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24/11/2017 18:20

Cristhiano Luna é condenado a 17 anos de prisão por morte de Brunão

Após mais de 9 horas de julgamento, o confeiteiro recebeu a sentença e voltou ao presídio

Geisy Garnes e Kleber Clajus
Após ouvir da sentença, Cristhiano foi levado ao presídio (Foto: Kleber Clajus)Após ouvir da sentença, Cristhiano foi levado ao presídio (Foto: Kleber Clajus)

O confeiteiro Cristhiano Luna de Almeida foi condenado pela 2ª Vara do Tribunal Júri a 17 anos e seis meses de reclusão em regime fechado por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima e injúria racial, contra o segurança Jéferson Bruno Escobar, o Brunão. O julgamento durou cerca de 9h45.

O juiz substituto Daniel Raymundo da Matta, que presidiu o julgamento, afirmou que o que pesou na definição da pena foi a conduta desfavor do réu por brigar e confusões anteriores a morte de Bruno. O confeiteiro já foi condenado em setembro no ano passado a dois anos e seis meses de reclusão por agredir gravemente um homem no Parque de Exposições de Campo Grande, em 2009.

Cristhiano logo após ouvir a sentença foi levado de volta ao presídio, onde cumpre prisão preventiva desde julho deste ano, quando descumpriu medidas cautelares que garantiam sua liberdade desde a morte de Bruno. Amigos e familiares em lágrimas se abraçavam ao fim do julgamento e sua mãe Cecília Luna, chegou a ser atendida pela psicóloga do tribunal antes de deixá-lo.

“Cadeia não é inferno, porque tem muita gente boa de coração lá dentro. Mas meu filho não merecia isso. foi muito cruel o que fizeram com ele, vocês não tem a noção do meu sofrimento. Qual menino que nunca brigou na vida que atire a primeira pedra, que foi em uma boate bebeu e se excedeu, quem somos nós para julgar. Peço misericórdia senhor, porque meu filho é meu companheiro, isso tudo que pintaram que é um menino ruim não é, se fosse ruim eu deixava na cadeia, mas não é ”.

Fábio Trad, responsável pela defesa do réu, explicou que a condenação foi injusta e não depõe a favor da justiça de Mato Grosso do Sul. “Justiça não é feita para fazer vingança”. Ele condicionou o julgamento a influência da imprensa que, segundo ele, consegue manipular muitas vezes o resultado.

Por sua vez, o assistente de acusação, Rodrigo Alcântara, ressaltou que o processo é de 2011 e houve um trabalho intenso com a ocorrência de vários recursos até o resultado de hoje. “Ele foi julgado pelo que de fato praticou. As provas são contundentes”.

Douglas Oldegardo, promotor do caso, afirmou que não acredita em recurso da pena. “Não vejo possibilidade de recurso, porque isso deveria ocorrer por nulidade levantada no momento do julgamento, ou então que seja contrário às provas dispostas no auto”.

Em um plenário lotado, o silêncio de familiares de Bruno foi quebrado apenas do lado de fora, quando a mãe dele, Edicelma Gomes Vieira falou que a justiça foi feita e que o pai do segurança, que faleceu durante o processo, também poderá descansar em paz junto com o filho. “Não é vingança. Se não não estaríamos aqui. Vingança não se pede nas ruas”, relatou, lembrando do período em que fez protestos na ruas pedindo a condenação do acusado.

Brunão morreu em 19 de março de 2011. Na ocasião, ele virou alvo de Almeida ao tentar retirá-lo de dentro da casa noturna após uma briga generalizada. Acabou agredido e morto pelo acusado, que na época era bacharel em direito e praticante de artes marciais, do lado de fora do local.

O julgamento de Cristhiano Luna de Almeida começou às 8h15 desta sexta-feira (24) e terminou às 18 horas.

Em depoimento, o confeiteiro alegou que não foi responsável pela morte de Brunão (Foto: André Bittar)Em depoimento, o confeiteiro alegou que não foi responsável pela morte de Brunão (Foto: André Bittar)

O julgamento - Enquanto a defesa afirmava que o réu não tinha intenção de matar o segurança e tentava a absolvição de Cristhiano por legítima defesa ou a condenação por lesão corporal seguida de morte, que tem pena de 4 a 12 anos de reclusão, a assistência de acusação e o MPE (Ministério Público Estadual) pediam condenação por homicídio duplamente qualificado.

Para justificar o crime, o assistente de acusação, Rodrigo Alcântara, alegou mais de 40 pessoas foram ouvidas durante a investigação do crime, todas elas relatando o comportamento e descaso de réu com Brunão, lembrou dos laudos periciais que comprovaram uma lesão no rosto da vítima e ainda colocou em xeque um laudo encomendado pela defesa e assinado pelo ex-vereador Eduardo Cury.

Afirmando que Cury é pediatra e ocupava um cargo político em frente a coordenação do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Alcântara descreveu o laudo, que comprovava que a morte de Brunão foi uma fatalidade, como tendencioso. “Dúvido que um dia tenha entrado em uma ambulância, a muito tempo não é médico e ainda é patrocinado pela mesma banca de defesa”.

O promotor público Douglas Oldegardo dos Santos a todo momento defendeu a figura de Bruno como vítima, lembrou que Cristhiano havia sido advertido pelo menos outras duas vezes na mesma noite em que o crime aconteceu, uma por ‘plantar bananeira’ em uma cadeira e outra por tirar a camiseta em frente ao palco.

Por fim, o promotor pediu a condenação do réu por homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de injúria racial prática contra o garçom da boate.
Em uma última tentativa de defesa, o advogado José Belga Trad alegou que Bruno tinha condições de se defender por ter conhecimentos básicos de jiu-jitsu e defendeu o laudo feito por Cury, que também é seu cliente. “Ele assumiu responsabilidade com o que estava relatando”.

“Já viram assassino com 100/200 pessoas chegando com faixas às 6 da manhã no fórum, acompanhados com raiva. Ele não quis matar, apelo ao coração, não vamos perder esse moço, porque o Estado perdeu as batalhas nos presídios. Não podemos julgar com raiva”, finalizou Fábio Trad, advogado de defesa de Cristhiano.



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