Brasil x Japão divide torcida, mas não coração de famílias na Nipo
Cerca de 80 pessoas acompanharam jogo, entre palpites, churrasco e lembranças da origem

No salão da quadra de tênis da Associação Nipo Brasileira, na Avenida Ministro João Arinos, em Campo Grande, cerca de 80 pessoas se reuniram para acompanhar Brasil x Japão nesta segunda-feira (29). Entre famílias e amigos, a torcida tinha bandeira verde e amarela, mas também um carinho declarado pela seleção japonesa.
RESUMO
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O estudante Henrique Oshiro, de 22 anos, entrou no bolão com aposta ousada: 4 a 0 para o Brasil. Depois, baixou a expectativa. “Eu espero que o Brasil ganhe tranquilo. Apesar de ter uma cultura meio japonesa comigo, espero que seja um jogo bem tranquilo para o Brasil hoje”, afirmou. “Eu coloquei no bolão 4 a 0 para o Brasil, para ganhar sozinho, mas acho que vai ser mais apertadinho, 2 a 0, 3 a 1”.
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Henrique contou que acompanha a Copa e torce pelas duas seleções, mas não escondeu o lado escolhido no confronto direto. “Achei que a gente não ia se enfrentar. Torci para a gente não se enfrentar, mas infelizmente vai se pegar logo agora. Estou mais pelo Brasil, menos pelo Japão”, disse.
Para Nair Luriko Shiraishi Okamoto, de 68 anos, o jogo tem um peso especial justamente por reunir dois países que fazem parte da história da comunidade. “Os japoneses nunca foram outros, eles sempre foram parceiros do Brasil. Pela imigração, trouxeram só benefício ao Brasil. O Brasil recebeu o Japão de braços abertos e os japoneses têm isso com o maior carinho também”, afirmou.
Na torcida dela, cabiam os dois lados. “A nossa torcida hoje realmente está dividida. Que o Brasil ganhe e o Japão vai se entristecer, com certeza. Da mesma forma, se o Japão ganhar, o Brasil vai ficar muito triste. Acho que vença o melhor do nosso coração”, disse. No bolão, Nair preferiu não escolher só um resultado: apostou 1 a 0 para o Brasil e 2 a 1 para o Japão.
O comerciante Edvaldo Nakazoni, de 64 anos, foi mais direto. Mesmo descendente de japoneses, afirmou que, contra o Brasil, não tem divisão possível. “A gente torce para que eles ganhem, mas agora, contra o Brasil, não tem jeito. A gente vai torcer para o Brasil”, disse. O palpite dele foi 2 a 0.
A reunião também teve cara de rotina entre amigos. Segundo Edvaldo, boa parte do grupo joga tênis no clube e costuma se encontrar em eventos, especialmente durante a Copa. “A maior parte é tenista. A gente se reúne nesses eventos, na Copa do Mundo, essas coisas, aí vem para cá”, contou.
Servidor público federal, Bruno Noda, de 42 anos, também apostou em vitória brasileira por 2 a 0. Ele participa do departamento de tênis da associação e disse que o grupo está no local quase todos os dias. “Tem uns dias que a gente faz churrasco, tem dia que só joga. Quando tem algum evento, tipo jogo de futebol, a gente se reúne para assistir junto”, afirmou.
Apesar do afeto pelo Japão, Bruno resumiu o sentimento da maioria no clube. “A gente queria enfrentar o Japão mais para o final, mas acaba torcendo para o Brasil. Nesse duelo Brasil e Japão, ainda fico do lado do Brasil. Se acontecer algum imprevisto, pelo menos o coração não fica tão magoado de perder”, brincou.
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