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Capital

Dona do prédio da conveniência diz que problema é entre moradores e Polícia

Por Ricardo Campos Jr. | 24/01/2011 10:08

Mulher diz ouvir reclamações de moradores quando vai ao local

Apesar da presença da Polícia em certas ocasiões e a promessa de intensificar a fiscalização no local, frequentadores parecem não se intimidar.
Apesar da presença da Polícia em certas ocasiões e a promessa de intensificar a fiscalização no local, frequentadores parecem não se intimidar.
Após a "batida" da PM, movimento na conveniência dispersou mas foi retomado horas depois. Pelam manhã uma pessoa morreu a tiros no local (Foto: João Garrigó)
Após a "batida" da PM, movimento na conveniência dispersou mas foi retomado horas depois. Pelam manhã uma pessoa morreu a tiros no local (Foto: João Garrigó)

A dona do prédio onde funciona a conveniência Jarrão, no cruzamento da rua Guararapes com a avenida Marechal Deodoro, no bairro Coophamat, disse não morar na região e vai ao local somente receber o aluguel. A mulher não quis ser identificada e falou que o problema da bagunça, som alto e violência é entre moradores, proprietário do estabelecimento e Polícia.

“Eu não tenho culpa. Eu não posso tirar ele na marra. Ele paga o aluguel direito. O que eu posso fazer? A gente aluga pensando que é uma coisa e é outra.”, disse a dona do prédio.

Conhecida por algumas pessoas que moram ao redor do problema, a mulher conta que escuta reclamações sempre que vai ao bairro receber o aluguel do responsável pela conveniência, identificado apenas como Wilian. Ela garante que conversa com ele sobre as reivindicações, apesar de não cobrar dele solução para a baderna.

A resposta, segundo ela, é sempre a mesma. “Eu já falei com ele esses dias que a vizinha me parou. Ele fala que a turma que chega lá que faz bagunça. É o som dos carros na rua”, conta a dona do prédio.

Cansada dos moradores revoltados que a procuram, a proprietária do local onde funciona a conveniência disse que vai tentar dialogar com Wilian novamente. “Eu vou lá falar com ele hoje”, comprometeu-se.

A dona do prédio disse ainda que a solução do problema, para ela, é uma questão de tranquilidade. “Eu acho que tem que parar porque pelo menos me deixam em paz”.

Aglomeração - O Campo Grande News esteve na conveniência do Jarrão na madrugada de ontem (22). Havia cerca de 200 pessoas e quase 30 carros estacionados nas proximidades que tocavam música alta.

Alguns faziam fila no estabelecimento para comprar cerveja e outros transitavam com garrafas de vodka e uísque. Motociclistas circulavam sem capacete, alguns, aparentando serem adolescentes.

O Campo Grande News tentou contato com Wilian, o dono da conveniência Jarrão, para esclarecimentos. No entanto, o número que aparece na fachada do prédio não existe.

Moradores também reclamam do lixo que amanhece no local após a "rave" em frente à conveniência. (Foto: João Garrigó)
Moradores também reclamam do lixo que amanhece no local após a "rave" em frente à conveniência. (Foto: João Garrigó)

Moradores relatam que é comum ver mulheres dançando em cima de carros insinuando-se para os demais por vezes às 6h30 da manhã. Carros parados nos dois lados da Guararapes impedem a passagem de veículos, pessoas atravessam a rua sem notar o tráfego e condutores precisam de perspicácia para não provocar atropelamentos.

A Polícia faz ações no local em certas ocasiões e promete intensificar a presença na conveniência. No entanto, os frequentadores parecem não se intimidar. Um rapaz confessou ao Campo Grande News: “A Polícia veio aqui na quinta-feira, com bomba (de efeito moral) e tudo e o pessoal nem ligou. Na sexta voltou tudo de novo. Aqui ferve mesmo”, disse, entusiasmado com o movimento.

Por volta das 2h30 uma equipe da PM (Polícia Militar) foi ao local. O movimento dispersou. Alguns foram revistados. Os policiais disseram que há pelo menos 3 finais de semana moradores fazer reclamações sobre a baderna pelo 190.

Entretanto, após a saída da PM, o movimento foi retomado e Leonardo da Silva de Oliveira, de 24 anos, foi baleado já na manhã daquele dia.

Festa em via pública - Uma moradora do bairro Coophamat, que não quis ser identificada, contou que passava pela Marechal Deodoro instantes depois da presença da PM na conveniência Jarrão. Aparentemente, segundo ela, os jovens apenas mudaram a festa de lugar.

Pouco antes da conveniência, em um posto de combustível que fica no trevo Imbirussú, a cena se repetia. Aglomeração de pessoas, som alto, e carros estacionados no meio da avenida. “Só tinha uma pista para passar. Fiquei com medo. Tinha gente no canteiro, tinha gente no trevo, no posto e do outro lado da rua. Eram muitas pessoas.”, disse a moradora.

Quando a rotina do bairro começa, pela manhã, os moradores se deparam com a conveniência fechada e lixo espalhado pelo chão. Copos de cerveja, papéis e até mesmo camisinhas são vistas no lugar.

Moradores denunciam, inclusive, que é comum ver cenas de sexo entre os frequentadores da conveniência e pessoas usando drogas.

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