ACOMPANHE-NOS    
JANEIRO, SEGUNDA  17    CAMPO GRANDE 33º

Capital

Após 6 dias, família ainda tenta entender motivo que causou morte de entregador

Emerson deixa dois filhos, de 10 e 5 anos e foi sepultado em Ladário, cidade em que nasceu

Por Geisy Garnes | 19/08/2020 16:12
Emerson (de branco) e o irmão Helison Salles moravam a poucos metros de distância e sempre passavam os fins de semana juntos (Foto: Arquivo Pessoal)
Emerson (de branco) e o irmão Helison Salles moravam a poucos metros de distância e sempre passavam os fins de semana juntos (Foto: Arquivo Pessoal)

Emerson Salles Silva, de 33 anos, foi assassinado pelo colega de trabalho Bruno César de Carvalho, de 24 anos, durante briga numa lanchonete na Avenida Mato Grosso, na região central de Campo Grande, no dia 13 de agosto. Seis dias depois, a família ainda tenta entender os motivos da discussão que terminou na morte do caçula de três irmãos, do jovem que dedicava os dias ao serviço de motoentregador na cidade. O sentimento, no entanto, é apenas um: a revolta com a banalidade do crime.

Há um ano e quatro meses Emerson veio para Campo Grande a convite do irmão, o professor Helison Salles Silva, de 38 anos. Antes disso, trabalho por oito anos em uma empresa de segurança da região pantaneira de Mato Grosso do Sul. Na Capital, ajudou a família em uma oficina de marcenaria, mas logo conseguiu uma vaga como motoentregador de uma rede farmácia.

Aos poucos, começou a construir a vida na cidade. Se mudou para uma casa próxima a do irmão e cumpria religiosamente o compromisso com o trabalho. Aos fins de semana, quando estava de folga, se encontrava com os dois irmãos mais velhos, que também moram em Campo Grande.

Foi na farmácia, conta o irmão, que Emerson conheceu Bruno. Apesar disso, não eram amigos próximo. A convivência veio quando ele aceitou fazer entregas para a lanchonete em que o colega já trabalha há cerca de 3 anos. A proposta era aproveitar a pandemia para fazer extras e assim, juntar dinheiro para trocar de moto. “Ele era uma cara do bem, um cara de trabalho. Não precisava estar fazendo essa entrega extra de noite”, lamenta Helison.

A família não ouviu de Emerson nenhuma reclamação sobre Bruno nesse tempo. Também não acredita na versão contada pelo assassino, que em depoimento afirmou ser vítima de “brincadeiras constantes e ameaças”. “O que acho estranho é essa versão de que Emerson vinha fazendo brincadeiras com ele. Acho difícil isso, quem conhece o Emerson sabe, ele não é o tipo que faz brincadeiras. Era muito tímido, tinha que chamar para conversar e iniciar o assunto”.

“Tenho certeza que não, certeza absoluta”, reforça Helison sobre as supostas ameaças que a vítima teria feito ao autor. Para o professor, a discussão entre os dois pode ter feito Emerson xingar e até “falar alguma bobagem” para o colega, mas nunca o ameaçar. “Não tinha problema com ninguém. A vida do Emerson era esse trabalho, com essa moto”.

O assassinato foi filmado. Depois do crime, Bruno fugiu do local de moto (Foto: Reprodução Vídeo)
O assassinato foi filmado. Depois do crime, Bruno fugiu do local de moto (Foto: Reprodução Vídeo)

Foi exatamente no trabalho, entre uma entrega e outra, que o motoentregador foi assassinado a tiros, após brigar com Bruno. Todo o crime foi gravado por câmeras de segurança. O suspeito se apresentou a polícia na manhã de ontem (18) e nesta quarta-feira foi preso por força de uma mandado de prisão preventiva.

Ainda sem entender o que realmente aconteceu, a família tenta montar a história contada por testemunhas, amigos e o próprio assassino, para compreender a morte do caçula dos três irmãos. Mas a única certeza até o momento, é a crueldade do crime e a futilidade da briga que terminou com os tiros que tiraram a vida do motoentregador. “Fico muito aliviado por ele estar preso. Mas o que me revolta é como aconteceu, é o motivo. A banalidade. Uma briga idiota, da parte dos dois”, desabafou Helison.

Ele ainda afirma que o crime deixa claro que Bruno sabia exatamente o que fazia quando puxou o gatilho e matou o colega. “O que ele fez foi uma covardia, por isso gerou uma comoção. Esse cara abateu meu irmão com um tiro na pélvis e depois ele foi lá e executou. Isso não é coisa de cara que nunca atirou em ninguém, que nunca manuseou uma arma”.

“Esse cara é uma ameaça a sociedade. Em liberdade ele vai voltar a fazer entrega. Imagina ele na casa das pessoas, principalmente nessa época e pandemia. Espero que essa prisão seja mantida”.

Emerson deixa dois filhos, de 10 e 5 anos e foi enterrado em Ladário, cidade em que nasceu e que até hoje é lar da mãe.


Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário