Do sonho ao jaleco branco: a emoção de Emily ao voltar à escola para agradecer
Emily Teixeira estudou no ensino médio em período integral na Escola Emygdio Campos Widal

Era uma quarta-feira comum de fevereiro, daquelas em que o pátio da escola começa a se encher ainda cedo, com conversas, mochilas nas costas e o som de passos apressados pelos corredores. Mas, para Emily Teixeira, de apenas 18 anos, aquele dia tinha um brilho diferente.
RESUMO
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Emily Teixeira, 18 anos, retornou à Escola Estadual Emygdio Campos Widal, em Campo Grande, para agradecer após ser aprovada em Medicina na UFMS. A jovem, que cursou todo o ensino médio na instituição em período integral, realizou seu sonho de infância sem frequentar cursinho preparatório. A escola registrou 52 aprovações em universidades este ano. Com professores altamente qualificados e período integral das 7h10 às 15h20, a instituição oferece diversos projetos culturais e esportivos. O Governo do Estado investiu mais de R$ 1,2 bilhão em reformas e modernização de 70% da Rede Estadual de Ensino.
Poucos minutos antes de chegar à Escola Estadual Emygdio Campos Widal, em Campo Grande, ela havia recebido a notícia que mudaria sua vida: estava aprovada em Medicina na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
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Radiante, com os olhos cheios de emoção, Emily decidiu que precisava voltar ao lugar onde tudo começou. Foi ali, entre salas de aula, livros e professores atentos, que ela construiu o caminho até o sonho que carregava desde criança.
Ao lado da mãe, Clébia Teixeira, a jovem entrou novamente na escola que frequentou nos últimos três anos. Não foi para assistir aula. Foi para agradecer.
Primeiro, passou pela sala onde estudou. Depois encontrou professores, abraçou colegas e dividiu a alegria com quem acompanhou sua caminhada.
“Foi uma emoção muito grande. Entrei na sala para agradecer. Lembrei de cada aula, de tudo que aprendi aqui. A escola não foi só aprendizado. Eu sempre me senti acolhida, desde o primeiro dia, em 2023”, contou.
A conquista de uma vaga em Medicina — um dos cursos mais concorridos do país — não veio por acaso. Emily estudou todo o ensino médio na própria escola, em período integral, sem cursinho preparatório.
A rotina era intensa. Aproveitava cada aula, cada projeto, cada oportunidade. Quando chegava em casa, continuava estudando.
“Aproveitei muito a escola, principalmente no terceiro ano. Temos professores muito bons e eu participava de tudo que podia. Sempre quis ser médica. Depois que minha irmã começou a fazer Medicina, isso me inspirou ainda mais. Quero ser pediatra”, diz, já imaginando o futuro.
Se para Emily o dia era de realização, para a mãe o sentimento era ainda maior.
Clébia lembra que antes de matricular a filha pesquisou bastante sobre a escola. Conversou com pessoas, buscou informações e descobriu que a unidade tinha histórico de aprovações em vestibulares e um trabalho forte com os estudantes.
“Eu quis uma escola que realmente se preocupasse com o futuro dos alunos. Minha filha sempre gostou muito daqui, sempre elogiou os professores. E eu também sempre fui muito bem atendida”, conta.
Para ela, o sucesso dos filhos também passa pela participação da família.
“Apoiar, incentivar e cobrar faz parte do papel dos pais. Eu cobro bastante. Tanto que, se Deus quiser, vou ter duas médicas em casa. Mas também é importante acreditar no sonho deles, porque eles podem ir além do que nós fomos”, afirma.
Emily não foi a única a comemorar. A Escola Emygdio Campos Widal registrou neste ano 52 aprovações em universidades, em cursos variados. Para o diretor Alexandre Fagundes Damian, cada resultado é a prova de que a escola pública pode transformar vidas.
“Nós temos professores extremamente qualificados, muitos com mestrado e doutorado. Nosso papel é ser a ponte entre o estudante e a universidade. Criamos um ambiente seguro, acolhedor e que estimula os alunos a acreditar no próprio potencial”, explica.
Segundo ele, quando começam a chegar as aprovações, a emoção toma conta da escola.
“É a realização do projeto de vida deles. E também serve de inspiração para os outros estudantes perceberem que é possível chegar lá.”
A escola funciona em período integral. Os alunos chegam por volta das 7h10 da manhã e permanecem até 15h20. Muitos ficam ainda mais tempo participando de projetos culturais e esportivos, como capoeira, xadrez, badminton, tênis de mesa, futsal, voleibol e basquete.
Um ambiente que vai muito além das provas e das notas.
Nos últimos anos, o Governo do Estado também ampliou os investimentos na Rede Estadual de Ensino. Das 352 escolas, cerca de 70% já passaram por reformas ou ampliações, em um investimento que ultrapassa R$ 1,2 bilhão.
As unidades também receberam lousas digitais, kits de robótica, mobiliários e equipamentos tecnológicos. Somente no ano passado, mais de 900 mil itens foram entregues às escolas da rede.
Para o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, os resultados refletem o trabalho conjunto das equipes escolares.
“É motivo de orgulho acompanhar o desempenho dos nossos estudantes ingressando no ensino superior. Isso mostra que estamos oferecendo uma educação pública de qualidade”, afirmou.
Enquanto a escola celebra as aprovações, Emily guarda na memória um momento simples, mas inesquecível: o abraço no diretor e nos professores no corredor da escola.
Ali, entre livros, sonhos e histórias, começava um novo capítulo da sua vida.
E, desta vez, o próximo passo será dentro de um hospital — de jaleco branco e com o mesmo sorriso de quem nunca esqueceu de onde veio.

