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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

06/01/2011 15:08

Com médicos em férias, buscar atendimento vira teste de paciência

Viviane Oliveira
Esaura mora em Bandeirantes e perdeu viagem para consulta em Campo Grande. Foto: Simão Nogueira.Esaura mora em Bandeirantes e perdeu viagem para consulta em Campo Grande. Foto: Simão Nogueira.

Procurar atendimento médico em início de ano dá trabalho e isso está ocorrendo, cada vez mais, ocorre apenas na rede pública. As férias dos profissionais da rede privada também transformam a procura por atendimento em um teste de paciência. Para agendar uma consulta com alguns médicos particulares a informação é de que só vão começar a atender a partir do dia 10 e alguns depois do dia 18.

A funcionária pública Karla Alves, 29 anos, tentou agendar um dentista para o filho de 9 anos, no mês de dezembro, e ficou surpresa quando foi informada que só em fevereiro haveria atendimento para essa especialidade na clínica procurada.

“É muito tempo quando a gente está precisando, além de ter pouco profissional na área, no final e começo de ano é pior ainda”, conta Karla.

Além da demora para agendar uma consulta por conta do recesso, algumas pessoas reclamam que quando consegue agendar por algum motivo o médico desmarca a consulta.

“Eu moro em bandeirantes e ontem aconteceu isso comigo, além de esperar semanas para uma consulta, quando chegou no dia o médico não foi”, reclama Esaura Trindade Francisca, 63 anos.

Maria Zeferina levou o neto ao posto e só conseguiu sair de madrugada. (Foto: João Garrigó).Maria Zeferina levou o neto ao posto e só conseguiu sair de madrugada. (Foto: João Garrigó).

Na rede pública a situação é ainda mais delicada, com o recesso de alguns médicos o atendimento fica ainda mais complicado e confuso. Espera para consultas e corredores lotados dificultam o atendimento em alguns postos de saúde.

Morador do bairro Serradinho, Oscar Loureiro, 67 anos, conta que muita gente depende do UBSF (Unidade Básica da Família), mas falta médico e alguns remédios. “Eu fico em uma situação difícil tenho pressão alta, direto preciso ir ao posto de saúde, quando não tem médico os atendentes falam para procurar a unidade da Vila Almeida ou Coronel Antonino, esses postos estão sempre lotados de gente”, reclama Oscar.

Os pacientes que procuram as unidades 24 horas ficam horas na fila esperando uma consulta. Alguns reclamam que a lotação é tamanha que no espaço para espera dos pacientes muitos têm de ficar em pé, porque todas as cadeiras estão ocupadas.

É o caso de Alfio Leão que ao procurar os serviços da Unidade de Saúde do bairro Vila Almeida, encontrou pessoas há mais de quatro horas na fila, a espera de atendimento.

A dona-de-casa Cristiane Aparecida de Lima, 28 anos, foi ao posto de saúde do bairro acompanhar o irmão Wellington Miranda, 20 anos. Ela conta que para agendar uma consulta nesse período é difícil. “Às vezes a gente chega aqui e não tem médico, meu irmão sofreu um acidente e precisa sempre de atendimento. É muita gente para pouco profissional”, lamenta Cristiane.

Maria Zeferina, 54 anos, afirma que sempre quando buscou atendimento nas unidades básicas de saúde foi atendida, porém reclama que em dezembro e janeiro o atendimento fica bem mais lento. “Esses dias acompanhei o meu netinho no posto de saúde 24 horas da Vila Almeida, cheguei 22h e sai 2 horas da manhã, é complicado para quem depende de ônibus”, disse Maria.

Além da demora para agendar uma consulta por conta do recesso, algumas pessoas reclamam que quando consegue agendar por algum motivo o médico desmarca a consulta.

“Eu moro em bandeirantes e ontem aconteceu isso comigo, além de esperar semanas para uma consulta, quando chegou no dia o médio não foi”, reclama Esaura Trindade Francisca, 63 anos.

A assessoria de imprensa da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou que mesmo com o número reduzido de médicos por causa das férias, o plantão continua e que todos os pacientes são atendidos normalmente. Para caso de emergência procurar uma unidade 24 horas.

De acordo com o diretor do Sinmed (Sindicato dos Médicos), Dr. João Batista Botelho, não tem dados preciso de quantos médicos saem de férias nesta época, porém acredita que seja em torno de 40%. O Dr. João Recomenda para quem não conseguir atendimento com um especialista, procurar um clínico geral até voltar o atendimento normal.



Gostaria apenas de dizer que a demora em muitos atendimentos nos 24 Horas, se deve principalmente a casos que deveriam ser atendidos nas unidades básicas. Com o Qualisus, o paciente em mais grave estado é atendido mais rapidamente. Sou funcionário do município e considero importante dizer que os casos, são atendidos por classificação de risco e não por ordem de chegada. Vale frisar, que existem critérios técnicos para a classificação de risco, portanto, procure antes a unidade básica, e se não conseguir atendimento, procure uma unidade 24 horas. A demora no atendimento, nem sempre é uma questão do profissional de saúde, mas as vezes, da falta de informação do paciente.
 
Andres Luciano em 07/01/2011 12:57:48
Pobre é assim mesmo!!! Pagamos um absurdo de IPTU, ISS, IPVA, IR e outros iiiiiissss!!! Para que os nossos governantes passem férias tomando champanhe e nós aqui morrendo a minguas, avisa ai os bonitões que doença não tira férias não!!!!
 
