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Campo Grande, Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

04/04/2018 09:12

Clientes pedem na Justiça indenização milionária pelo “pesadelo Homex”

“No papel, tudo era bonito”, diz morador que levou cinco anos para entrar em apartamento e, agora, sofre com infiltrações

Aline dos Santos
No fim de 2011, primeiros apartamentos foram entregues com festa. Depois, com falência, o sonho acabou. (Foto: João Garrigó/Arquivo)No fim de 2011, primeiros apartamentos foram entregues com festa. Depois, com falência, o sonho acabou. (Foto: João Garrigó/Arquivo)

Ações na Justiça Federal cobram indenização milionária para quem apostou nos projetos habitacionais da Homex, que vendeu sonho, mas entregou pesadelo. Segundo o advogado Thiago Possiede Araújo, já são 13 ações judiciais.

O valor médio é R$ 100 mil, perfazendo, ao menos, montante de R$ 1,3 milhão. Os processos são contra a massa falida da empresa - que tem origem mexicana e chegou a Campo Grande com promessa de construir 3 mil casas-, e a Caixa Econômica.

“A Caixa, enquanto financiadora, tinha o dever de fiscalizar e não deveria repassar dinheiro sem fiscalização. Eles foram praticamente enganados, deixados à própria sorte. A pessoa foi lá, comprou um sonho, mas recebeu um pesadelo”, afirma o advogado.

Os pedidos de indenização incluem dano moral, negativação indevida do nome do consumidor, abandono do projeto de urbanização que a Homex comercializou e o custo com aluguel. “Não é só o apartamento está pronto, a Homex vendeu um bairro, com escola, infraestrutura, mas virou favela. Amargaram graves prejuízos e casas com problema estrutural”, diz Thiago Araújo.

Segundo o advogado, as ações começaram a tramitar na Justiça Federal no ano passado e ainda não houve decisão.

De acordo com ele, nas audiências de conciliação, a Caixa não oferece proposta de acordo e a Homex, administrada pela Capital Administradora Judicial, não manda representante, se restringindo a peticionar no processo. Em breve, mais 12 ações serão apresentadas à Justiça.

A reportagem entrou em contato com a Caixa e com a Capital Administradora, mas não recebeu resposta até a publicação da matéria.

 

Terreno para condomínios é crescente favela no Jardim Centro-Oeste. (Foto: Saul Schramm)Terreno para condomínios é crescente favela no Jardim Centro-Oeste. (Foto: Saul Schramm)

Casa própria – O barbeiro Waldenilson Batista Rocha, 32 anos, faz parte do grupo que busca ressarcimento na Justiça. A saga da compra do primeiro imóvel começou em 2012. “A promessa de entrega era de seis meses. Mas depois enrolou tudo, a empresa faliu, só mudei em 2017”, conta.

Contudo, a mudança não foi o fim do problema. “Está cheio de infiltração. A empresa vem, mexe nisso, naquilo e não acha o defeito”, afirma. Ela relata que a entrada no imóvel só aconteceu depois que a Caixa autorizou que um chaveiro abrisse as portas. “No papel, tudo era bonito”.

Favela – Remanescente do projeto da Homex, que previa investimento de R$ 200 milhões, um grande terreno no jardim Centro-Oeste foi invadido no ano passado. Esqueleto dos prédios foram ocupados e barracos formam uma crescente favela.

A empresa, agora uma massa falida, chegou a obter autorização judicial para reintegração de posse, mas o processo foi paralisado.

No último dia 13 de março, o juiz da 2ª Vara Cível, Paulo Afonso de Oliveira, mandou ofício para que a prefeitura de Campo Grande respondesse se teria condições de adquirir a área, “possibilitando que o conflito seja resolvido de forma pacífica”. As áreas estavam em edital para leilão, com 30 lotes avaliados em R$ 33,1 milhões.

Esqueleto de imóveis foram invadidos. (Foto: Saul Schramm)Esqueleto de imóveis foram invadidos. (Foto: Saul Schramm)


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