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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

24/04/2018 18:49

Articulador da morte de advogado é condenado a 15 anos de prisão

Enquanto Edoildo acabou condenado, Jair Roberto, também julgado nesta tarde, foi inocentado

Geisy Garnes
Edoildo e Jair durante o júri na manhã desta terça-feira (Foto: Saul Schramm)Edoildo e Jair durante o júri na manhã desta terça-feira (Foto: Saul Schramm)

Após mais de 8 horas de julgamento, o conselho de sentença do Tribunal do Júri de Campo Grande condenou Edoildo Ramos a 15 anos e seis meses de prisão pela morte do advogado Nivaldo Nogueira de Souza – ocorrida em março de 2009 na cidade de Costo Rica. Jair Roberto Cardoso, de 33 anos, também levado a júri nesta terça-feira (24), foi inocentado pelos jurados.

A dupla, conhecida como Piá e Jair do Mototaxista, foi apontada pelo MPE (Ministério Público Estadual) como articuladora do crime. Segundo a denúncia, foram eles que contrataram Michel Leandro dos Reis, autor dos disparos que mataram o advogado, Francisco Pereira Feitosa e David da Silva Roseno - ambos já foram inocentados pelo crime.

No entanto, ao contrário de Francisco e David - que passaram por júri na quinta-feira (19) e fizeram delação premiada - a dupla negou participação na morte do advogado. No primeiro julgamento sobre o homicídio, que aconteceu em 2013 e foi anulado a pedido do MPE, os réus foram absolvidos e pela segunda vez afirmaram serem inocentes.

Nesta tarde, durante depoimento ao juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Carlos Alberto Garcete de Almeida, Edoildo Ramos alegou que na época do crime devia R$ 10 mil para Francisco, o Chicão, e em troca do pagamento, combinou em dar um “susto” no advogado.

Dias depois, foi novamente procurado pelo então amigo, que teria mudado o acordo e pedido para ele matar a vítima. Diante do júri, o réu foi categórico em afirmar que não aceitou o negócio e não teve qualquer envolvimento com o homicídio. Jair também negou participação na execução.

Contou ao júri que única ligação era conhecer Oswaldo José de Almeida Júnior, o Dinho, apontado como mandante do crime. Jair explicou que conheceu o pecuarista quando estava preso e chegou a mandar uma carta para ele pedindo um emprego quando deixasse a cadeia. Não teve resposta, mas ainda assim, ao receber liberdade procurou o suspeito.

“O único dinheiro que ele me passou foram os das corridas que fiz para ele, nenhum outro”, defendeu. A promotora Lívia Carla Guadanhim Bariani defendeu que as confissões dos outros envolvidos e também provas coletadas nas investigações do crime - como interceptação de ligações telefônicas - apontaram os dois réus como articuladores da execução.

A promotora alegou ainda que recorreu a decisão que inocentou Francisco Pereira Feitosa e David da Silva Roseno, réus confessos, que foram liberados por ajudarem no julgamento ao relatarem a participação de cada um dos autores.

O conselho de sentença decidiu por maioria dos votos condenar Edoildo Ramos a 14 anos de prisão por homicídio qualificado por motivo torpe e a uma ano e seis meses por associação criminosa, em regime fechado. Já Jair foi absolvido pelo jurados.

Edoildo Ramos foi condenado a 15 anos e deis meses de prisão (Foto: Saul Scharamm)Edoildo Ramos foi condenado a 15 anos e deis meses de prisão (Foto: Saul Scharamm)
Jair foi inocentado pelo júri (Foto: Saul Schramm)Jair foi inocentado pelo júri (Foto: Saul Schramm)

O crime - O julgamento de todos os envolvidos foi fracionado em três partes. Agora restam apenas uma, que acontece no dia 26 de abril.

De acordo com a denúncia, no dia do ocorrido, por volta das 18h, David, pilotando uma motocicleta, teria levado Michel até a “Lanchonete Cantinho Meu”, no centro de Costa Rica, onde o advogado estava. Eles teriam ficado de tocaia na esquina.

Ainda conforme a denúncia, em seguida, Francisco teria passado de carro e avisado que a vítima estava no bar. Os dois primeiros passaram de moto em frente à lanchonete, mas resolveram dar mais uma volta. A seguir, o condutor da moto subiu com o veículo na calçada em frente ao estabelecimento e Michel que estava na garupa desceu e, após certificar-se que era o advogado, sacou a arma e atirou. Um dos atingiu a cabeça de Nivaldo. Após o crime, os dois teriam fugido e duas quadras depois Michel entrou no carro e seguiu a fuga.

Segundo a acusação, o pecuarista Oswaldo José de Almeida Junior, 59 anos seria o mandante do crime. Ele teria contratado Edoildo Ramos para intermediar a contratação dos pistoleiros.

Ainda de acordo com a acusação, Wilia Inácio Rodrigues, 41 anos, teve participação moral e material, pois teria apresentado Michel como o matador do advogado. Além disso, Jair Roberto Cardoso também foi acusado de ser um dos intermediários do crime.



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