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Capital

Com capital de R$ 10 mil, compradora do Consórcio nasceu 2 dias antes do negócio

Maas Administração foi aberta em 16 de julho e assinou o contrato de compra do Consórcio Guaicurus no dia 18

Por Jhefferson Gamarra | 22/07/2026 16:08
Com capital de R$ 10 mil, compradora do Consórcio nasceu 2 dias antes do negócio
Ônibus que fazem parte da frota do Consórcio Guaicurus estacionados na sede da empresa (Foto: Juliano Almeida)

A verdadeira empresa responsável pela negociação para compra do Consórcio Guaicurus foi criada apenas dois dias antes da assinatura do contrato e possui capital social de R$ 10 mil. A Maas Administração e Participações Ltda., uma SPE (Sociedade de Propósito Específico), foi constituída em 16 de julho de 2026 e, em 18 de julho, celebrou o contrato de compra e venda das quatro empresas que operam o Sistema Integrado de Transporte de Campo Grande.

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Empresa criada dois dias antes da assinatura do contrato e com capital social de R$ 10 mil é a responsável pela compra do Consórcio Guaicurus, em Campo Grande. A Maas Administração e Participações Ltda., do Grupo HP, foi constituída em 16 de julho e assinou o contrato em 18 de julho. A operação ainda depende de aprovação do município, que exigirá cronograma de investimentos antes de autorizar a transferência do controle das empresas.

A informação consta na própria nota divulgada pelo Consórcio Guaicurus na última terça-feira (21). Diferentemente da informação inicialmente divulgada nos bastidores de que a negociação havia sido fechada diretamente com a HP Mobilidade, o contrato foi assinado pela Maas Administração e Participações Ltda., empresa integrante do Grupo HP e criada especificamente para a operação.

Segundo a nota, foi celebrado "contrato de compra e venda de quotas e outras avenças" para aquisição das empresas Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Viação Campo Grande e Viação São Francisco.

O negócio, no entanto, ainda não foi concluído. Conforme o comunicado, a operação já foi informada ao Poder Concedente, mas depende da aprovação das autoridades competentes para que a transferência do controle das empresas seja efetivada.

De acordo com dados da Receita Federal, a Maas Administração e Participações Ltda. foi registrada em 16 de julho de 2026, possui capital social de R$ 10 mil e está sediada na Avenida Afonso Pena, nº 4.785, sala 701, no bairro Santa Fé, em Campo Grande.

Com capital de R$ 10 mil, compradora do Consórcio nasceu 2 dias antes do negócio

O quadro societário é formado pelos administradores Edmundo de Carvalho Pinheiro e Gustavo Bacellar de Faria, além da própria HP Investimentos e Participações S.A., que figura como sócia da empresa. A atividade econômica principal registrada é a de holding de instituições não financeiras.

A composição societária indica que a HP Investimentos e Participações S.A., empresa do Grupo HP, participa da estrutura criada para a aquisição do Consórcio Guaicurus. Apesar disso, chama atenção o fato de a sociedade responsável pelo negócio ter sido constituída poucos dias antes da assinatura do contrato e possuir capital social de apenas R$ 10 mil.

A reportagem esteve no endereço informado como sede da Maas Administração e Participações Ltda., na Avenida Afonso Pena.

O imóvel funciona como um prédio de escritórios corporativos. Na recepção, funcionários informaram que a sala 701, indicada no cadastro da empresa, está desocupada e que, até o momento, não há escritório funcionando no local com o nome da Maas Administração e Participações Ltda.

Venda depende de aprovação - A negociação foi anunciada pela prefeita Adriane Lopes (PP) na terça-feira (21), logo após o município ser comunicado sobre a operação.

Apesar da assinatura do contrato, a nova controladora ainda não pode assumir a operação do transporte coletivo. Isso porque a transferência depende da anuência do Município, que informou que irá analisar a proposta da empresa e cobrar um cronograma de investimentos e melhorias antes de decidir se autoriza ou não a mudança de controle.

Desde 16 de junho, o sistema de transporte coletivo está sob intervenção da Prefeitura de Campo Grande, medida que pode durar até 180 dias.