ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
MAIO, SEGUNDA  20    CAMPO GRANDE 16º

Capital

Dia tenso no lixão expõe impasse entre catadores

Viviane Oliveira | 18/12/2012 18:33
Catadores ameaçam invadir a UTR  (Unidade de Tratamento de Resíduos (Foto: Rodrigo Pazinato)
Catadores ameaçam invadir a UTR (Unidade de Tratamento de Resíduos (Foto: Rodrigo Pazinato)
Os moradores bloquearam a principal rua que dá acesso ao lixão. (Foto: Rodrigo Pazinato)
Os moradores bloquearam a principal rua que dá acesso ao lixão. (Foto: Rodrigo Pazinato)

A terça que deveria marcar o fim de um problema de 28 anos em Campo Grande, lixão no bairro Dom Antônio Barbosa, evidenciou que a situação ainda gera impasse, entre os catadores que tiram dali o seu sustento. De um lado há os que consideram incerta atuação na UTR (Unidade de Tratamento de Resíduos) e os que querem começar a trabalhar já na cooperativa formada pelos trabalhadores.

O lixão amanheceu fechado hoje. Catadores de material reciclável que atuavam no local foram proibidos de entrar e tentaram impedir que caminhões da CG Solurb entrasse para despejar lixo recolhido.

A PM (Polícia  Militar) foi chamada e, na confusão, atirou com balas de borracha e utilizou bombas de efeito moral. Militares em cavalos investiam contra os catadores. Pelo menos nove pessoas foram presas e outras ficaram feridas. Por causa da confusão, a reunião que estava marcada para esta terça-feira (18) foi remarcada para amanhã, às 8h30.

Nesta tarde o clima ainda era de revolta e protesto entre os trabalhadores, que montaram uma barreira e atearam fogo na rua principal que dá acesso ao lixão. A informação de que teria três pessoas presas na viatura da Polícia, fez com que uma multidão se concentrasse em frente à UTR.

Os trabalhadores se dispersaram depois que souberam que eles haviam sido encaminhados para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do bairro Piratininga.

Há 16 anos trabalhando no lixão, a catadora Maria Helena da Silva, 60 anos, espera que amanhã o impasse seja resolvido. “A única coisa que eu quero é trabalhar como sempre fiz e tirar o meu sustento”, disse.

Para Maria Helena, moradora no Parque do Sol, apesar da UTR ainda não está pronta, a proposta da CG Solurb é boa. “Tem uma parcela que não aceita, mas a maioria que quer trabalhar está pronta para começar na unidade”, afirma.

O encarregado operacional da empresa, Gustavo Pitaluga, explicou que na UTR já tem 40 toneladas de lixo esperando os trabalhadores que foram cadastrados. Segundo ele, a unidade comporta 180 pessoas, 60 serão divididas em três turnos.

“No total 438 pessoas foram cadastradas, dessas 93 trabalham todos os dias”, explica. Ainda conforme o encarregado, 150 trabalhadores da Coopermaras (Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis dos Aterros Sanitários) já estão operando na Cidade do Ônibus.

“Nós temos medo de ficarmos sem o nosso ganha pão”, destaca Roseli Vieira, 30 anos. Ela e o esposo, Nilton Bezerra, 40 anos, trabalham há 8 anos com um depósito de reciclagem montado dentro de casa, no Conjunto Pedro Teruel, antigo bairro Cidade de Deus. A catadora afirma que tem três funcionários e por mês tira pelo menos R$ 4 mil.

Com cinco filhos, um de 13, 9, 7, 4 e 10 meses, o casal teme ficar desempregado. Na tentativa de barrar a entrada do caminhão de lixo na manhã de hoje, Nilton além de ser preso, foi atingido por uma bala de borracha e levou três pontos na cabeça.

Outro ferido foi Denival Jorge Fernando, de 25 anos. Ele foi agredido pela guarda após jogar pedra na viatura e na guarnição.

Nos siga no Google Notícias