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Capital

Desde Lei Maria da Penha, 2020 foi ano com mais mulheres assassinadas em MS

De todos os feminicidas, apenas Hércules Alves de Souza, 21 anos, continua foragido após matar a ex-namorada

Por Kerolyn Araújo e Bruna Marques | 08/01/2021 11:36
Delegada Fernanda Félix, titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher. (Foto: Henrique Kawaminami)
Delegada Fernanda Félix, titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher. (Foto: Henrique Kawaminami)

O ano de 2020 foi marcado por vários casos de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. De janeiro a dezembro, 39 feminicídios foram registrados no Estado. Esse dado representa um aumento de 30% em relação ao ano de 2019.

Titular da Deam (Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher), a delegada Fernanda Félix relatou ao Campo Grande News que, desde a criação da Lei Maria da Penha, em agosto de 2016, o ano de 2020 foi o que mais matou mulheres em Mato Grosso do Sul.

Somente na Capital, o número de feminicídios chegou a 11. No ano passado, foram registrados cinco. "Das 11 vítimas de 2020, apenas três tinham medidas protetivas", frisou a delegada.

Hércules Alves de Souza, 21 anos, assassino de Yasmin, continua foragido. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Hércules Alves de Souza, 21 anos, assassino de Yasmin, continua foragido. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

De todos os feminicidas, apenas Hércules Alves de Souza, 21 anos, continua foragido. Ele matou a ex-namorada, Yasmin Beatriz Almeida Guedes, 18 anos, com oito tiros na noite do dia 28 de setembro, no Jardim Colibri.

Segundo Fernanda, o crime mais registrado na Deam em 2020 foi ameaça, com 4.954 boletins de ocorrência, seguido de lesão corporal (1.859) e estupros (407). "Analisando os registros de todos os crimes, com exceção de feminicídios, eles são menores em 2020. E isso significa que, provavelmente, houve sub-notificação, ou seja, a violência continua acontecendo, mas não chega até a delegacia", explicou.

Yasmim e o ex-namorado em foto nas redes sociais.
Yasmim e o ex-namorado em foto nas redes sociais.

A delegada ressaltou que os casos de violência ocorrem, na sua maior parte, dentro dos lares. "A mulher sofre violência dentro de casa, onde era para ter descanso e harmonia. Nos primeiros sinais de violência, ela pode evitar que chegue ao feminicídio, procurando a delegacia para registrar boletim de ocorrência, solicitando medidas protetivas".

Em Campo Grande, no ano passado, a primeira morte foi de Regiane Fernandes de Farias, assassinada aos 39 anos. Ela chegava ao trabalho, numa floricultura na Rua Vitório Zeola, no Bairro Carandá Bosque.

A florista foi abordada pelo ex-namorado, Suetônio Pereira Ferreira, 57 anos, ainda tentou conversar com o homem, mas foi atingida por disparos. Depois de balear Regiane, o autor atirou contra o próprio ouvido. Ela morreu horas depois na Santa Casa de Campo Grande. O ex recebeu alta e foi preso.

A última vítima de 2020 na Capital foi morta em 4 de dezembro. Quase dois anos após matar a sogra, Wantuir Sonchini da Silva, 43 anos, matou a ex-mulher, Fabiana Lopes dos Santos, com 19 facadas no Bairro Parque do Lageado. Ela se recusava a retomar o relacionamento.

Wantuir foi encontrado morto no dia 9 de dezembro, pendurado pelo pescoço numa árvore às margens da BR-262, No período da tarde, a Polícia Civil da cidade recebeu informação de que um corpo tinha sido encontrado pendurado pelo pescoço numa árvore, próximo ao Posto Aparecidinha, às margens da BR-262, em Ribas do Rio Pardo.

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