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Capital

Às vésperas da melhor data do ano, comércio é pego de surpresa com decreto

Bares e restaurantes tem de fechar, assim com lojas que nesta época vendem presentes do Dia dos Namorados

Por Paula Maciulevicius Brasil e Ana Paula Chuva | 10/06/2021 09:25
Para Abrasel, bares e restaurantes vão pagar a conta de novo. (Foto: Arquivo/Henrique Kawaminami)
Para Abrasel, bares e restaurantes vão pagar a conta de novo. (Foto: Arquivo/Henrique Kawaminami)

Campo Grande amanheceu com a notícia de bandeira cinza, o que significa mais restrições e mudanças de horário às vésperas do Dia dos Namorados, data considerada a de maior faturamento para bares e restaurantes noturnos. A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Mato Grosso do Sul) que chegou a encaminhar ofício ao Governo pedindo ampliação do toque diz que foi pega de surpresa.

Para o presidente da Associação, Juliano Wertheimer, o prejuízo vai ser generalizado, já que o setor vinha se programando para abrir dentro do horário permitido pela classificação anterior do Prosseguir, quando Campo Grande ainda estava em bandeira vermelha.

"Podia abrir até 21h, neste horário os restaurantes não conseguem rodar duas vezes a mesa, mas pelo menos dava para fazer um giro no salão", comenta Juliano.

Levando em conta este horário liberado até hoje, proprietários de bares e restaurantes estocaram mercadoria e contrataram mais funcionários esperando poder abrir até 21h no sábado, dia 12 de junho.

"Mais uma vez somos o setor mais prejudicado. Estamos pagando uma conta desproporcional durante essa pandemia. O local mais seguro para se estar é dentro de um bar e restaurante que seguem as medidas", enfatiza Juliano.

Bares ficam restritos segundo novo decreto publicado hoje. (Foto: Arquivo/Henrique Kawaminami)
Bares ficam restritos segundo novo decreto publicado hoje. (Foto: Arquivo/Henrique Kawaminami)

Na lista do Prosseguir, bares e restaurantes são colocados como "não-essenciais" e liberados apenas para municípios com classificação a partir da bandeira vermelha. Mas mesmo que pudessem abrir entre 20h e 5h da manhã, funcionar à noite nem compensaria, avalia Juliano.

"Até 8h da noite? Vai abrir sendo que ninguém vai vir jantar 6h30, 7h. Entendemos a gravidade da situação da saúde, mas é lamentável que o Governo tenha alterado isso às vésperas. Temos menos de 48h para reorganizar e quem já está com produto estocado? Fez todas as compras? Não vai ter onde usar a mercadoria", relata.

A associação aponta que as medidas de limitação vão contribuir ainda mais para aglomeração em casa e festas clandestinas. "Em vez da pessoa tomar três cervejas no restaurante, vai comemorar em casa, com churrasquinho, e a gente vai pagar o preço das aglomerações", finaliza Juliano.

Movimentação no centro da Capital na manhã desta quinta-feira. (Foto: Marcos Maluf)
Movimentação no centro da Capital na manhã desta quinta-feira. (Foto: Marcos Maluf)

Comércio - Acompanhando a situação da pandemia em Campo Grande, a ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande) diz não ter sido pega de surpresa, mas entende a medida como equivocada neste momento em que o comércio contava com o Dia dos Namorados para ajudar na recuperação das receitas.

Para o presidente de associação, Renato Paniago, a restrição de funcionamento não vai trazer o resultado esperado e as empresas sairão prejudicadas mais uma vez.

"A medida restringe horário e quem precisa ir até o comércio vai acabar aglomerando. Para nós a medida é um desastre e vai prejudicar ainda mais as empresas. Muitas vão acabar fechando, senão agora, daqui algum tempo porque já vem sofrendo com o impacto desde o começo da pandemia em 2020", disse Renato.

Ao Campo Grande News, Renato relatou entender a preocupação do Estado com a saúde da população, mas reforça que entende a medida como equivocada porque neste momento estamos avançando na vacinação e com a população já habituada às medidas de biossegurança.

"A gente acha um absurdo tomar uma medida dessa nesse momento que estamos tendo um avanço na vacinação e as pessoas já estão mais acostumadas com as medidas de biossegurança como o uso do álcool e da máscara. Isso não vai diminuir o contágio. Precisa fiscalizar os eventos clandestinos e solucionar a lotação no transporte público, não diminuir horário de funcionamento das empresas. O que não é essencial na lista, pode ser essencial para a população", finalizou Paniago.

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