Câmara e Prefeitura discutem cobrança de imposto sobre hospedagens via Airbnb
Capital tem cerca de 1,2 mil anúncios de temporada; proposta ainda será debatida em audiência pública

A Câmara e a Prefeitura de Campo Grande discutem uma proposta para cobrar ISS (Imposto Sobre Serviços) de hospedagens anunciadas em plataformas digitais como o Airbnb. A regulamentação ficaria a cargo do Executivo, mas ainda não há definição sobre quais ofertas seriam atingidas.
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Campo Grande tem cerca de 1,2 mil anúncios ativos de aluguel por temporada, segundo levantamento da AirDNA atualizado em setembro. O número reúne ofertas no Airbnb, Booking.com e Vrbo, sem contar duas vezes o mesmo imóvel anunciado em mais de uma plataforma. Trata-se de uma estimativa do tamanho desse mercado, não da quantidade de imóveis que estariam sujeitos à cobrança proposta.
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Segundo o presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), a intenção é incluir a atividade entre aquelas tributadas como hospedagem. Ele mencionou a possibilidade de aplicar uma alíquota de 5%, mas reiterou que o texto da proposta ainda não foi apresentado.
Papy disse que ainda não sabe como seria feito o controle. “Acho que a ideia é usar o catálogo do próprio site”, afirmou. O vereador acredita que o imposto poderia aparecer discriminado a cada reserva, mas ressaltou que caberia à Prefeitura regulamentar a cobrança.
Na manhã desta sexta-feira (25), o secretário municipal de Governo e Relações Estratégicas, Ulisses Rocha, confirmou que a adequação da legislação tributária foi discutida com o presidente da Câmara. Segundo ele, projetos deverão ser protocolados, mas os critérios da possível cobrança ainda precisam ser explicados pelos auditores fiscais. A proposta é realizar uma audiência com vereadores para apresentar os detalhes.
A lista de serviços sujeitos a ISS em Campo Grande já inclui hospedagem e ocupação por temporada com fornecimento de serviço. Por isso, o anúncio de uma casa ou de um quarto em plataforma digital não esclarece, por si só, se haverá cobrança do imposto municipal. O projeto terá de indicar o que pretende acrescentar à regra atual e como cada atividade será enquadrada.
“Por conta das mudanças na forma de cobrança, precisamos adequar nossa estrutura tributária ao que vai acontecer daqui para a frente. Hoje, isso já é cobrado na maior parte das cidades. Trata-se de uma prestação de serviço. Assim como a Receita Federal cobra Imposto de Renda sobre o aluguel, precisamos adequar nossa legislação. Essa modalidade de aluguel não existia anos atrás; hoje existe e passará a ser contemplada no nosso Código Tributário”, afirmou Ulisses.
O rendimento de aluguel por temporada já está sujeito ao Imposto de Renda. A Receita Federal orienta que valores recebidos por pessoa física, inclusive pelo aluguel de um quarto, sejam informados para apuração do imposto conforme as regras aplicáveis ao rendimento.
Papy relacionou a iniciativa à reforma tributária e afirmou que ampliar a arrecadação de ISS influenciaria os futuros repasses do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) ao município. “Por isso, os municípios estão fazendo um esforço para aumentar a arrecadação de ISS. Segundo essa regra, o município deixará de arrecadar e gerenciar diretamente o imposto; o IBS será arrecadado e depois repassado".
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