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Boa Imagem

Médico também é avaliado pelo relógio

O respeito pelo paciente começa pelo horário; agenda cheia não justifica atraso médico

Por Larissa Almeida (*) | 21/02/2026 10:02




Existe uma cena comum nos consultórios médicos: pacientes sentados, olhando o relógio, tentando disfarçar a impaciência. Alguns já estão ali há uma hora. Outros, há duas. E ninguém sabe ao certo quanto tempo ainda vai esperar. Atrasos acontecem. Emergências existem. Intercorrências fazem parte da rotina médica. Isso é compreensível. O que não é compreensível é transformar o atraso em regra.

Esta semana fui ao médico, agendei a consulta no dia do meu aniversário porque era a única opção disponível, e quando cheguei a atendente da clínica me falou: “vai demorar um pouquinho, porque o doutor ainda não chegou e tem três pessoas na sua frente aguardando”. Eu fiquei indignada, porque eu tinha compromisso, tinha organizado uma comemoração com a família. E falei isso claramente: “quem ele pensa que é para achar que o tempo dele é mais importante que o meu?”

Existe uma cultura implícita e ultrapassada de que o tempo do médico vale mais do que o tempo do paciente. Como se quem está aguardando não tivesse uma agenda, compromissos, filhos para buscar, reuniões marcadas, prazos a cumprir. E cada minuto ali é um recado. E isso vale para todos os profissionais, mas com o médico isso foi normalizado por muito tempo.

Quando o profissional chega depois do primeiro paciente agendado, quando marca várias pessoas para o mesmo horário ou quando deixa a agenda “travada” ao longo do dia, não está apenas desorganizado, está comunicando algo sobre sua gestão, seu respeito e sua prioridade.

Imagem profissional não se constrói apenas com diploma na parede ou currículo impecável. Ela se constrói no comportamento. Pontualidade é respeito. Organização é cuidado. Previsibilidade é segurança.

Quando um paciente espera por duas horas sem qualquer atualização, o que ele sente não é apenas incômodo. Ele sente desvalorização. E essa sensação contamina toda a experiência, inclusive a percepção sobre a qualidade do atendimento. Em um mercado cada vez mais competitivo, no qual reputações são construídas e destruídas nas redes sociais, ignorar isso é um erro estratégico.

O tempo do médico é valioso. Mas o tempo do paciente também é. Profissionais que entendem isso se destacam. Ajustam agendas, reduzem encaixes desnecessários, comunicam atrasos com transparência, treinam equipes para manter o paciente informado. Pequenas atitudes que fazem enorme diferença. Porque, no final, não é apenas sobre horário. É sobre respeito.

Eu, particularmente, quando espero demais sem justificativa, dificilmente retorno. E sei que muitas pessoas pensam da mesma forma. Talvez esteja na hora de repensarmos essa normalização do atraso como privilégio de status.

Nenhuma profissão autoriza descuido com o tempo do outro. E nenhuma imagem profissional é forte o suficiente para sustentar repetidas demonstrações de desorganização.


(*) Larissa Almeida é formada em Comunicação Social pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pós-graduada em Influência Digital pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Durante 14 anos, trabalhou na área de comunicação e imagem em instituições como a Caixa Econômica Federal, a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e o Senado Federal, além de ter coordenado a comunicação da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul). É consultora de imagem formada pela RML Academy (Royal Makeup Lab Academy) e pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, além de especialista em dress code e comportamento profissional por Cláudia Matarazzo e pela RMJ TRE (RMJ Treinamento e Desenvolvimento Empresarial). Siga no Instagram @vistavoce_.