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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

14/01/2011 08:27

Investigações avançam, mas população reclama de insegurança nos bairros

Danúbia Burema

Apenas no Natal foram registrados 5 homicídios na periferia

Apesar do esforço para concluir os inquéritos de homicídios e dos avanços em parte dos casos, o trabalho da Polícia não está conseguindo vencer a sensação de medo dos moradores dos bairros onde ocorreram crimes recententemente. Apenas no Natal foram cinco assassinatos na região do bairro Parque do Lageado, no Mário Covas, Novos Estados e Jardim Montevidéu.

Na região do Parque do Lageado foram registrados três assassinatos apenas no Natal. (João Garrigó)Na região do Parque do Lageado foram registrados três assassinatos apenas no Natal. (João Garrigó)
Moradora mostra com a mão tamanho do buraco feito por disparo; solução foi mudar para outra parte do bairro. (João Garrigó)Moradora mostra com a mão tamanho do buraco feito por disparo; solução foi mudar para outra parte do bairro. (João Garrigó)

Moradora do Lageado há 26 anos, a babá Gilma Silva, de 33 anos, mudou-se para a ‘parte baixa’ do bairro há quatro meses, na tentativa de escapar da violência. “Aqui é menos pior”, compara.

Gilma conta que na casa antiga havia várias marcas de disparos nas portas. “O pessoal passava atirando até de dia”, lembra.

Segundo ela, a violência tem feito muitas pessoas deixarem a região. “A maioria prefere mudar. Quem não pode mudar para longe, muda para um pouquinho mais longe”, diz.

Dos cinco assassinatos ocorridos nos bairros no final do ano, o de maior repercussão foi o assassinato de Denilson de Souza de Paula, de 20 anos, em plena feira livre do Dom Antônio. Conforme o delegado que investiga o caso, Márcio Obara, da 5ª Delegacia de Polícia, o autor já foi indiciado por homicídio doloso qualificado.

Romildo da Silva Santiago, de 23 anos, deverá responder também pelo motivo fútil do crime e por ter usado de meio que impossibilitou a defesa da vítima. Ele se apresentou no dia 27 de dezembro acompanhado de um advogado, mas não ficou preso porque escapou do flagrante.

Jovem foi morto durante a feira livre do bairro na véspera do Natal. (João Garrigó)Jovem foi morto durante a feira livre do bairro na véspera do Natal. (João Garrigó)

A versão dada por Romildo à Polícia é de que a morte foi fruto de uma desavença antiga que resultou em ameaças. Ele alegou que ao encontrar Denilson na feira, este fez menção de sacar uma arma e ele atirou primeiro. Contudo, testemunhas informaram à Polícia que o autor simplesmente atirou logo após identificar a vítima no meio das outras pessoas que estavam na feira.

Para o pai de Denilson, João Batista Souza, de 48 anos, não vale a pena sequer comentar o crime porque “nada trará o filho de volta”. Ele se limita a dizer que “ninguém pode combater o crime, hoje está aqui, amanhã ali”. O pai explica que no bairro os moradores chegam a ter medo de falar sobre a violência, porque depois “as pessoas reclamam que foram prejudicadas”.

No mesmo dia em que o jovem foi morto na feira, outro crime ocorreu na região. Luzinete Rodrigues, de 39 anos, foi morta a tiro pelo genro Lucas Alexandre Rodrigues, de 23 anos.

O rapaz também já foi indiciado por homicídio doloso. Conforme o delegado Márcio Obara, ele se apresentou à delegacia após ser intimado.

Após o crime, uma filha da vítima registrou boletim de ocorrência dizendo que Lucas impedia a irmã de visitar a mãe e que ele era agressivo com a esposa.

Contudo, a versão do rapaz - que escapou do flagrante e por isso não ficou preso – é de que a sogra interferia no relacionamento e ameaçava pisotear o filho de um ano do casal, versão confirmada pela mulher dele e filha da vítima, de 17 anos.

Inquéritos – Na véspera e dia do Natal, outros três homicídios foram registrados em bairros da Capital. No Residencial Mário Covas, Diego Mohamed de Arruda, de 22 anos, foi morto com três tiros quando saía da casa do pai. O crime também é investigado pela 5ª Delegacia de Polícia e o autor ainda não foi preso.

