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Capital

Denúncia de funcionária contra patrão por agarrá-la reativou #exposedcg

Jovem foi à Delegacia da Mulher para denunciar empregador por assédio; ele a acusa de desviar R$ 60 mil

Por Anahi Zurutuza | 21/10/2021 19:55
Funcionária foi à Casa da Mulher Brasileira na tarde de ontem para denunciar patrão (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Funcionária foi à Casa da Mulher Brasileira na tarde de ontem para denunciar patrão (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Diferente de 2020, quando a #exposedcg revelou centenas de denúncias de abuso sexual e estupros contra mulheres de Campo Grande nas redes sociais e depois, alguns deles, chegaram à Polícia Civil, agora, caso de assédio sexual no trabalho primeiro foi parar na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) da Capital para depois reativar a hashtag na internet.

Depois do publicitário Pedro Santos lançar o questionamento “Já sofreu assédio no ambiente de trabalho?” no Twitter, na manhã desta quinta-feira (21), centenas de relatos surgiram citando, indiretamente, comportamentos abusivos por parte do dono de uma agência de publicidade da Capital.

O Campo Grande News investigou e descobriu que, ontem (20), funcionária da empresa havia feito denúncia formal contra o patrão. Para a polícia, a mulher de 28 anos contou que há cerca de 4 meses, desde que ela se separou do marido, o empresário passou a ter atitudes no mínimo inconvenientes. “Começou a falar na minha roupa, minha boca, meu cabelo”, revelou à reportagem.

Conforme registrado no boletim de ocorrência, a jovem narrou que dono da agência passou a cumprimentá-la com “abraços apertados, de modo a encostar-se aos seios dela”.

Incomodada com a situação, a moça conta que chegou a pedir demissão algumas vezes, mas o patrão sempre lhe oferecia aumento de salário e a convencia de ficar no emprego.

A situação saiu do controle, contudo, na terça-feira (19). De acordo com o primeiro depoimento da funcionária à polícia, o empresário a chamou em sua sala, a agarrou, encostou o órgão genital contra as coxas dela e a beijou no pescoço. A funcionária relatou ainda que o homem tem o costume de andar armado e na ocasião, estava com o revólver na cintura, o que a impediu de reagir.

Troca de acusações – Por meio de seu advogado, Nilton Giuliano Turetta, o empresário negou as supostas “investidas” contra a funcionária e que tenha atacado a empregada em sua sala. O defensor alega que a moça está querendo “criar cortina de fumaça” após descoberta de desfalque no valor de R$ 60 mil das contas da empresa. Para o advogado, a denúncia na Deam seria uma forma de chantagear o dono da agência a não tomar providências quanto ao sumiço do dinheiro.

Nesta quinta-feira (21), o empresário também procurou a polícia para fazer boletim de ocorrência contra a funcionária. “Ela era de confiança, trabalhou por 5 anos na empresa, tinha autonomia, mas de agosto para cá, deixaram de fazer a prestação de contas. Acontece que se descobriu um desfalque de valor superior a R$ 60 mil e depósitos em conta de uma amiga muito próxima dessa funcionária. Foram dadas a ela todas as oportunidades para se explicar, mas isso não aconteceu. Meu cliente está muito tranquilo porque a verdade vai aparecer”.

Ao Campo Grande News, a moça afirmou que a história do desaparecimento do montante só surgiu depois do episódio da terça-feira. As duas histórias são investigadas.

*A reportagem preservou os nome dos envolvidos, uma vez que é direito da vítima ter a identidade preservada e o caso é tratado em sigilo. 

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