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09/06/2013 21:59

Conflito em MS é responsável por 57% das mortes de índios no país

Nyelder Rodrigues
Indígenas lamentam morte de terena Oziel durante o velório dele, realizado na aldeia Córrego do Meio, onde morava (Foto: João Garrigó)Indígenas lamentam morte de terena Oziel durante o velório dele, realizado na aldeia Córrego do Meio, onde morava (Foto: João Garrigó)

Entre 2003 e 2012, 319 índios foram assassinados em Mato Grosso do Sul em casos relacionados disputa por terras. O número corresponde a 57% do total de 564 assassinatos de indígenas no Brasil neste período.

Os dados foram levantados pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e foram apresentados em reportagem da edição desde domingo (9) do jornal Folha de São Paulo.

O Mato Grosso do Sul apresenta número de mortes superior ao restante do país desde 2005. Só em 2012, foram 37 contra 24 registros nos outros estados. São levados em consideração pelo Cimi somente os casos envolvendo disputa por terras, havendo também homicídios cometidos entre os próprios indígenas.

Também para reportagem da Folha de São Paulo, o secretário-executivo do Cimi, Cleber Buzatto, afirmou que além dos conflitos com produtores rurais, posseiros e madeireiros, garimpeiros, entre outros, existe o confinamento de índios em pequenas áreas, situação de vulnerabilidade social que também pode resultar em violência entre os indígenas.

Atualmente centro das atenções do país, por causa dos recentes conflitos que resultaram em índios feridos e na morte do terena Osiel Gabriel, de 35 anos, em Sidrolândia, o Estado é tido como o maior foco de tensão indígena. A morte de Osiel, estopim da situação, aconteceu no último dia 30.

Josiel Gabriel, primo de Osiel, foi baleado na coluna dias depois em Sidrolândia, após um dos ocupantes de uma camionete prata que passou perto dele ter feito um disparo. Ele corre risco de ficar paraplégico. Há informações de que o crime ocorreu na fazenda Cambará, e outros apontam que foi na aldeia Buriti.

No Brasil, entre 1995 e 2002, foram registrados 167 assassinatos de indígenas. O aumento de casos entre os dois períodos avaliados foi de 168,3%. A alta dos índices culminou na maior crise relativa à questão indígena no governo Dilma, que começou em 2011.

Alegando motivos de saúde, a presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Marta Maria Amaral do Azevedo, pediu exoneração do cargo que ocupava a aproximadamente de um ano. Interinamente, assumiu Maria Augusta Assirati, diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS).

No Mato Grosso do Sul, há 77 mil índios, a 2ª maior população do país. Para conter os conflitos em Sidrolândia, e intervir em outros locais se necessário, 110 homens da Força Nacional foram enviados ao Estado, a pedido do governador André Puccinelli. Eles devem ficar seis meses, na região, e já fizeram acordos com os índios terenas para evitar mais violência física.



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