Conselho Tutelar Sul parece prédio abandonado, mas atende 500 crianças ao mês
Em novembro de 2023, o atendimento no local chegou a ser suspenso por falta de ventilação
À primeira vista, o local parece abandonado. Mas não está. O Conselho Tutelar Sul, no bairro Aero Rancho, funciona em condições precárias e, ainda assim, mantém média de cerca de 500 atendimentos por mês. A situação se arrasta há anos e chama atenção justamente pela manutenção prolongada de uma estrutura considerada insalubre.
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O Conselho Tutelar Sul, localizado no bairro Aero Rancho em Campo Grande, opera em condições precárias, mas mantém uma média de 500 atendimentos mensais. O prédio enfrenta diversos problemas estruturais, incluindo ventilação inadequada, infiltrações, grades danificadas, banheiros deteriorados e elevador de acessibilidade inoperante. A situação se agrava com a falta de equipe de limpeza desde novembro, ausência de extintores de incêndio e problemas de segurança. A conselheira-chefe, Gislaine Spessoto, defende a criação de um Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente no local, aproveitando a estrutura existente.
Em novembro de 2023, por exemplo, o atendimento no prédio chegou a ser suspenso por falta de ventilação. Já em fevereiro do ano passado, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu inquéritos para apurar as condições dos prédios dos conselhos tutelares de Campo Grande.
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Segundo a conselheira-chefe, Gislaine Spessoto, os problemas atingem praticamente todos os espaços. “Dentro da sala onde os conselheiros fazem o atendimento com as famílias, há ventiladores de teto. E, na época de calor, às vezes o ambiente fica insalubre. Em gestões anteriores, conselheiros chegaram a medir a qualidade do clima interno. Era impossível”, relatou.

Além disso, o prédio apresenta mato alto, grades quebradas e enferrujadas, infiltrações em vários pontos, bebedouro com vazamento, salas sem área privativa e banheiros sujos e com mau cheiro. Há ainda falhas na segurança. “No momento, estamos sem guarda e, tempos atrás, roubaram a fiação daqui”, contou.
As grades danificadas também representam risco para as crianças que frequentam o local. Gislaine destacou ainda que o elevador de acessibilidade está inativo. “O prédio acaba ficando inacessível, não só para as crianças, mas também para os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas”, afirmou.
O conselho está sem equipe de limpeza desde novembro e a higienização vem sendo feita pelas próprias conselheiras. O prédio também está sem extintores de incêndio, que foram retirados para recarga, mas não retornaram ao local.
Diante do cenário, a conselheira defende a criação do Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente, proposta discutida desde os debates após a morte da menina Sophia Ocampo, em janeiro de 2023, mas que nunca saiu do papel.
“O que nós sugerimos é que, em vez de iniciar uma obra do zero naquele canteiro, comecem por aqui, utilizando a estrutura que já existe. O gasto público seria bem menor do que iniciar algo do zero”, avaliou.
Doação – A visita ao local ocorreu após o Conselho Tutelar Sul recorrer às redes sociais para pedir doação de brinquedos. “Em vez de ficar lamentando, nós priorizamos pedir ajuda para a sociedade”, disse Gislaine.
Segundo ela, faltam brinquedos de todos os tipos e livros. “Se estiverem em bom estado de conservação, aquele brinquedo que a criança já não usa mais, ou um livro, já faz diferença. Aos poucos, vamos organizando e tornando o ambiente um pouco mais acolhedor”, afirmou.
A Prefeitura de Campo Grande foi procurada para comentar a situação, e informou que a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania realizou a limpeza do local, incluindo o serviço de roçada, há 15 dias. "O mesmo serviço já está no cronograma de limpeza das unidades para ser realizado nos próximos dias no CTSul."
Quem quiser ajudar pode entrar em contato com o Conselho Tutelar Sul pelo telefone (67) 3314-6370 ou ir diretamente ao local.
Confira a galeria de imagens:
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