Saiba quem são os 5 alvos presos por rombo de R$ 4 milhões na Saúde em Nioaque
Investigação aponta proprietários da Prontomed Clínica Médica como financiadores do esquema
A Justiça Estadual decretou a prisão preventiva dos cinco principais investigados na segunda fase da Operação Auditus, deflagrada nesta quinta-feira pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção). A decisão judicial revela a divisão de tarefas do núcleo duro da organização criminosa, apontando a liderança no esquema de fraudes licitatórias e desvio de recursos públicos na Saúde do interior de Mato Grosso do Sul.
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A Justiça Estadual decretou a prisão preventiva de cinco investigados na segunda fase da Operação Auditus, deflagrada pelo Gecoc em Mato Grosso do Sul. Os presos integram um esquema de fraudes licitatórias na saúde pública de Nioaque, com danos estimados em mais de três milhões de reais entre 2019 e 2024. Entre os detidos estão empresários, uma gerente administrativa e dois ex-secretários municipais acusados de corrupção e desvio de recursos públicos.
Ao fundamentar as prisões cautelares, a juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande, destacou que as medidas alternativas, como o monitoramento eletrônico, seriam insuficientes. Segundo a decisão, a segregação é necessária para interromper as atividades do grupo e evitar interferências na instrução criminal.
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Empresários - Os empresários Robson Roosevelt Ferreira Aguilar e Bianca Fernandes Leite Aguilar, proprietários da empresa Prontomed Clínica Médica, são apontados como os financiadores do esquema. Ambos foram presos em Bonito.
Conforme a apuração do MPMS, os empresários eram responsáveis por corromper secretários municipais mediante pagamento contínuo de propina, garantindo o direcionamento de certames licitatórios e a liberação de pagamentos por serviços não executados.
Já Tatiane Barbosa de Souza Grubert, gerente administrativa da Prontomed, foi presa em Jardim. A investigação indica que ela atuava diretamente na montagem de cotações fraudulentas com nomes de empresas concorrentes para fraudar a fase de pesquisa de preços das licitações.
Além do direcionamento nos editais, Tatiane operava a confecção de laudos e guias com dados falsificados de atendimentos médicos para viabilizar os pagamentos indevidos pelo poder público.
Agentes públicos - A ex-secretária municipal de Saúde de Nioaque, Márcia Cristiane Missioneira Jara, presa em sua residência no município, é apontada como a responsável por autorizar o empenho e pagamento das faturas fraudulentas. Segundo a Justiça, a ex-gestora ignorava irregularidades como assinaturas falsificadas e cobranças em nome de pessoas falecidas para liberar os recursos públicos.
O ex-secretário de Governo de Nioaque, Vagner Alves Ribeiro Guimarães, preso em Jardim, atuava no alinhamento prévio das licitações. As investigações interceptaram trocas de mensagens em que o ex-gestor repassava minutas de editais aos empresários antes da publicação oficial e monitorava a ausência de concorrentes nos certames.
A análise bancária promovida pelo Centro de Pesquisa e Análise do MPMS identificou o fluxo financeiro das vantagens indevidas pagas aos ex-servidores públicos. Após o recebimento dos valores repassados pela Prefeitura de Nioaque à Prontomed, a gerente Tatiane Grubert realizava saques e transferências para intermediários.
No caso da ex-secretária Márcia Jara, o repasse de propina era operacionalizado com o auxílio de seu filho, Derick Augusto Jará Luz, com valores fracionados em parcelas de R$ 10 mil, R$ 65 mil e R$ 100 mil. Já para o ex-secretário Vagner Guimarães, foram rastreados depósitos em espécie não identificados na ordem de R$ 936,2 mil.
Primeira fase - Em julho do ano passado, Ministério Público, em investigação conjunta da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque, Gecoc e Gaeco cumpriram 10 mandados de busca e apreensão nos municípios de Nioaque, Bonito e Jardim.
A investigação, conduzida pela Promotoria de Justiça e pelo Gecoc, identificou a ocorrência de fraudes em licitações que tiveram como objeto a contratação de empresa para a prestação de serviços de especialidade médica por meio de consultas, realização de exames e procedimentos médicos, bem como na execução dos respectivos contratos, sendo estimado um potencial dano de mais de três milhões de reais, entre os anos de 2019 e 2024.
"Auditus", termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como ‘audição’, e decorre das fraudes consistentes em cobranças indevidas de inúmeros exames, dentre eles os exames de triagem auditiva neonatal (teste da orelhinha) que não eram de fato realizados.
A reportagem do Campo Grande News não conseguiu contato com a defesa dos investigados.
O prefeito de Nioaque, André Guimarães (PP), que está em Campo Grande, informou que não houve cumprimento de mandados em prédios da administração pública.
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