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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

14/07/2011 07:55

Aos 100 anos, 14 de Julho é palco social e ainda preserva construções antigas

Paula Maciulevicius

Placas escondem a fachada de antigos casarões

(Foto: João Garrigó)(Foto: João Garrigó)

A rua 14 de Julho sempre foi centro econômico e simbólico também. De desfiles cívicos à procissão religiosa, a via tem ar social, político e até sacro.

No começo da sua história, era a prova a ser vencida por quem quisesse se eleger. A doutora em história Alisolete dos Santos Weingartner viaja no tempo e como quem tivesse vivido na época relembra que na esquina com a Afonso Pena, o político para se reeleger tinha que mostrar força conseguindo lotar aquele trecho.

Além dos movimentos políticos, era na 14 que passava o Carnaval, a coroação do rei momo e da rainha e os desfiles de 26 de Agosto e 7 de Setembro. Alisolete Weingartner lembra que até hoje é para lá que vai quem quer se manifestar.

Os protestos sempre começam, passam ou são o ponto de encontro no mesmo lugar, rua 14 de Julho esquina com Afonso Pena. "Até hoje quem quer ser visto, vem para onde? 14 de Julho", responde.

Recheada de construções antigas, a 14 é tida como símbolo de democracia. O relógio, que hoje está instalado na Calógeras, era e leva o nome de "relógio da 14". Mesmo sem reunir pessoas, ele estava lá e representava progresso.

Retirado com a desculpa de que atrapalhava o trânsito, os historiadores vão além. "Mas por trás disso, nós temos a hipótese de que ele foi retirado porque representava encontro da democracia da população campo-grandense, era considerado um movimento de rebeldia na época da ditadura militar", afirma Alisolete.

Instalado a primeira vez em 1933, representando o marco zero da cidade, foi erguido novamente em 1999, através do movimento rotariano em comemoração aos 100 anos de emancipação política da Capital.

"Mas uma vez acontecido ele não muda. Tirou e podia até construir outro, mas não é aquele na imaginação das pessoas", argumenta a historiadora.

Onde funcionava o Hotel Americano, com comércio embaixo, as lojas mudaram, mas o ramo continuou o mesmo. (Pedro Peralta)Onde funcionava o Hotel Americano, com comércio embaixo, as lojas mudaram, mas o ramo continuou o mesmo. (Pedro Peralta)

Nas imediações da Praça Ari Coelho estava até 1909 o antigo cemitério, com o arruamento foi retirado e levado até o Santo Antônio, fazendo apenas uma pequena escala na Afonso Pena. "Começava onde é o play ground e ia até a calçada da 13 de Maio", explica Alisolete.

Pelo cenário apesar dos paralimes que cobrem a fachada, por trás se escondem casarões antigos. Na esquina com a Cândido Mariano, funcionou o Hotel Americano, hoje abandonado e com placas para alugar. Em baixo, a farmácia Raia, o comércio tinha matriz na Capital, se mudou para São Paulo e hoje tem uma rede e lojas que alcança até Belo Horizonte.

Apesar de ser outra loja, com pouco menos de 10 anos, o ramo continua o mesmo. "Pode ter trocado várias vezes, mas é sempre o mesmo tipo de comércio, já é tradição", explica a historiadora.

Em frente, a antiga São Bento, da década de 50. O gerente, tem de idade e metade da vida da farmácia, mas sabe como muitos a importância do lugar para a cidade.

São 62 anos da farmácia mais antiga. Ali na esquina, a primeira farmácia recebe até hoje clientes que contam histórias de quando o fundador da rede abria às portas de madrugada para atender os amigos. "Sempre tem gente que fala que comprava com ele na época", conta Lauro André Nascimento Santana, 31 anos.

Antiga construção, foto da fachada da São Bento mais antiga está no interior da loja. Antiga construção, foto da fachada da São Bento mais antiga está no interior da loja.
Com riso estampado no rosto, Alisolete conta histórias e causos da 14 de Julho. (Foto: Pedro Peralta)Com riso estampado no rosto, Alisolete conta histórias e causos da 14 de Julho. (Foto: Pedro Peralta)

Quando abriu a empresa, na farmácia tinha o segundo relógio de ponto da cidade ao público. Os anos se passaram mas o comércio abrange um misto de clientes que confirmam a fusão de pessoas que as lojas da 14 proporcionam.

