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Do sonho ao jaleco branco: a emoção de Emily ao voltar à escola para agradecer

Emily Teixeira estudou no ensino médio em período integral na Escola Emygdio Campos Widal

Por José Cândido | 06/03/2026 08:59
Do sonho ao jaleco branco: a emoção de Emily ao voltar à escola para agradecer
Emily Teixeira, de 18 anos, voltou à Escola Emygdio Campos Widal para agradecer professores após conquistar vaga na UFMS (Bruno Rezende/Secom-MS)

Era uma quarta-feira comum de fevereiro, daquelas em que o pátio da escola começa a se encher ainda cedo, com conversas, mochilas nas costas e o som de passos apressados pelos corredores. Mas, para Emily Teixeira, de apenas 18 anos, aquele dia tinha um brilho diferente.

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Emily Teixeira, 18 anos, retornou à Escola Estadual Emygdio Campos Widal, em Campo Grande, para agradecer após ser aprovada em Medicina na UFMS. A jovem, que cursou todo o ensino médio na instituição em período integral, realizou seu sonho de infância sem frequentar cursinho preparatório. A escola registrou 52 aprovações em universidades este ano. Com professores altamente qualificados e período integral das 7h10 às 15h20, a instituição oferece diversos projetos culturais e esportivos. O Governo do Estado investiu mais de R$ 1,2 bilhão em reformas e modernização de 70% da Rede Estadual de Ensino.

Poucos minutos antes de chegar à Escola Estadual Emygdio Campos Widal, em Campo Grande, ela havia recebido a notícia que mudaria sua vida: estava aprovada em Medicina na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Radiante, com os olhos cheios de emoção, Emily decidiu que precisava voltar ao lugar onde tudo começou. Foi ali, entre salas de aula, livros e professores atentos, que ela construiu o caminho até o sonho que carregava desde criança.

Ao lado da mãe, Clébia Teixeira, a jovem entrou novamente na escola que frequentou nos últimos três anos. Não foi para assistir aula. Foi para agradecer.

Primeiro, passou pela sala onde estudou. Depois encontrou professores, abraçou colegas e dividiu a alegria com quem acompanhou sua caminhada.

“Foi uma emoção muito grande. Entrei na sala para agradecer. Lembrei de cada aula, de tudo que aprendi aqui. A escola não foi só aprendizado. Eu sempre me senti acolhida, desde o primeiro dia, em 2023”, contou.

A conquista de uma vaga em Medicina — um dos cursos mais concorridos do país — não veio por acaso. Emily estudou todo o ensino médio na própria escola, em período integral, sem cursinho preparatório.

A rotina era intensa. Aproveitava cada aula, cada projeto, cada oportunidade. Quando chegava em casa, continuava estudando.

“Aproveitei muito a escola, principalmente no terceiro ano. Temos professores muito bons e eu participava de tudo que podia. Sempre quis ser médica. Depois que minha irmã começou a fazer Medicina, isso me inspirou ainda mais. Quero ser pediatra”, diz, já imaginando o futuro.

Se para Emily o dia era de realização, para a mãe o sentimento era ainda maior.

Clébia lembra que antes de matricular a filha pesquisou bastante sobre a escola. Conversou com pessoas, buscou informações e descobriu que a unidade tinha histórico de aprovações em vestibulares e um trabalho forte com os estudantes.

“Eu quis uma escola que realmente se preocupasse com o futuro dos alunos. Minha filha sempre gostou muito daqui, sempre elogiou os professores. E eu também sempre fui muito bem atendida”, conta.

Para ela, o sucesso dos filhos também passa pela participação da família.

“Apoiar, incentivar e cobrar faz parte do papel dos pais. Eu cobro bastante. Tanto que, se Deus quiser, vou ter duas médicas em casa. Mas também é importante acreditar no sonho deles, porque eles podem ir além do que nós fomos”, afirma.

Emily não foi a única a comemorar. A Escola Emygdio Campos Widal registrou neste ano 52 aprovações em universidades, em cursos variados. Para o diretor Alexandre Fagundes Damian, cada resultado é a prova de que a escola pública pode transformar vidas.

“Nós temos professores extremamente qualificados, muitos com mestrado e doutorado. Nosso papel é ser a ponte entre o estudante e a universidade. Criamos um ambiente seguro, acolhedor e que estimula os alunos a acreditar no próprio potencial”, explica.

Segundo ele, quando começam a chegar as aprovações, a emoção toma conta da escola.

“É a realização do projeto de vida deles. E também serve de inspiração para os outros estudantes perceberem que é possível chegar lá.”

A escola funciona em período integral. Os alunos chegam por volta das 7h10 da manhã e permanecem até 15h20. Muitos ficam ainda mais tempo participando de projetos culturais e esportivos, como capoeira, xadrez, badminton, tênis de mesa, futsal, voleibol e basquete.

Um ambiente que vai muito além das provas e das notas.

Nos últimos anos, o Governo do Estado também ampliou os investimentos na Rede Estadual de Ensino. Das 352 escolas, cerca de 70% já passaram por reformas ou ampliações, em um investimento que ultrapassa R$ 1,2 bilhão.

As unidades também receberam lousas digitais, kits de robótica, mobiliários e equipamentos tecnológicos. Somente no ano passado, mais de 900 mil itens foram entregues às escolas da rede.

Para o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, os resultados refletem o trabalho conjunto das equipes escolares.

“É motivo de orgulho acompanhar o desempenho dos nossos estudantes ingressando no ensino superior. Isso mostra que estamos oferecendo uma educação pública de qualidade”, afirmou.

Enquanto a escola celebra as aprovações, Emily guarda na memória um momento simples, mas inesquecível: o abraço no diretor e nos professores no corredor da escola.

Ali, entre livros, sonhos e histórias, começava um novo capítulo da sua vida.

E, desta vez, o próximo passo será dentro de um hospital — de jaleco branco e com o mesmo sorriso de quem nunca esqueceu de onde veio.