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Capital

Bombeiro preso por estupro de atendente alega "relação consensual" e extorsão

Felipe Batista Valeriana Domingues passou por audiência de custódia e teve a liberdade provisória negada

Por Ana Paula Chuva | 30/09/2026 11:03
Bombeiro preso por estupro de atendente alega "relação consensual" e extorsão
Felipe chegou a resistir a prisão, mas foi levado para a Deam (Foto: Reprodução)

A defesa do bombeiro militar Felipe Batista Valeriana Domingues, de 37 anos, alega que a relação com a atendente de farmácia, de 35 anos, foi consensual e sustenta que o servidor foi vítima de extorsão. O servidor foi alvo de mandado de prisão preventiva no último domingo (27) e passou por audiência de custódia na manhã desta quarta-feira (30).

RESUMO

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A defesa do bombeiro militar Felipe Batista Valeriana Domingues, de 37 anos, alegou que a relação com a atendente de farmácia de 35 anos foi consensual e que ele é vítima de extorsão. Preso preventivamente no domingo (27), ele teve a prisão mantida pela juíza Tatiana Dias de Oliveira Said na audiência de custódia desta quarta-feira (30). Ele é acusado de estupro, e a magistrada determinou local adequado para a custódia do militar. O Corpo de Bombeiros apura o caso.

No pedido de liberdade provisória sem fiança, o advogado Gustavo Ferreira Santos, que atua na defesa do militar, afirmou que terceiros enviaram mensagens cobrando dinheiro para não denunciar o caso à Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

“Em verdade o custodiado é a verdadeira vítima desta trama, pois ao se envolver amorosamente acabou se tornando vítima de ameaças sendo acusado de atos ilícitos que jamais ocorreram.”, descreve o advogado.

O defensor anexou ao pedido cópia de mensagens trocadas via aplicativo com um contato identificado como “Gold PH Brito”. “Após terem frustradas suas pretensões de descobrir o número do celular da companheira do custodiado, a "suposta vítima" e seu "possível" cúmplice - Gold PH Brito - resolveram deturpar a verdade se beneficiando da legislação específica para causar danos ao mesmo com registro de B.O na DEAM”, pontua.

A defesa sustentou ainda que Felipe tem residência fixa, não possui antecedentes criminais e cumpre funções como servidor público estadual desde 2016.

Apesar dos argumentos, a juíza Tatiana Dias de Oliveira Said manteve o custodiado preso durante a audiência de custódia realizada no Fórum de Campo Grande. A magistrada ressaltou que a detenção atende a um mandado de prisão preventiva válido, expedido pela 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.

Segundo a decisão, a audiência de custódia avalia apenas a legalidade da prisão e a garantia dos direitos do autuado, cabendo ao juízo de origem a análise sobre a manutenção ou revogação da medida cautelar. Por ser militar, a magistrada determinou que a Agepen (Agência Estadual de Administração Penitenciária) garanta local adequado para o cumprimento da prisão, preservando a integridade física do investigado.

Caso -  Conforme o registro da ocorrência, a vítima trabalhava em uma farmácia no Bairro Aero Rancho. No último dia 15, o bombeiro foi ao estabelecimento e se apresentou como "Felipe Lorde". Os dois trocaram olhares e, ao deixar a farmácia, Felipe deixou um bilhete com o telefone dele para outra funcionária entregar à vítima.

A mulher entrou em contato com o homem pelo telefone, e Felipe disse que queria conhecê-la. Os dois passaram a trocar mensagens, e o homem insistia em encontrá-la pessoalmente. Eles marcaram um encontro para o sábado daquela semana, e a mulher pesquisou o perfil dele nas redes sociais.

Ainda conforme o relato dela aos policiais, a vítima percebeu que Felipe era casado, o questionou, mas ele teria negado a situação. Ela contou ainda que, em uma das conversas, ele disse que era segurança privada e fazia "bico" em uma casa noturna próxima à farmácia. Para confirmar o estado civil do homem, ela foi até a casa noturna e foi informada por outros funcionários de que ele era realmente casado.

Com a informação, ela avisou que não iria encontrá-lo. O bombeiro, então, bloqueou a mulher nas redes sociais e parou de enviar mensagens. Quando chegou o sábado, Felipe desbloqueou a vítima, passou a mandar diversas mensagens e disse que a buscaria no trabalho às 22h.

Quando a vítima saiu do trabalho, Felipe estava esperando. Ele a chamou até o carro, com a mão na cintura, dando a impressão de que estaria armado. A vítima foi até o veículo e, temendo que algo pudesse acontecer, enviou uma mensagem a um amigo. Segundo ela, Felipe seguiu em direção ao Bairro Centenário e parou o veículo em uma rua escura.

Ele teria abaixado o banco, retirado a arma e colocado o objeto embaixo do banco onde a vítima estava. Neste momento, o homem teria segurado a vítima, forçado um beijo e a teria obrigado a ter relação sexual com ele. Ainda durante o ato, o amigo da vítima teria ligado diversas vezes, e o bombeiro teria pegado o celular dela e guardado.

Depois do ocorrido, ele devolveu o aparelho celular. A vítima pediu para descer do carro e foi até a casa do amigo. Em seguida, formalizou a denúncia e fez exame de corpo de delito.

Prisão - Na manhã deste domingo (27), uma equipe da Deam foi cumprir o mandado de prisão preventiva na casa do militar. Conforme o registro, ao anunciar a presença, Felipe se recusou a sair da residência, afirmou que não se entregaria e disse achar errado o que estavam fazendo "com um inocente".

Os policiais ainda tentaram convencê-lo de que estavam ali para cumprir um mandado e pediram que ele saísse de forma pacífica, para evitar constrangimentos. No entanto, o homem permaneceu irredutível, sendo necessário chamar um oficial do Corpo de Bombeiros para participar das "negociações".

Após um longo período de conversa, Felipe concordou em sair da casa e foi levado à Deam na própria viatura dos bombeiros. A arma, uma Taurus 9 mm, também foi apreendida.

Ainda conforme apurado pela reportagem, Felipe tem outros três registros na DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) relacionados a assédio sexual. Os registros foram feitos nos meses de janeiro e junho de 2022.

Em nota, o Corpo de Bombeiros afirmou estar ciente do caso e disse que a situação está sendo apurada. "No momento o militar está preso preventivamente. O CBMMS ressalta que não compactua com qualquer forma de violência e que eventuais condutas incompatíveis com os valores e deveres da instituição sempre são devidamente apuradas", diz o texto enviado à reportagem.

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