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“Eu já” ou “eu nunca”: dinâmica revela hábitos perigosos de motoristas na BR-163

Campanha realizada em posto de gasolina usou dinâmica do “eu já” ou “nunca” para exemplificar riscos

Por Clara Farias e Sofia Lupaes | 25/09/2026 12:49
“Eu já” ou “eu nunca”: dinâmica revela hábitos perigosos de motoristas na BR-163
Dinâmica de "placas" instalada em posto de combustível (Foto: Sofia Lupaes)

Motoristas que passaram pelo Posto Caravágio, na BR-163, em Campo Grande, nesta sexta-feira (25), foram convidados a olhar para os próprios hábitos ao volante. Em uma dinâmica chamada “Eu Já, Eu Nunca”, cerca de 30 condutores participaram de um teste sobre o uso do celular enquanto dirigem, e a maioria admitiu já ter cometido algum dos comportamentos apresentados.

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Motoristas que passaram pelo Posto Caravágio, na BR-163, em Campo Grande, participaram de uma ação educativa sobre o uso do celular ao volante. A dinâmica "Eu Já, Eu Nunca", promovida pela Motiva Pantanal durante a Semana Nacional do Trânsito, convidou cerca de 30 condutores a refletir sobre hábitos de risco, como digitar mensagens e acessar redes sociais enquanto dirigem.

A atividade foi realizada pela Motiva Pantanal como parte da programação da Semana Nacional do Trânsito. Em uma grande caixa instalada no posto, os motoristas encontravam situações como digitar mensagens, ler conversas, recalcular a rota, olhar redes sociais ou participar de chamadas de vídeo enquanto conduzem.

O participante precisava escolher uma placa indicando “eu já” ou “eu nunca”. Depois, uma porta se abria e mostrava vídeos e informações sobre as consequências daquela atitude no trânsito. O gerente de operações, Fábio Oliveira, 44 anos, explicou que a proposta é fazer com que o motorista perceba que atitudes consideradas rápidas ou inofensivas podem tirar a atenção da estrada.

“Quando o motorista usa o celular ao volante para, por exemplo, digitar uma mensagem, é como se estivesse dirigindo às cegas. A 80 km/h, em uma rodovia, é como se ele estivesse dirigindo às cegas por um campo de futebol”, afirmou.

Segundo Fábio, entre as situações apresentadas, digitar mensagens, recalcular a rota e ler uma notificação estão entre as que mais comprometem a atenção, porque fazem o motorista desviar os olhos da via. “Dar uma olhadinha nas redes sociais enquanto dirige também pode parecer inofensivo, mas representa um risco muito grande”, disse.

A escolha do local, segundo o gerente, levou em consideração o movimento intenso da BR-163 e a diversidade de pessoas que passam pelo posto, entre caminhoneiros e motoristas de carros de passeio. A ação começou na quinta-feira (24) e segue até o fim desta sexta.

Durante a manhã, a reportagem acompanhou a participação de dois motoristas. Uma mulher fez o teste, mas preferiu não se identificar e não concedeu entrevista.

“Eu já” ou “eu nunca”: dinâmica revela hábitos perigosos de motoristas na BR-163
Gerente de operações, Fábio Oliveira, com placa "eu já" e "eu nunca" (Foto: Sofia Lupaes)
“Eu já” ou “eu nunca”: dinâmica revela hábitos perigosos de motoristas na BR-163
Caminhoneiro Roque Daniel de Oliveira Cebin, em entrevista ao Campo Grande News contou que costuma até andar pela rodovia com celular desligado (Foto: Sofia Lupaes)

Já o caminhoneiro Roque Daniel de Oliveira Cebin, 62 anos, participou da dinâmica e contou que não costuma usar o celular enquanto dirige. Com quase quatro décadas de experiência nas estradas, sendo cerca de 30 anos conduzindo carretas, ele lembra que a relação dos motoristas com o telefone mudou completamente ao longo do tempo.

“Naquela época não tinha celular. Hoje tem, e facilita muito”, contou. Antes dos smartphones, Roque disse que os motoristas dependiam de telefones públicos e até precisavam enfrentar filas para conseguir fazer uma ligação. Para ele, a facilidade trazida pelo celular também exige mais disciplina de quem está atrás do volante.

“Eu, muitas vezes, desligo o telefone. Eu até falo: ‘Vou arrumar uma secretária para colocar aqui do lado e ir atendendo vocês’, porque o meu negócio é dirigir”, afirmou. O caminhoneiro diz que a preocupação principal durante uma viagem é manter o controle do veículo e da carga transportada.

Roque também chama atenção para uma situação comum entre caminhoneiros: conduzir veículos que pertencem às empresas. Para ele, independentemente de quem seja o dono da carreta, é a vida do motorista que está diretamente exposta em caso de acidente. “Muitos caras aí dirigem carreta que não é deles, é do patrão. A única coisa que eles têm é a vida deles ali dentro, e eles não dão valor”, afirmou.

A campanha da Semana Nacional do Trânsito deste ano reforça a orientação para que o celular seja deixado de lado durante a condução. A ideia da concessionária é levar o motorista a reconhecer comportamentos que podem parecer rápidos, mas desviam a atenção justamente no momento em que uma reação pode ser necessária.

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