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Capital

Contra pandemia, Marquinhos baixou 23 decretos com medidas restritivas

Cidade foi a primeira entre as capitais a decretar o toque de recolher para evitar disseminação do coronavírus

Por Marta Ferreira | 29/03/2020 16:33
O prefeito Marquinhos Trad defende medidas rígidas contra a disseminação de vírus. (Foto: Clayton Neves)
O prefeito Marquinhos Trad defende medidas rígidas contra a disseminação de vírus. (Foto: Clayton Neves)

Se não dá pela orientação, vai pelo método mais dolorido. Diante da resistência encontrada para o cumprimento do distanciamento social recomendado no mundo todo, contra a pandemia de coronavírus, a prefeitura de Campo Grande endureceu as medidas restritivas e, entre as capitais brasileiras, foi a primeira a adotar o toque de recolher. Também decidiu antes da maioria do País pela suspensão das aulas e fechou a maior parte do comércio.

 A partir da confirmação do primeiro caso, duas semanas atrás, foram editados 23 decretos com regras para a quarentena, que por ora vai até 6 de abril. Desde então, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) tem feito transmissões diárias em que a frase "fique em casa" é repetida o tempo todo.

 De lá para cá, o chefe do Executivo em Campo Grande comprou brigas com setores que querem reabrir. Para o prefeito, o fato de não ter sido registrada morte na cidade pela covid-19 indica que as medidas eram necessárias e estão ajudando a "achatar a curva" de infecção pelo coronavírus, como tanto pregam as autoridades. Na prática, isso quer dizer menos gente contaminada ao mesmo tempo.

Marquinhos tem batido na tecla de que o sistema de saúde, com 252 leitos de terapia intensiva em Campo Grande, não tem condições de suportar um número alto simultâneamente. “Se tiver mais que isso, alguém vai morrer”, afirmou neste sábado na live transmitida.

 Dos 36 casos já confirmados no Estado, 29 são em Campo Grande, ou seja, 80% do total.  “Estou preocupado com os números”, disse ao Campo Grande News o prefeito no meio da semana, antes de ampliar o toque de recolher das 22h para as 20h.

 “Fez certo” - As providências elogiadas para todo o País pelo ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, primo de Marquinhos e ex-secretário de Saúde na gestão o irmão do prefeito,

Carreata feita na Afonso Pena, na sexta-feira, conta fechamento do comércio. (Foto: Gabriel Marchesi)
Carreata feita na Afonso Pena, na sexta-feira, conta fechamento do comércio. (Foto: Gabriel Marchesi)

Com o toque de recolher mais rígido, mais de 500 pessoas foram retiradas das ruas em três dias pela Guarda Civil Metropolitana. Com as falas recentes do presidente Jair Bolsonaro defendendo que só os grupos de risco sejam isolados, o questionamento das medidas adotadas pela prefeitura de Campo Grande ficou maior.

Teve até carreata na Avenida Afonso Pena na sexta-feira.

 Interesse coletivo - “Havendo conflito entre direitos fundamentais, prevalece o de natureza coletiva”, com essa frase o procurador-geral do Município, Alexandre Ávalo, defende o que tem sido feito.  A base legal principal de tudo é a lei maior do País, a Constituição, anota.

 O artigo quinto, que trata dos direitos fundamentais, estabelece a saúde como um deles. E se a saúde pública está em risco em detrimento de outros direitos, é o interesse do coletivo que vai prevalecer, define.

A partir desta semana, alguns setores voltam a operar, mas o fim da quarentena ainda pode demorar mais. Existe uma preocupação com os dias frios. “Vai vir a chuva, o tempo vai esfriar”, observa Marquinhos, ao anunciar que a rotina vai voltar ao normal quando as condições epidemiológicas permitirem. Esse prazo, hoje, é uma incógnita.

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