Capital prevê 15 anos para ligar serviços por calçadas decentes, sem obstáculos
Integração garante percursos livres de barreiras, com estruturas adequadas, sobretudo, para PCD

Campo Grande poderá levar até 15 anos para formar a Rede Municipal de Rotas Acessíveis, prevista em projeto colocado em consulta pública (detalhes ao final da matéria) pela Prefeitura. As rotas são percursos contínuos e sem obstáculos, com calçadas, rampas e travessias adequadas, pensados para permitir que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida cheguem com segurança e autonomia a serviços públicos e ao transporte coletivo.
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Campo Grande pode levar até 15 anos para concluir sua Rede Municipal de Rotas Acessíveis, projeto em consulta pública que prevê percursos contínuos e sem obstáculos para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. O plano é dividido em três etapas de cinco anos, começando em 2026, com prioridade para terminais de ônibus e equipamentos públicos, mas ainda sem previsão de investimentos detalhados.
A proposta divide a implantação em três etapas, de cinco anos cada, começando por dois projetos especiais, terminais de ônibus e equipamentos públicos de maior demanda e chegando, entre 2036 e 2041, à conexão dessas estruturas entre si. Apesar do horizonte definido, o plano ainda não informa quanto será investido nem detalha todas as ruas e equipamentos que serão atendidos em cada período.
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A primeira etapa, prevista para 2026 a 2031, concentra as prioridades. Nesse período, a proposta prevê implantar as rotas dos dois projetos especiais, sendo um no entorno do CCI (Centro de Convivência do Idoso) Vovó Ziza e no Coophavila II, além de avançar sobre o entorno dos terminais de ônibus e criar caminhos acessíveis entre os equipamentos comunitários de maior demanda e os pontos de embarque e desembarque do transporte coletivo mais próximos.
Entre 2031 e 2036, no médio prazo, a rede deverá ser ampliada para conectar equipamentos comunitários aos pontos de ônibus mais próximos e alcançar também os corredores do transporte coletivo. Já a última etapa, de 2036 a 2041, pretende conectar os próprios equipamentos comunitários entre si e aos corredores de ônibus, formando uma rede mais abrangente.
Na prática, uma rota acessível não significa apenas escolher uma calçada em más condições e reformá-la. O estudo realizado para elaborar o plano cruzou diferentes informações para identificar onde as intervenções seriam mais necessárias. Foram considerados locais de moradia, equipamentos de saúde, educação e assistência social, concentração de empregos, vulnerabilidade social e deslocamentos da população.

Também foram mapeados itinerários de ônibus, pontos de parada e terminais. A lógica da futura rede é, portanto, aproximar moradia, transporte coletivo, serviços públicos e áreas de emprego, formando percursos contínuos em vez de intervenções isoladas. O emprego entra como uma das informações usadas para compreender os deslocamentos e definir prioridades, enquanto as rotas previstas na minuta são estruturadas principalmente em torno da ligação entre equipamentos comunitários e transporte coletivo.
A própria minuta define a Rede Municipal de Rotas Acessíveis como um conjunto "articulado, integrado e hierarquizado" de percursos destinados a permitir deslocamento seguro, contínuo e autônomo, conectando equipamentos comunitários ao transporte público. A implantação deverá ocorrer gradualmente, nos horizontes de curto, médio e longo prazo.
Mais locais - Além dos dois locais que terão as intervenções priorizadas, equipe da prefeitura também visitou a Funcraf (Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais), o CER/APAE (Centro Especializado em Reabilitação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e o CEM (Centro de Especialidades Médicas). As visitas avaliaram o caminho entre os locais de atendimento e os pontos de ônibus mais próximos, observando calçadas, rampas, piso tátil, travessias, obstáculos e condições de embarque e desembarque.
O trecho mais problemático é na Funcraf, na Rua 14 de Julho com a Avenida Mascarenhas de Moraes. Lá, foi analisado um percurso de aproximadamente 1,1 quilômetro, incluindo trechos da 14 de Julho, Mascarenhas de Moraes, Lisboa, Haiti e Oshiro Takemori. O diagnóstico encontrou falta de manutenção das calçadas, interrupções na faixa destinada aos pedestres, ausência de piso tátil, inclinação inadequada, trechos estreitos e obstáculos como postes, árvores e mobiliário urbano.

As travessias também exigiriam intervenções. Foram encontradas rampas inexistentes ou inadequadas, problemas de conexão com as faixas de pedestres e dificuldades para atravessar a rotatória da Avenida Mascarenhas de Moraes com a Rua 14 de Julho. O grupo registrou ainda demora para encontrar uma oportunidade segura de travessia naquele ponto.
A Funcraf acabou não sendo escolhida para o projeto especial justamente pela dimensão dos problemas encontrados. O estudo classifica a situação como a mais crítica entre os equipamentos visitados e considera que a solução exigiria uma intervenção mais complexa e de custo elevado. Apesar dessa avaliação, não apresenta uma estimativa de quanto seria necessário investir.
No CER/APAE, no Jardim Paulista, o cenário era diferente. O percurso analisado tinha cerca de 900 metros e alcançava pontos de ônibus e a ligação com os corredores próximos. Como o equipamento estava em fase final de reforma, as calçadas imediatamente próximas apresentavam condições melhores de acessibilidade.
Ainda assim, a vistoria encontrou problemas que precisariam ser corrigidos. Entre eles estavam veículos estacionados sobre calçadas e rampas, resíduos obstruindo a passagem, necessidade de manutenção de alguns trechos e inadequações na sinalização tátil. As travessias tinham rampas, semáforos e, em alguns pontos, faixas elevadas, mas também havia interferências provocadas por estacionamento irregular.
No CEM, no São Francisco, a equipe percorreu aproximadamente 200 metros da Travessa Guia Lopes, entre as ruas 13 de Maio e 14 de Julho. A proximidade com o Reviva Centro fez com que parte do entorno já apresentasse melhores condições. O trecho da Rua 13 de Maio incluído no programa foi considerado adequado em termos de acessibilidade.

Os problemas se concentraram principalmente na Travessa Guia Lopes. A calçada do lado do CEM era mais larga, mas não tinha sinalização tátil. Do outro lado, havia piso tátil em alguns pontos, porém a passagem era estreita e sofria interferência de estruturas e estabelecimentos comerciais. Também foram registrados falta de manutenção e uso de materiais inadequados no espaço destinado à circulação dos pedestres.
Apesar das falhas, o CEM também não foi escolhido para o projeto especial. Pesaram a localização em uma área já beneficiada pelo Reviva Centro, o percurso relativamente curto até o transporte coletivo e a previsão de reforma do próprio equipamento.
Consulta - A população pode enviar sugestões ao Plano Municipal de Rotas Acessíveis até 23 de outubro, pelo e-mail gabinete@planurb.campogrande.ms.gov.br ou presencialmente na sede da Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano).
A proposta também será discutida em reunião pública no dia 28 de outubro, às 18h, no auditório da agência, na Avenida Calógeras, 356, com entrada pela Rua Dr. Mário Corrêa, no Bairro Glória. O encontro terá transmissão ao vivo pelo canal de Educação Ambiental da Planurb no YouTube.
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