Colegas acompanham audiência, mas juiz mantém advogado de delegado preso
Amilton Ferreira de Almeida é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Infiltrados para o cliente
A audiência de custódia do advogado Amilton Ferreira de Almeida reuniu aproximadamente 40 colegas em ato de protesto no Fórum de Campo Grande, mas o juiz responsável negou a análise dos pedidos de liberdade. O profissional é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Infiltrados para o delegado Hoffman D'Ávilla Cândido e Sousa, que saiu de casa na madrugada do dia 24, antes do cumprimento de mandado de prisão.
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O juiz da audiência de custódia negou analisar os pedidos de liberdade do advogado Amilton Ferreira de Almeida, preso temporariamente por 30 dias na Operação Obstructio, do Gaeco. Cerca de 40 advogados protestaram no Fórum de Campo Grande. Ele é suspeito de vazar dados da Operação Infiltrados ao delegado Hoffman D'Ávila, seu cliente. A defesa nega provas e vai impetrar habeas corpus no Tribunal de Justiça.
Ao Campo Grande News, a advogada Damares Machado relatou que a presença dos colegas e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) foi tratada pelos participantes como uma mobilização em defesa das prerrogativas da advocacia criminal, motivada pela avaliação da categoria de que a prisão é ilegal.
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“Foi um ato em protesto contra a ilegalidade que o colega sofreu. Hoje foi o doutor Amilton, amanhã pode ser qualquer um de nós, enquanto na atuação de advogado criminalista”, explicou Damares.
Durante a sessão, tanto a defesa quanto a OAB formalizaram pedidos para o relaxamento da prisão ou concessão de liberdade provisória. “Nós entendemos que ele não cometeu crime algum, que a prisão dele foi ilegal. O juiz da custódia, alegou que não é o momento e que a custódia seria somente para verificar a situação da prisão e não para apreciar os pedidos de liberdade”, declarou a advogada.
Parte dos advogados conseguiram acompanhar a sessão de dentro do plenário e outros aguardam do lado de fora. Amilton segue preso e a defesa afirma não existirem provas concretas de que ele tenha vazado a informação. Ele está no Presídio Militar Estadual.
Diante do indeferimento na primeira instância, a equipe jurídica do advogado confirmou que impetrará um habeas corpus no Tribunal de Justiça ainda nesta quarta-feira (30) para buscar a revogação da prisão temporária.
Preso - Amilton foi preso temporariamente por 30 dias na terça-feira (29) durante a Operação Obstructio, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). A investigação apura o suposto vazamento de informações sigilosas da Operação Infiltrados, que apura o envolvimento de policiais em desvio de drogas. Amilton representava o delegado Hoffman D'Ávila.
O advogado foi preso em casa, na Vila Albuquerque, onde os policiais cumpriram dois mandados de busca. Depois, Amilton foi levado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada).
Segundo o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), há “evidências já materializadas” de que ocorreu o que o órgão classifica como “comunicação criminosa” da ação policial. Conforme o órgão, o suposto vazamento teria atrapalhado diretamente a investigação do Gaeco sobre a atuação da organização criminosa investigada. A OAB acompanhou o cumprimento das medidas por Amilton ser advogado.
Segundo Damares, na manhã da operação, Amilton havia combinado de tomar café com Hoffman por volta das 5h. O horário, conforme a defesa, era habitual porque eles costumavam sair cedo para caminhar. Depois do encontro, Hoffman não retornou para casa, não foi localizado pelos policiais e se apresentou voluntariamente à noite.
Damares sustenta que Amilton não tinha conhecimento prévio da operação. “Imaginar o que pode acontecer no processo criminal do cliente faz parte da função do advogado criminalista, mas não há nenhuma prova de vazamento de informação”, afirmou.
Segundo a defesa, Amilton também disponibilizou o celular para análise. Hoffman passou a ser representado pelo advogado José Roberto Rosa.
Operação Infiltrados - A ação deflagrada pelo Gaeco na quinta-feira (24) investiga esquema de desvio de drogas apreendidas por policiais em Mato Grosso do Sul. Segundo a investigação, parte dos entorpecentes era omitida dos registros oficiais ou retirada de depósitos de delegacias e depois repassada a traficantes para voltar ao mercado ilegal.
A primeira fase teve 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Entre os investigados estão policiais civis, militares e um policial penal. O delegado Hoffman D’Ávila é apontado pelo Gaeco como líder de um dos núcleos investigados.



