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04/07/2014 13:12

Causa da violência contra mulheres é motivo fútil, afirma promotora

Renan Nucci
Promotor aAna Lara Camargo de Castro atua em uma Vara especializada na defesa de mulheres vítimas de violência. (Foto: Marcos Ermínio)Promotor aAna Lara Camargo de Castro atua em uma Vara especializada na defesa de mulheres vítimas de violência. (Foto: Marcos Ermínio)

Questões culturais como machismo, patriarcalismo e outros tipos de subjugação do gênero feminino ainda são os fatores mais determinantes nos casos de violência doméstica, afirma Ana Lara Camargo de Castro, da Promotoria de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. Geralmente, a causa da violência doméstica é um motivo fútil.

Há 17 anos atuando no Ministério Público, e desde 2006 trabalhando exclusivamente com casos que envolvem a Lei Maria da Penha, Castro promove uma reflexão sobre as agressões sofridas pelas mulheres e afirma que somente uma reeducação social seria capaz transformar este cenário sociocultural, que ainda apresenta os homens como seres humanos de qualidade superior e detentores de direito e liberdades não concedidos às mulheres.

A violência doméstica geralmente possui motivação fútil. Alcoolismo, drogadição e questões financeiras são fatores exacerbadores, mas é o machismo revelado no sentimento cotidiano de posse que determina a maioria absoluta de casis do tipo.“Ela estava de saía curta, chegou em casa fora do horário combinado ou não havia feito a comida na hora certa. Estas são principais afirmações dos agressores que vêem as mulheres como objetos de sua propriedade, e ainda tentam culpá-las pelo ocorrido. Tudo isso é fruto do mais puro machismo”, afirma a promotora.

Segundo ela, o Estado deve efetivar esforços para a priorização de políticas públicas de combate à discriminação de gênero, bem como investir recursos para melhoria no aparato protetivo e repressor, mas não adianta a comunidade cobrar as autoridades pedindo exclusivamente a punição aos agressores. O enfretamento à violência é questão de adesão coletiva.

“Muitos profissionais que atuam no poder público também refletem nas suas atuações o pensamento machista arraigado no meio social. E, infelizmente, ainda hoje a realidade em que vivemos repercute essas ideias retrógradas de que, por exemplo, a obrigação da mulher é cuidar do lar e dos filhos, quando, na verdade, o casal deveria fazer isto em conjunto. Há enorme precoceito com as mulheres independentes, donas de próprio corpo e do próprio destino. Isso tem que acabar”, explicou.

Reeducação - Somente uma profunda reeducação poderia mudar este comportamento, inclusive, com a inclusão da temática de gênero nas grades escolares e no treinamento de diversas carreiras públicas, reforça Castro, afirmando que a inferiorizarão da mulher está presente nas mais variadas instâncias, tanto que, na prática, o próprio Estado Brasileiro não leva a questão da violência doméstica tão a sério como deveria, deixando de investir recursos absolutamente necessários, mesmo existindo leis específicas que determinem isso.

“Basta olhar a estrutura dos órgãos competentes de combate à violência contra a mulher, que a gente consegue ver a prioridade dada ao tema. As vítimas também sofrem com a falta de capacitação de alguns servidores da rota crítica institucional. Muitas, quando vão fazer uma denúncia, são tratadas como se fossem culpadas e são revitimizadas nesse percurso. Algumas perguntas mal elaboradas as colocam em situação inversa, e por este motivo muitas delas desanimam ou resistem em procurar apoio, pois, não se sentem acolhidas”, reclamou.



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