Sobreviventes ao processo de urbanização, muitos dos estabelecimentos mudaram, foram reformados mas se mantém como a referência de onde comprar.

"Tem todo tipo de cliente, de classe, poder aquisitivo, passa de tudo por ser o principal comércio da cidade", acrescenta Lauro André.

A tradição que sobrevive ao processo de urbanização. Para a historiadora 100 anos se passaram "e parece que foi ontem que a rua era antiga, de barro, deixava todo mundo moreno por causa da poeira vermelha e hoje é assim", completa Alisolete.

Hoje, a festa de comemoração começa às 8h, na praça Ary Coelho e segue até a noite, com shows.

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cadê o projeto para 'despoluição visual' (sic)?, essas placas publicitárias grandes e desnecessárias, esses postes medonhos com esses emaranhados de fios a mostra?.,

cadê o projeto de revitalização do centro? por isso o comércio da região perde espaço para os novos shoppings
 
wilian silva em 14/07/2011 12:01:58
Gostei muito dessa matéria! Aliás, hoje todos os meios de comunicações estão regatando a historia dessa rua centenária. Sou do interior de Mato Grosso, vim da Cidade de Cáceres MT, estou aqui desde 1979. Essa rua foi a primeira que pude andar depois que desci lá na antiga Rodoviária, peguei um taxi e vim para no Colégio Dom Bosco para conversar com o saudoso Pe. Walter Bocchi. Depois da conversa sobre o curso de Filosofia que iria ser implnatado na FUCMAT fui dar uma passeada na 14 de Julho. Fiquei maravilhado com a largura da rua. Minha cidade seguiu o protótipo de ruas de portugal, estreitas e curtas. Fui lá no SALÃO SANTISTA cortar o cabelo com o Senhor Domingues - um Paraguaio - que lá está há mais de 50 anos! Só a placa do Salão deve ter uns 40 anos! De 1979 até hoje sou cliente do Senhor Domingues ou Domingos...Um Paraguaio Santista que tem na parede as propagandas mais antigas dos produtos de 50 anos atrás. Esse barbeiro é musico, seu salão sempre foi encontro do paraguaios e de profissionais liberais da nossa cidade. Ele cortou o cabelo da maioria dos padres do Colegio Dom Bosco nos ultimos 50 anos. Seu salão é modesto, muito simples mas acolhedor. Fica após o Colegio Dom Bosco ao lado da Csa de Fogões esquina com a Rua General Mello. Um lugar que tem muitas histórias. Hoje mesmo estive por lá. Viva o Salão Santista e vida LONGA com saúde para o Senhor Domingues, cidadão que faz a historia da Rua 14 de Julho!
 
Prof.Janio Baista de Macedo em 14/07/2011 11:51:37
Estamos falando dos 100 anos da rua 14 de julho mas será que as pessoas sabem o significado da data em homenagem a esta rua ?
Os nossos munícipes deveriam ser informados sobre suas ruas (significados e homenageados) para estarem cientes da valorização da cultura histórica.
 
Amilton Pereira Dantas em 14/07/2011 11:23:33
Gostam mesmo de ver casas velhas: visitem museus fotográficos! Não vejo nada mais empolgante que as ruas iluminadas e multicoloridas de Tóquio e Nova York.

Uma sugestão é mudar todo o comércio então desse museu de mal gosto a céu aberto para um "centro novo", à exemplo do Rio, São Paulo e Salvador. comércio tem que ter publicidade, quem não é visto não é lembrado. Dessa maneira seriam respeitados os saudosistas e também os revolucionários.

Que venha o progresso!
 
Thiao Domigues em 14/07/2011 11:12:08
conheco Campo Grande desde que se buscavacaminhâo de lenha para fogão, ali pela TV Morena, eu éra bem pequena, o meu maiór sonho hoje,seria ver uma maquina de trem que éra movida a lenha (Maria fumaça)estacionada nas imediaçôes da morada dos Bais,me dá saudades do Obelisco que tinha escada dos lados,dos cines alhambra.Rialto,santa Helena,gostaria de ver fotos da época.
 
teresa moura em 14/07/2011 10:09:15
Que pena que tudo isso esta em ruinas, quem ve, acha muito feio é essa a realidade, muito triste, um marco para cidade infelizmente esquecida e abandonada.
 
