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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

15/04/2013 07:26

Cada vez mais garotas apanham dos namorados e sofrem violência virtual

Mariana Lopes
Em 2013, a Deam recebeu 359 registros de ocorrências de violência doméstica  (Foto: Simão Nogueira)Em 2013, a Deam recebeu 359 registros de ocorrências de violência doméstica (Foto: Simão Nogueira)

Talvez seja difícil acreditar que nos dias de hoje ainda existam mulheres que apanhem do marido ou do namorado. Mas o fato é que os casos continuam assustando e atingem uma geração teoricamente melhor informada. O volume de denúncias à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Campo Grande é prova disso e mostra o quanto essas ocorrências aumentaram, inclusive entre casais de adolescentes.

Em 2010, foram 88 registros que abrangiam a faixa etária de 12 a 17 anos. Em 2011, esse número subiu para 102. No ano passado saltou para 154 e até o último dia 11 de abril, a Deam registrou 68 boletins de ocorrências de violência entre casais nessa faixa etária.

Entre jovens de 18 a 25 anos, em 2010 foram 884 boletins de ocorrência por violência. Em 2011, foram 1.141 registros. No último ano o número subiu para 1.252 e até o dia 11 de abril, já foram 359 boletins.

Uma pesquisa realizada pela Fiocruz, com 3,2 mil jovens de 15 a 19 anos, comprova que a violência contra a mulher começa bem cedo, em muitos casos ainda na época do namoro. Dados que fazem a delegada adjunta da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Marília de Brito Martins, alertar para novos conceitos de relacionamentos, que atingem diretamente aos jovens e criam novas formas de violência.

Ela diz que os casais "juntam as escovas de dentes" cada vez mais cedo, mas isso não significa que a relação seja duradoura, pois ao mesmo tempo que há essa intimidade precoce, as uniões estão mais provisórias. Contudo, a delegada afirma, fundamentada na pesquisa, que alguns padrões tradicionais ainda são preservados nos relacionamentos, como o machismo. 

"É algo cultural, a pesquisa aponta que os homens têm as mulheres como objeto, e podemos ver essa realidade claramente em músicas e programas de televisão", explica a delegada Marília.

Delegada Marília alerta para novos conceitos de relacionamentos, que atingem diretamente aos jovens e criam novas formas de violência. (Foto: Simão Nogueira)Delegada Marília alerta para novos conceitos de relacionamentos, que atingem diretamente aos jovens e criam novas formas de violência. (Foto: Simão Nogueira)

Ainda conforme a pesquisa da Fiocruz, entre os casais contemporâneos a mulher ganha um papel questionador na relação, e, principalmente entre os mais jovens, ela também vai se transformando em uma agressora. "Mas não se compara a lesão corporal provocada por um homem, que são mais fortes e agressivos", diz a autoridade.

De acordo com os dados da Deam, as denúncias mais comuns são de lesão corporal, injúria, ameaça e vias de fato. E neste contexto, surge uma nova forma de agressão, a virtual. "Está se tornando cada vez mais comum a humilhação pública via internet, com jovens jogando em redes sociais vídeos e fotos dos parceiros em situações que constrangem o parceiro", alerta a delegada.

E o combustível das brigas, na maioria dos casos, é o ciúmes. Mas claro que o convívio social e familiar interfere na reação a esse sentimento, que por vezes também é confundido com afeto e carinho por parte do parceiro. "Geralmente o agressor vem de uma família com histórico violento, de pais que se agridem, fisica e verbalemnte", completa a delegada.

Apesar de todos os números crescentes, a delegada ressalta que não foi a violência contra a mulher que aumentou, mas sim o número de denúncias. "Tudo o que se refere à intimidade há dificuldade em expor, a mulher se sente envergonhada, mas hoje temos amparo legal que encoraja a denúncia", afirma a delegada, relembrando a Lei Maria da Penha.

A violência contra amulher, como é bem detalhada na pesquisa da Fiocruz, de acordo com a delegada adjunta da Deam, está inserida no contexto social como um todo e não é separada por raça ou classe social.

A denúncia é importante para o combate e em Campo Grande ela pode ser feita pelo telefone 3384-1149, ou na própria delegacia, localizada na rua 7 de Setembro, 2421, Centro.



"É algo cultural, a pesquisa aponta que os homens têm as mulheres como objeto, e podemos ver essa realidade claramente em músicas e programas de televisão", explica a delegada Marília." ELA TEM RAZÃO. Já muito precoce na escola essas diferenças são evidenciadas na organização das filas : Meninos de um lado, meninas de outro.
 
Claudia Lima em 15/04/2013 11:10:06
Um caso tão sério como esse e só agora vem à tona para a sociedade?
 
valdnir nunes em 15/04/2013 10:23:56
Isso tudo é reflexo da geração de pais que não souberam dar limites e dizer "não" para os filhos. Agora, na vida adulta eles usam de tudo pra conseguirem o que querem.
 
Afonso Netho em 15/04/2013 10:15:45
Apanham mas continuam com os trastes... Isso é gostar de sofrer ú_u ... e ainda diz : Ainda estou com ele , por causa do amor... E amor a si própria ú_u ??
As mulheres precisam se dar mais valor! E os homens , tomar vergonha na cara!
 
Tayna Chan em 15/04/2013 09:09:02
É simples acabar com isso, agrediu, prenda-o e dá um cassete e cacete e manda ir embora a pé prá casa. Será que prenderás a mesma pessoa duas vezes?
 
Guilherme Filho em 15/04/2013 08:54:40
Esses dias tava vendo no Youtube que virou moda vídeo de pegadinhas entre namorados. UM HORROR, simplesmente um desrespeito!
 
Suellen Kemp em 15/04/2013 08:44:42
A formação, informação, cultura e tradição em família, mantidas, jamais acontecerá isso. Hojé os jovens se acham sábios, não quer obedecer e a Lei ajuda a estragar. Tem pais que contribuem para o vulgarismo e incentiva a erros fatais. Tudo isso soma para os resultados colhidos atualmente.
 
luiz alves em 15/04/2013 07:54:11
Sabem o porquê disso acontecer em pleno século XXI ...? Por que os pais dessas garotas são uns frouxos !
 
arnobio luiz em 15/04/2013 07:34:47
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