Cardiologista continuará preso enquanto polícia investiga morte da esposa
Médico segue detido por armas e fraude processual; feminicídio ainda é apurado pela Deam

O cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, passou por audiência de custódia na manhã desta quarta-feira (20) e continuará preso pelos crimes de posse irregular de armas de fogo e fraude processual após a morte da esposa, a fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, encontrada com um tiro na cabeça dentro da chácara onde o casal morava, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Enquanto o médico permanecia sob custódia da Justiça, familiares e amigos se despediam de Fabiola em um velório marcado por forte comoção e clima reservado entre parentes próximos. A fisioterapeuta era conhecida em Campo Grande e a morte repercutiu entre profissionais da saúde e nas redes sociais.
- Leia Também
- Com cerimônia íntima, familiares se despedem de fisioterapeuta sem comentar caso
- Polícia nega versão de defesa e investiga feminicídio em morte de fisioterapeuta
Apesar de a Polícia Civil investigar a possibilidade de feminicídio, João Jazbik Neto ainda não foi autuado por esse crime. Neste momento, a prisão está relacionada apenas às armas apreendidas na propriedade e à suposta tentativa de alterar a cena após a morte da fisioterapeuta.
Na terça-feira (19), a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) afirmou que encontrou inconsistências nas versões apresentadas pelo cardiologista e por testemunhas ouvidas no local da ocorrência. O delegado Leandro Santiago também declarou que a perícia preliminar identificou incompatibilidade entre o ferimento na cabeça da vítima e a versão apresentada pelo suspeito.
“Constatou-se também, através de perícia preliminar, que a lesão que a vítima tinha na região da cabeça não condizia com a versão apresentada pelo suspeito”, afirmou.
Segundo a investigação, depois da morte de Fabiola, um armário com armas e munições teria sido retirado da casa principal e levado para outro imóvel dentro da chácara. A polícia afirma que a mudança ocorreu por determinação do médico, com ajuda do caseiro e de um ex-funcionário.
Os três foram autuados em flagrante por fraude processual.
Durante as buscas, policiais apreenderam armas longas, munições e armamentos de uso permitido e restrito. Por isso, João Jazbik Neto também foi autuado por posse irregular de arma de fogo.
Mesmo sem autuação por feminicídio até o momento, a Polícia Civil reforçou que o caso seguirá sendo investigado sob perspectiva de gênero para esclarecer se a morte foi suicídio ou homicídio.
A defesa do cardiologista nega qualquer participação dele na morte da esposa. Na noite de segunda-feira (18), o advogado José Belga Trad afirmou que João colaborou espontaneamente com as investigações e realizou exame residuográfico.
“O que eu peço para todos é que a gente dê o benefício da dúvida, que deve ser garantido a toda pessoa investigada ou acusada”, disse o defensor.
Ainda segundo a defesa, o médico possui registro ativo como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) e responderia apenas pelos crimes relacionados às armas e à fraude processual.
Conforme o boletim de ocorrência, o cardiologista relatou que a esposa realizou normalmente a rotina da manhã antes de subir ao quarto do casal, localizado no andar superior da residência. Segundo ele, após estranhar a demora, tentou contato com Fabiola e depois a encontrou caída no chão.
O caso segue sendo investigado pela Deam.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.




