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Campo Grande, Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

02/10/2019 11:35

Cobertura de empresário passou por "limpa" após descoberta de arsenal

Imagens do circuito interno do elevador mostram retirada de caixas, saco e mala

Aline dos Santos e Fernanda Palheta
Imagem mostra que 19 de maio foi de grande movimento em elevador com idas e vindas de cobertura. (Foto: Reprodução)Imagem mostra que 19 de maio foi de grande movimento em elevador com idas e vindas de cobertura. (Foto: Reprodução)

Dia do flagrante do arsenal de guerra e da prisão do então guarda municipal Marcelo Rios, 19 de maio, um domingo, também foi de bastante movimento na cobertura do empresário Jamil Name Filho, em Campo Grande.

Conforme investigação da operação Omertà, que prendeu Name Filho em 27 de setembro e o alçou à condição de líder de organização criminosa atuante em grupo de extermínio e milícia, tratou-se de uma ação de limpeza para apagar vestígios e remover provas.

“Ante a sua estreita relação com Marcelo Rios, Jamil Name Filho, ao tomar conhecimento da prisão em flagrante dele, ainda no dia 19 de maio de 2019, passou a apagar vestígios e remover provas do seu apartamento, além de armas e dinheiro, atividades no qual foi auxiliado por Rafael Antunes Vieira, Alcinei Arantes da Silva, Andrison Correia e Eltom Pedro de Almeida”, informa o documento que embasa a ordem judicial autorizando a operação.

O Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestros) aponta que recebeu denúncia sobre a movimentação e, depois, a força-tarefa da Omertà obteve as imagens do circuito interno do edifício. Por volta das 13h, o então guarda municipal Rafael Antunes Vieira entra no elevador social e segue para a cobertura.

Uma hora depois, Antunes, Alcinei (também guarda municipal) e Jamil deixam a cobertura, levando mochila, seguem para a garagem e entram numa caminhonete Toyota Hilux preta. Vinte minutos depois, Alcinei e Antunes vão, novamente, para a cobertura. No retorno, carregam um saco plástico preto.

No dia seguinte, 20 de maio, o militar reformado Andrisson Correia e Eltom Pedro de Almeida entraram no elevador e vão para a cobertura. Minutos depois, Eltom sai com algumas pastas. Numa outra gravação, do mesmo dia, Eltom retorna conduzindo uma caminhonete Toyota Hilux branca. Ele sai do veículo com um carrinho para transporte de objetos pesados e sobe para o apartamento.

Na sequência, ambos retornam para a garagem, levando uma grande caixa de papelão. O material é deixado na caminhonete e eles retornam para a cobertura. Depois, deixam o local com três caixas grandes e uma mala. Ainda voltam ao imóvel para um último carregamento. A caminhonete sai da garagem totalmente carregada.

Conforme relatório do Garras, constatou–se claramente que os membros da organização criminosa fizeram praticamente uma mudança. Ainda segundo a investigação, a ordem partiu de Jamil Name Filho com o intuito de “impedir que as forças policiais, caso tivessem acesso ao local, encontrassem provas de sua vinculação aos homicídios investigados e a própria liderança da organização criminosa”. Todos os citados estão presos.

 

Operação Omertà foi a condomínio de luxo, no Jardim São Bento, para prisão de empresários. (Foto: Divulgação/MPMS)Operação Omertà foi a condomínio de luxo, no Jardim São Bento, para prisão de empresários. (Foto: Divulgação/MPMS)

Arsenal – Monitorado por interceptação telefônica desde 13 de maio, Marcelo Rios era pressionado para a entrega de armas. Ele foi preso no dia 19 de maio, na rua Rodolfo José Pinho, no Jardim São Bento, próximo à residencial onde o empresário Jamil Name e o filho foram presos em 27 de setembro.

Na sequência, foi apreendido arsenal de guerra na rua José Luís Pereira, no Jardim Monte Líbano. Documento anexado ao procedimento mostra que o imóvel foi comprado em 2017 por Jamil Name.

As armas apreendidas logo chamaram atenção por incluir fuzil, modelo similar ao usado em três execuções na Capital. A operação foi realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), força-tarefa da Polícia Civil que investiga execuções, Garras, Batalhão de Choque e Bope. Omertà é um código de honra da máfia italiana, que faz voto de silêncio.

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