Paulo Sérgio de Lira em 07/01/2011 08:45:06
Médico também tem conta pra pagar, escola dos filhos, paga imposto de renda, fica doente e precisa de férias. Se o plantão fosse bem remunerado, com certeza não haveriam vazios na escala. O bom profissional deve ser valorizado. Quem trabalha de graça é relógio.
A ciência médica demanda raciocínio, boa experiência clínica, muita dedicação e horas de estudo, aperfeiçoamento e atualizações constantes. Todos são unânimes em generalizar a classe e desmoralizar a profissão por causa de maus profissionais (que aliás, estão presentes em todos os ramos, seja açougueiro, advogado, lixeiro, pedreiro, policial ou funcionário público), entretanto são poucos os que agradecem e elogiam o profissional que faz um bom atendimento e demonstra uma preocupação a mais com o bem-estar do paciente.
É um sonho pra qualquer médico poder praticar a medicina em um ambiente que lhe proporcione estrutura física, métodos diagnósticos e terapêuticos adequados, com uma equipe bem treinada, tendo a valorização pelo seu empenho e acima de tudo contar com a cumplicidade do paciente, que cuida da sua saúde, e se conscientiza de que ele próprio é o maior responsável por ela.
Muitas vezes o que compensava aquele plantão mal remunerado das noites de final de semana, na periferia do bairro, naquele posto de saúde longínquo e quase sem estrutura; era um abraço ou um sorriso de um paciente agradecido, o senhor de idade, ou a menina jovem com a gratidão estampada no rosto, saindo do consultório satisfeitos, e cientes de que podiam até não se curar, mas que haviam recebido a atenção necessária. De lá pra cá, estes sorrisos rarearam, os abraços diminuíram, tomaram lugar as caras fechadas por esperar na fila, chutes na porta do consultório, ameaças ao tentar explicar que uma febre baixa não justificava afastamento laboral por dois dias. Vi meus colegas endurecerem, perderem o brilho nos olhos, desencantarem pela profissão que escolheram e tanto lutaram pra conseguir exercê-la.
Eu mudei de ares, mudei de Estado. E vejo as notícias de que as agressões a profissionais de saúde se multiplicam em Campo Grande. Percebi que cá, onde estou agora, a mais de 1000 km de distância, os problemas são parecidos.
Os médicos perfazem cerca de 300.000 profissionais no país todo, a população brasileira é de cerca de 200 milhões de pessoas. Será que toda a culpa desta situação na saúde pertence a estes 0,15% da nação? Eu acho que não.
Um abraço aos bons colegas que ainda não se desencantaram com a nossa querida Medicina.
"Curar às vezes, aliviar com freqüência, consolar sempre"
 
Dr. Paulo Saraceni em 07/01/2011 07:58:31
Realmente, doença não tira férias; logo o estado e os municípios tem obrigação de colocar substitutos em suas unidades de saúde; dinheiro sobra até para as campanhas políticas; só que não querem pagar substitutos, não motivando ninguém a fazer um extra. Uma sugestão: pague uma consulta particular, negocia-se o valor; a maioria dos médicos atendem desta forma. et: é só diminuir a ceva, largar o cigarro, reduzir os celulares, comer menos, praticar esportes que além de ter mais saúde,´sobrará dinheiro para ítens tão importantes como a consulta médica, odontológica. Feliz 2011.
 
Dr. Oswaldo Rodrigues em 07/01/2011 02:32:46
Todo trabalhador tem direito a ferias esta nas leis trabalhista Peri perez o judiciario faz recesso de 45 dias no final de ano e 1 mes em julho e a populaçao nao se revolta O paulo sergio paga imposto e com certeza ja tirou as ferias dele e ninguem reclamou portanto tem que parar com hipocresia o medico e trabalhador como outros e tem direito a ferias tambem ele tem familia.
 
Luis Taleno em 07/01/2011 01:59:22
a profissão exercida pelos medicos, além dos aprendizados na faculdade, é necessário que eles medicos, tomem conciencia que em determinados momentos precisam atender os necessitados por sacerdocio, vivemos em um pais de miseráveis e um profissional da saúde não pode deixar de atende-los, quando faltam-lhes dinheiro para pagar uma consulta
sabemos que a remuneração não é a ideal, mas se o profissional aceitou ganhar aquilo, então que atenda essas pessoas com zelo, carinho, respeito, pedir um exame quando achar necessário, e não prescrever remédios sem ter certeza qual o diagnóstico do paciente, caso não esteja satisfeito com o que ganha, então peça para sair e deixar para quem aceita, o que não deve é ficar ocupando o cargo descontente, porque aí não tem como ter uma boa relação medico paciente.
 
periperis rodrigues do prado em 07/01/2011 01:17:48
Isto mostra a preocupação que a maioria desses profissionais tem com a saúde pública, metade tira férias e não estão nem aí. Deveria haver uma regulamentação melhor do exercício da medicína, e fiscalização. Acontece que muitos profissionais hoje em dia não querem sujar as mãos, só querem atender em seus consultórios(escritórios) com hora marcada, mas voce acaba esperando horas, e olha que com convênio médico(unimedi) e tudo, afinal de contas quanto mais atenderem por dia, mais recebem. Sei que existe profissionais que trabalham por amam a profissão, mais independente disso, deveriam ser bem remunerados, por isso precisamos de uma regulamentação, muitos são atraídos pela profissão de médico, somente pelo dinheiro.
 
jose antonio em 06/01/2011 04:37:43
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