ficaram de uma qualidade
sem como descrever.
 
Igor Matos em 21/08/2013 07:45:43
Parabéns! Linda a matéria.
 
Lucia M Cruz em 21/08/2013 07:13:53
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