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Campo Grande, Terça-feira, 21 de Agosto de 2018

24/10/2011 16:12

Bombeiro que planejou atentado contra juízes é condenado a 22 anos de prisão

Paula Maciulevicius

Ales Marques foi condenado por tráfico internacional de drogas e arma de fogo. Militar perdeu o cargo e vai pagar 1,7 mil dias-multa

O bombeiro Ales Marques, denunciado pelo MPF (Ministério Público Federal) por tráfico internacional de drogas e arma de fogo, foi condenado a 22 anos e 13 dias de reclusão, perda do cargo público e pagamento de 1,7 mil dias-multa. Além do envolvimento com tráfico de drogas, o bombeiro é apontado como suspeito de planejar atentados contra juízes federais.

Ales Marques perdeu uma casa em Ponta Porã, US$ 17 mil dólares e um veículo, que serão repassados à União. Os cúmplices do bombeiro, Pedro Borges Valério e Manuel Sosa Ledesma, também foram condenados. Eles ainda podem recorrer da sentença, mas continuam presos.

O bombeiro foi preso com mais de 11 kg de cocaína em 2010. Ele também é réu, junto com 17 pessoas, em outro processo de tráfico internacional de drogas em curso na Justiça Federal em Ponta Porã.

Na fixação das penas, a Justiça considerou a personalidade desvirtuada de Ales, evidenciada em diálogo no qual o mesmo afirmou que “irá mostrar quem ele é, que irá fazer uma limpa na fronteira, que não poupará os filhos nem as mulheres de seus desafetos, e que terá o prazer de mandar as línguas de todos eles numa caixa”, informou a assessoria de imprensa do MPF.

Em fevereiro deste ano, enquanto estava detido no Presídio Militar de Campo Grande, o bombeiro foi considerado uma ameaça à segurança de juízes federais e de outras pessoas. O temor cresceu após investigação revelar que, apesar de oficialmente preso, ele foi visto fora do presídio.

Ele saiu em uma viatura da Polícia Militar com um capitão e mais dois policiais para uma “diligência”, até uma chácara de Campo Grande.

O MPF então, pediu à Justiça a transferência dele para um presídio federal, preferencialmente fora do estado.

De acordo com a assessoria de imprensa do MPF, investigações revelaram que Ales, mesmo preso, arquitetava a morte de desafetos e de juízes federais que atuam nos processos nos quais é acusado de liderar quadrilha de tráfico internacional de drogas.

Ales Marques foi preso em flagrante em julho de 2010. Ele teve a prisão preventiva decretada em outubro de 2010, durante a operação Maré Alta. O MPF denunciou 18 pessoas da quadrilha, inclusive a ex-mulher e os filhos do militar, que também estão presos. Foram apreendidos, com a associação criminosa, quase 80 kg de cocaína.

Conforme a denúncia, a quadrilha abastecia, em larga escala, os mercados consumidores de drogas de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. A cocaína vinha do Paraguai pela fronteira seca entre Pedro Juan Caballero e Ponta Porã.

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