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Boa Imagem

Quando o palavrão vira vírgula

O jeito como você fala também comunica. Não é porque está costumeiro que deixou de ser grosseiro.

Por Larissa Almeida (*) | 06/03/2026 16:05


Você já percebeu como algumas pessoas não conseguem terminar uma frase sem colocar uma gíria ou um palavrão no meio? Em muitos casos, essas palavras aparecem quase automaticamente, como se fossem vírgulas na conversa. “Cara”, “tipo”, “mano”, “velho”, “véi”, “tá ligado?”, “nossa, que m…”, “p…”, “c…”, “f…”, entre tantos outros termos que se repetem sem que a pessoa perceba.

E o problema é que a forma como falamos também constrói a nossa imagem. Comunicação não é apenas sobre o que você diz, mas como você diz.

Claro, existem momentos em que um palavrão pode escapar. Quem nunca chutou o dedinho na quina do móvel ou passou por uma situação de susto ou dor e deixou escapar uma expressão mais forte? Em situações de descontração entre amigos íntimos, também é comum que a linguagem seja mais informal.

Mas é muito prejudicial quando esse tipo de vocabulário passa a fazer parte de toda a comunicação. E isso acontece principalmente entre os mais jovens. Quando o palavrão vira vírgula, ele deixa de ser uma reação espontânea e passa a ser um hábito. E hábitos de linguagem dizem muito sobre nós.

No ambiente profissional, por exemplo, o uso excessivo de gírias e palavrões pode transmitir falta de refinamento na comunicação, pouca habilidade de adaptação ao contexto ou até uma imagem de descuido com a própria postura.

Imagine uma reunião de trabalho em que alguém diz frases como:

“Cara, aquele cliente deu um problema do c… na entrega.”
“Essa reunião foi f…, ninguém resolveu nada.”
 “Tipo assim, mano, a gente precisa ver isso aí.”

 Mesmo que a pessoa seja competente, esse tipo de linguagem pode diminuir a percepção de profissionalismo. Isso acontece porque linguagem é posicionamento.

Quem ocupa cargos de liderança, atende clientes ou representa uma empresa precisa ter consciência de que cada palavra reforça — ou enfraquece — a sua credibilidade.

Outro ponto importante é o exemplo que damos dentro de casa. Crianças aprendem muito mais pelo que observam do que pelo que escutam em forma de regra. Quando o palavrão se torna comum no dia a dia, ele também se torna natural para quem está por perto.

 Não se trata de moralismo ou de exigir uma comunicação artificial. O objetivo não é transformar conversas em algo engessado, mas sim desenvolver consciência sobre a própria linguagem.

A boa comunicação tem uma característica essencial: adequação ao contexto. Há ambientes que pedem informalidade. Outros exigem mais cuidado, clareza e elegância na fala. Saber transitar entre esses cenários é uma habilidade poderosa, e cada vez mais valorizada.

Vale a pena fazer um pequeno exercício de observação:
preste atenção em quantas vezes certas gírias ou expressões aparecem nas suas frases ao longo do dia. Muitas pessoas se surpreendem ao perceber que usam “tipo”, “cara”, “mano”, “tá ligado”, “véi” ou algum palavrão quase sem perceber.

A boa notícia é que, assim como qualquer hábito, isso também pode ser ajustado. Quando ampliamos o vocabulário e escolhemos melhor as palavras, nossa comunicação se torna mais clara, mais elegante e mais estratégica. E, no fim das contas, a forma como falamos sempre conta uma história sobre quem somos.

(*) Larissa Almeida é formada em Comunicação Social pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pós-graduada em Influência Digital pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Durante 14 anos, trabalhou na área de comunicação e imagem em instituições como a Caixa Econômica Federal, a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e o Senado Federal, além de ter coordenado a comunicação da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul). É consultora de imagem formada pela RML Academy (Royal Makeup Lab Academy) e pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, além de especialista em dress code e comportamento profissional por Cláudia Matarazzo e pela RMJ TRE (RMJ Treinamento e Desenvolvimento Empresarial). Siga no Instagram @vistavoce_.