Por que muitos idosos temem o dentista e como o coaching ajuda a superar
O sr. Pedro, 72 anos, não pisa em um consultório odontológico há mais de 15 anos. Não é por falta de dentes para cuidar — é por medo. "Doutor, eu tremo só de pensar no motorzinho. Minha mãe perdeu todos os dentes na cadeira do dentista quando eu era criança, e aquilo ficou gravado em mim." Essa frase resume algo que a neurociência explica com precisão: o medo do dentista não é frescura, é uma resposta biológica gravada no cérebro.
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Estima-se que cerca de 15% a 20% da população sofra de ansiedade odontológica em algum grau, e esse número é ainda maior entre os idosos. Muitos carregam traumas de uma época em que a odontologia era sinônimo de dor, extrações sem anestesia adequada e cadeiras desconfortáveis. O problema é que esse medo, quando não enfrentado, custa caro: adia tratamentos, agrava doenças e compromete a qualidade de vida.
O que acontece no cérebro do paciente com medo?
Quando o idoso se aproxima do consultório, o cérebro ativa a amígdala — a região responsável pelo processamento do medo. Ela dispara uma resposta de "luta ou fuga", liberando cortisol e adrenalina. O coração acelera, a respiração fica curta, os músculos tensionam. Para o paciente, essa reação é tão real quanto a dor física, mesmo que o procedimento seja indolor.
O que muitos não sabem é que essa resposta pode ser ressignificada. A neurociência mostra que o cérebro é plástico — ele pode aprender novas associações. E é exatamente aí que entra o coaching, uma ferramenta que utilizo para ajudar pacientes a reescreverem essa história.
Como o coaching transforma o medo em confiança
O coaching aplicado à odontologia não é sobre "convencer" o paciente a aceitar o tratamento. É sobre acolher o medo, entender sua origem e construir, passo a passo, uma nova experiência. O processo envolve:
- Reconhecer e validar o medo: O paciente precisa se sentir ouvido. Dizer "eu entendo que você tem medo, e isso é normal" já reduz a ansiedade.
- Reconstruir a memória: Ao vivenciar experiências positivas e controladas no consultório, o cérebro cria novas associações que gradualmente substituem o trauma antigo.
- Empoderar o paciente: Dar controle ao paciente — como sinais de pausa combinados, explicações claras de cada etapa — devolve a sensação de segurança que ele perdeu.
3 Orientações Práticas
- Converse sobre o medo antes do tratamento: Se você ou um familiar teme o dentista, fale abertamente com o profissional. Um bom odontogeriatra sabe acolher e adaptar o atendimento.
- Comece com uma consulta sem procedimentos: A primeira visita pode ser apenas para conversar, conhecer o ambiente e criar vínculo. Sem pressa, sem motorzinho.
- Use técnicas de respiração e relaxamento: Antes e durante a consulta, respirações profundas e lentas ativam o sistema nervoso parassimpático, reduzindo a resposta de medo.
O medo do dentista não é uma sentença. Com acolhimento, neurociência e coaching, é possível transformar a cadeira odontológica de um lugar de trauma em um lugar de cuidado e confiança. Porque sorriso cuidado é vida que dura.
(*) Dr. Marco Polo Siebra Odontólogo (CRO/MS 2172), Especialista em Prótese Dentária, Odontogeriatria, Implantodontia e Neurociência.
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