ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JULHO, SEXTA  03    CAMPO GRANDE 17º

Capital

Avião que caiu não tem caixa-preta e mau tempo é primeira hipótese para acidente

Investigação trabalha com hipótese inicial de desorientação espacial, mas causa depende de análise técnica

Por Anahi Zurutuza e Geniffer Valeriano | 03/07/2026 13:55
Avião que caiu não tem caixa-preta e mau tempo é primeira hipótese para acidente
Destroços do avião no local do acidente, próximo ao Aeroporto Santa Maria (Foto: Corpo de Bombeiros/Reprodução)

O avião bimotor que caiu na manhã desta sexta-feira (3), em área de mata próxima ao Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, não possui caixa-preta. A ausência do equipamento não tem relação com irregularidade da aeronave. Segundo apuração no local, o modelo Neiva EMB-810D Seneca não conta com esse tipo de gravador, por isso nenhum aparelho do tipo foi recolhido dos destroços.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Avião bimotor Neiva EMB-810D Seneca caiu nesta sexta-feira (3) em área de mata próxima ao Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, matando o piloto Henrique Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff. A aeronave não possui caixa-preta. O delegado Sam Suzumura, do Dracco, investiga o caso e aponta o mau tempo e desorientação espacial como hipóteses. Técnicos do Cenipa chegam neste sábado para análise mecânica.

Os corpos do piloto Henrique Martin e da pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff foram retirados do local por uma funerária por volta das 13h30. Também foram recolhidos os pertences encontrados na aeronave, entre eles uma mala grande e vários livros da pesquisadora, que se dedicava ao estudo dos mamíferos do Pantanal, especialmente dos tamanduás.

Representantes da Amapil Táxi Aéreo, empresa responsável pela aeronave, chegaram ao local pouco antes das 13h30, no momento em que a perícia da Polícia Civil e equipes do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), que ficará responsável pelo inquérito policial por sua expertise em crimes relacionados ao transporte aéreo, deixaram a área. A PM (Polícia Militar) permanece fazendo a segurança dos destroços até a chegada da equipe particular providenciada pela empresa.

A orientação é para que a aeronave não seja mexida até a chegada dos técnicos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da FAB (Força Aérea Brasileira). O trabalho deve ocorrer apenas neste sábado (4), com acompanhamento da perícia criminal.

Avião que caiu não tem caixa-preta e mau tempo é primeira hipótese para acidente
Delegado Sam Suzumura, do Dracco, durante entrevista após primeiros levantamentos no local (Foto: Juliano Almeida)

Segundo o delegado Sam Suzumura, do Dracco, a apuração ainda está em fase inicial. Ele afirmou que uma das hipóteses é que o mau tempo tenha contribuído para a queda, mas destacou que qualquer conclusão depende da análise da parte mecânica da aeronave. “A suspeita inicial é que, em razão do mau tempo, isso tenha provocado a queda. Só que a gente precisa seguir nos levantamentos. Vai precisar ser analisada a parte mecânica da aeronave e, para isso, a gente precisa do Cenipa, da Aeronáutica. Então, isso vai ser só em um segundo momento para a gente ter certeza da causa do acidente”, explicou.

O Seripa (Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) é o braço regional do sistema de investigação ligado ao Cenipa, mas os técnicos estão fora de Mato Grosso do Sul trabalhando em outra apuração. A equipe foi acionada e chega à Capital amanhã. A análise técnica deve apontar se houve falha mecânica, perda de potência, problema em motor ou outro fator que possa ter provocado a queda.

Até lá, a hipótese de desorientação espacial (por causa de nevoeiro) é tratada apenas como possibilidade. O delegado explicou que a forte cerração registrada na região pode ter dificultado a orientação do piloto logo após a decolagem. “A hipótese seria uma desorientação espacial do piloto. Inclusive, na hora que as buscas começaram pelo Corpo de Bombeiros, estava muita cerração. Então é possível que, no momento do início do voo, estivesse uma condição pior ainda”, afirmou.

Questionado se o piloto poderia ter tentado alguma manobra antes do impacto, o delegado disse que ainda é cedo para afirmar. “Se a gente trabalhar dentro dessa hipótese de desorientação espacial, ele talvez nem tenha tido tempo de tentar reverter, por não saber exatamente o que estava acontecendo, de não saber a posição da aeronave. E aí, já estando muito próximo ao solo, já não haveria mais tempo. Mas isso tudo seria especulativo”, ponderou.

O avião havia decolado do Aeroporto Santa Maria, que fica ao lado da área onde os destroços foram encontrados. O destino ainda não foi confirmado oficialmente pela polícia, que informou não ter tido acesso ao plano de voo até o início da tarde.

Avião que caiu não tem caixa-preta e mau tempo é primeira hipótese para acidente
Funcionários de funerária retiram corpos de mata (Foto: Juliano Almeida)

A aeronave emitiu um sinal sonoro após a queda, identificado como ELT, equipamento usado para localização em caso de acidente. Segundo o delegado, o sistema envia alerta ao operador, inclusive por meio de estrutura no exterior, e a informação é repassada às autoridades aeronáuticas no Brasil.

Apesar disso, o sinal não chegou às equipes de busca dos bombeiros antes da localização dos destroços. O tenente Edson Vieira de Souza, do Corpo de Bombeiros, informou que os militares demoraram cerca de uma hora e meia para encontrar a aeronave. “Quando a gente chegou aqui no local, tinha uma noção de que ele teria levantado voo do Aeródromo Santa Maria, mas não tinha localização. Em princípio, por ser uma queda de aeronave, poderia ter uma explosão. Começamos a trabalhar no visual e não encontramos”, relatou.

As buscas mobilizaram seis equipes, com 22 bombeiros. Também foram usados um drone com câmera térmica e um helicóptero do GOA (Grupamento de Operações Aéreas). A câmera térmica foi acionada porque havia a possibilidade de incêndio, mas não houve fogo após a queda. “Estava com bastante serração aqui no local. A gente tinha a perspectiva de ter incêndio, então procurou com drone com câmera térmica. Mas, como não teve incêndio, não achamos com isso”, explicou o tenente.

A aeronave foi localizada cerca de cinco minutos depois que o helicóptero levantou voo. Os bombeiros fizeram o isolamento da área e aguardaram os trabalhos da perícia. Segundo o tenente, o impacto foi forte, mas não houve atuação de resgate imediato porque as duas mortes foram constatadas no local. “Foi um acidente de aeronave, um impacto bem considerável. Mas, como a gente não chegou a atuar no resgate e verificou de pronto os dois óbitos”, afirmou.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.