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Capital

Com frota velha, consórcio quer trocar só 100 ônibus, apesar de 235 na lista

O volume de ônibus oferecido pelo consórcio é menor do que a necessidade real apontada pela Agereg

Por Lucia Morel e Ketlen Gomes | 02/06/2026 18:03
Com frota velha, consórcio quer trocar só 100 ônibus, apesar de 235 na lista

O Consórcio Guaicurus apresentou uma proposta para substituir 100 ônibus da frota do transporte coletivo de Campo Grande. A sugestão foi entregue à comissão municipal criada para avaliar a possibilidade de intervenção na empresa e ocorre após as fiscalizações e o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal.

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O Consórcio Guaicurus propôs substituir 100 ônibus da frota de Campo Grande, mas a Agereg aponta necessidade de 235 veículos para atingir a idade média ideal de cinco anos. Atualmente, a frota tem média de 9,6 anos, com 197 ônibus com prazo vencido. A decisão final sobre intervenção ou renovação cabe à prefeita, após relatório da comissão municipal, previsto para a próxima semana.

O grupo de trabalho analisa a proposta da empresa, mas a decisão final sobre a troca dos veículos ou a aplicação da intervenção cabe exclusivamente à prefeita. O relatório com a conclusão dos trabalhos da comissão será enviado ao gabinete do Executivo na próxima semana.

O volume de ônibus oferecido pelo consórcio é menor do que a necessidade real apontada pela Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos). Segundo o diretor-presidente da agência, Paulo da Silva, o município precisa da troca de 235 veículos para atingir a idade média ideal e reduzir os problemas enfrentados pelos passageiros.

O levantamento da Agereg aponta que Campo Grande tem atualmente 197 ônibus com o prazo de uso vencido e 13 veículos articulados que ultrapassaram o limite de dez anos de rodagem. Outros 15 ônibus estão fora de circulação por estarem interditados.

Atualmente, a idade média da frota na Capital é de 9,6 anos, enquanto o contrato estipula que a média deveria ser de cinco anos. Caso não haja renovação, o índice passará dos dez anos no próximo ano. Todos os dados do processo são públicos e acompanhados por 14 entidades, incluindo o Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas do Estado.

O diretor-presidente da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Ciro Ferreira, explicou que a avaliação sobre a intervenção atende a uma ordem judicial decorrente de ação civil pública de dezembro do ano passado, e não de um pedido inicial da prefeitura. Antes de fechar o relatório, o município realizou uma audiência pública para ouvir a população, cumprindo a determinação da Justiça.

Caso a prefeita decida pela intervenção no consórcio, a gestão do serviço passará para quatro pessoas nomeadas pelo município: um interventor-chefe, um administrativo-financeiro, um jurídico e um operacional. O grupo terá a função de assumir o comando interno da empresa para avaliar as condições reais de operação.

Pelo lado das empresas, o diretor operacional do Consórcio Guaicurus, Paulo Vitor Oliveira, confirmou a necessidade de renovação da frota e de novos modelos de veículos, alegando que o planejamento já constava na licitação original. No entanto, o representante justificou que o fluxo de caixa atual da empresa não permite os investimentos devido à falta de uma remuneração considerada adequada para o serviço.

Além da proposta das empresas e das vistorias recentes, a comissão usou dados das agências reguladoras e o relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte Coletivo, elaborado pelos vereadores no ano passado, para formular o documento que a comissão entregará à prefeita.

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