Outros dois crimes em bairros no Natal foram a morte de Carlos Alexandre Buscarons Sanches, de 19 anos, no Parque Novos Estados, e de Alexsandro Jesus Baures, de 25 anos. Ambos são investigados 3ª DP, mas a Polícia não deu detalhes do andamento dos inquéritos.

Comandante da PM diz homicídios foram analisados, mas maioria é motivada por rixa ou briga familiar. (Arquivo/João Garrigó)Comandante da PM diz homicídios foram analisados, mas maioria é motivada por rixa ou briga familiar. (Arquivo/João Garrigó)

Dentro de casa – O comandante da Polícia Militar, coronel Carlos Alberto David dos Santos, revela que foi feita uma reunião no final do ano passado na qual cada um dos casos de homicídio ocorridos no período foram estudados.

Ele afirma que o resultado foi que praticamente todos os crimes referiam-se a usuários de drogas ou envolviam questões familiares. O coronel explica que nos casos de família fica difícil fazer um trabalho preventivo. “Como é que eu vou colocar um policial dentro de cada casa? Já tenho dificuldade para colocar nas ruas”, diz o comandante da PM.

David revela ainda que na região do Parque do Lageado, onde os moradores se sentem inseguros, são raríssimos casos de morte durante assalto ou situações do gênero. Segundo ele, a maior parte dos homicídios é motivada por rixas ou situações envolvendo drogas.

O coronel lembra que uma base comunitária foi instalada no Los Angeles e fará trabalho preventivo em toda a região. Em alguns casos, revela, os policiais chegam a visitar as famílias consideradas problemáticas na tentativa de reduzir os índices de violência.

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Embora, os numeros assustem, ainda temos uma convivência social relativamente harmoniosa no nosso Estado e principalmente na capital, a segurança pública tem uma crise generalizada, sérios desvios de funções, não ha preocupação com o denominado policiamente preventivo, a policia repressiva esta omissa, e, hoje com bons salários a vista da situação nacionalo, a sociedade aceita os acontecimentos pacificamente, somente familias atingidas as vezes se manifestam, há necessidade de instrução aos profissionais da área de segurança, cultura, inclusive religiosa às familias, sobretudo, aos jovens em idade escolar, pois de certa forma estamos vivenciando uma crise social grave, necessitando da participação de todos segmentos sociais para o combate efetivo e inteligente.
 
Valter de Oliveira em 14/01/2011 10:55:22
enquanto tivermos politicos despreparados, policias depreparadas e desvalorizadas, educaçao de pessima qualidade e um sistema prisional falido e corrupto, essas ocorrencias continuarao a acontecer!So fico com pena dessas familia e de outras que ainda irao sofrer e muito com isso!
 
andre luiz em 14/01/2011 09:35:58
E triste ver tudo isso nos bairros mais afastado, acho que tem jeito sim, basta o poder publico fazer o que falam em campanhas politicas, o prefeito disse em sua campanha que os guardas municipais iriam para os bairos pelo menos onde morro nunca passaram, raramente as viaturas da policia passa, educação e segurança publica so tem jeito em campanhas politicas.
 
Alberto Pontes Filho em 14/01/2011 09:13:00
A QUESTAO DA VIOLENCIA, É UMA QUESTAO DE EDUCAÇÃO, NAO SÓ DE POLICIAMENTO. INFELIZMENTE NOSSOS GOVERNANTES NAO INVESTEM NA PREVENÇÃO(EDUCAÇÃO), PREFEREM CONSTRUIR PRESIDIOS. ENQUANTO NAO HOUVER INVESTIMENTO DE VERDADE EM EDUCAÇÃO, ENTRA ANO E SAI ANO, VAMOS CONTINUAR ASSISTINDO ESSAS BARBARIES. E NAO É SÓ INVESTIR, A SOCIEDADE ORGANIZADA PRECISA ACOMPANHAR DE PERTO, COBRAR, POIS, A CORRUPÇÃO ESTÁ ENRAIZADA NA NOSSA CULTURA, EM TODAS AS ESFERAS DO PODER, SE NAO ESTANCARMOS A CORRUPÇÃO, ENSINAR NAS ESCOLAS O PREÇO QUE PAGAMOS PELA CORRUPÇÃO, VAMOS CONTINUAR ACOMPANHANDO PELOS JORNAIS ESSAS NOTICIAS RUINS. OBRIGADO.
 
ANTONIO CARLOS LEAO em 14/01/2011 08:54:19
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