Felipe Lucero em 14/07/2011 08:49:54
Troco qualquer passeio, por uma caminhada pela 14 de julho. Passei minha infância
na casa de minha avó, ou mais precisamente, Rua 14 de julho 992. Lá era assim, o comércio na frente e a residência nos fundos. Ficava entre a Candido do Mariano e a Maracajú. Fatos históricos foram por mim vivenciados, desde carnavais, até brigas e assasinatos em frente ao Bar do Sr.Gaspar, porém nada se comentava. Ali vivenciei passeatas políticas da UDN e do PTB, da Arena e do MDB. Em 64, o fechamento do Democrata e a prisão de muitos conhecidos. A Primorosa, do Sr. Nelson Correa, pela manhã tocava musicas sertanejas, e na parte da tarde a seleção era para grandes orquestras, em diversos ritmos. Ao lado direito, a Livraria Trouy, onde compravamos nosso material escolar e onde encontrávamos o sr Trouy, com seu lenço vermelho no pescoço, sobre a camisa branca. Sempre fazia sugestões de livros, principalmente de autores revolucionários. Ao lado, a sede do jornal Correio do Estado. O Prof. Rodrigues e seus filhos, além do Júlio e do Gamba, que nunca me esqueci de sua imagem de homem forte, trabalhando nas prensas do jornal. Um pouco mais para baixo, a " livraria do grego" Sr. Mitio, pintor e intelectual, além da lanchonete da irmã da Vega Nery, famosa pintora, da qual meu pai ganhou um lindíssimo quadro. Brincávamos nas calçadas, a noite sentavámos também nas calçadas, com cadeiras em roda, junto aos vizinhos e amigos que nos visitavam. O casal Saad, donos da casa Nova Estrela, e seus filhos e netos, além dos Buainaim, juntos todos, formávamos uma única família. Hoje só resta uma moradora daquela época, a Sra Mió, a japonesa da frutaria. Se saudade matasse, juro que já teria morrido. Faz-me muito bem, recordar aquela época e andar mais devagar... para quem já teve muita pressa, como eu!!!
 
maria augusta rahe pereira em 14/07/2011 07:19:51
Sou de Mato Grosso do Sul.
matuto de fazenda
lembro de tomar sorvete no bar Bom Jardim, e tambem no bar Bom Gosto.
A rua 14 não era asfaltada
Quando chovia era uma lama temenda.
Quando seca era a famosa poeira da nossa querida cidade morena.
O tempo passou, a cidade continua morena,tiraram o Relógio, a Casa Nasser acabou e
14 continua, com o desfiles das LINDAS MORENAS
saudades bons tempos.Atualmente moro em Fortaleza CE
Agnaldo
.



 
Agnaldo c. de oliveira em 14/07/2011 03:04:12
Como esta Rua me deixa orgulhoso de ser filho desta Morena. Que Deus me dê 100 anos, e não apague da minha memória as emoções que esta rua me proporcionou e ainda proporciona. Como esquecer quando voltava todas noites do Colégio Dom Bosco, e avistar o Pompilho, (um dos personagens de rua dentre tantos que Campo Grande teve), sentado nos degraus da entrada do Edificio Nacao? Como esquecer os Desfiles Cívicos de 26 de Agosto e 7 de Setembro, primeiro como aluno integrante da Fanfarra do Colégio Estadual 26 de Agosto e depois como instrutor da mesma por mais de 5 anos, e diga-se de passagem fui aluno da Profª Alisolete Weingartner. Como esquecer os Desfiles das Escolas de Samba dos Mestres: Goinha e Felipão e depois com as outras Escolas até 2006? Mas a maior emoção foi o Comício pelas Eleições Diretas (Diretas Já). Um Frisson coletivo inesquecível que jamais vi igual,quando subiu no palanque Dr.Ulisses Guimarães e Tancredo Neves.
 
EDUARDO DE SOUZA NETO em 14/07/2011 02:14:45
Que saudades!! Passei bons momentos da minha vida no Hotel Americano. Como está maltratado o belo prédio!! Uma pena. O povo brasileiro confunde memória com atraso e coisa antiga. Pobre povo.
 
Ronaldo Ancél Alves em 14/07/2011 01:40:00
Sabia que na 14 tinha uma placa de transito que dizia "Velocidade máxima - Um cavalo a passo" ? Faz tempo hein...
 
Milton Silva - Campo Grande - MS em 14/07/2011 01:28:04
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