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Capital

Em 2016, feminicídios chamaram atenção pela crueldade e brutalidade

Por Viviane Oliveira | 31/12/2016 11:29
Vilma chegou a ser socorrida pelos colegas de trabalho do Hospital Regional, mas não resistiu Foto: arquivo/ Fernando Antunes)
Vilma chegou a ser socorrida pelos colegas de trabalho do Hospital Regional, mas não resistiu Foto: arquivo/ Fernando Antunes)

Pedreiro invade hospital e mata ex-mulher a facadas. Lavador de carro é suspeito de assassinar companheira a golpes de tábua de carne. Em ataque de fúria, homem mata ex-mulher e a filha dela esfaqueadas. Esses foram alguns dos casos de feminicídio registrados em 2016 em Campo Grande, que chamaram a atenção pela crueldade e brutalidade. Em todos os crimes relatados pela reportagem, os suspeitos foram identificados e presos.

A cada 24 horas, em média, 19 mulheres procuram a Casa da Mulher Brasileira para denunciar que foram vítimas de violência doméstica. Este ano foram registrados, 7.035 casos, maioria referente a violência moral e psicológica, segundo dados da Polícia Civil. Em segundo lugar vem lesão corporal com 5.319 inquéritos instaurados e 5.034 inquéritos concluídos e encaminhados ao poder judiciário.

Neste ano, foram contabilizados mais de 420 prisões em flagrante e 133 mandados de prisão cumpridos. Pelo menos seis mulheres foram assassinadas na cidade.

No dia 5 de janeiro, Vilma Alves de Lima, 57 anos, foi morta a facadas dentro do Hospital Regional Rosa Pedrossian. A vítima era funcionária do setor administrativo da unidade e foi surpreendida pelo ex-companheiro, Wilson Lima, na época com 69 anos, em frente à entrada principal da unidade de saúde. Após o crime, Wilson tentou suicídio jogando o carro que conduzia contra um caminhão na rodovia. Ele foi socorrido, internado na Santa Casa sob escolta e após receber alta foi direto para um presídio.

Michel confessou que matou Juliana, mãe dos filhos dele, por ciúmes (Foto: arquivo/ Fernando Antunes)
Michel confessou que matou Juliana, mãe dos filhos dele, por ciúmes (Foto: arquivo/ Fernando Antunes)
Gelvio é acusado de matar Luana a golpes de tábua de carne na cabeça (Foto: reprodução Facebook)
Gelvio é acusado de matar Luana a golpes de tábua de carne na cabeça (Foto: reprodução Facebook)

Em abril, Juliana da Silva Fernandes, 25 anos, foi morta com quatro facadas no barraco que morava com os filhos pequenos, na comunidade Cidade dos Anjos, na Rua Prímula, no Jardim das Hortênsias. O suspeito de matar a ex-mulher, Michel Leite de Carvalho, 29 anos, foi preso dias depois. Ele confessou que matou, porque se sentia traído. 

Brutalmente assassinada, Luana de Campos Grecco, 22 anos, foi encontrada morta em casa, na Rua São Thomas, na Vila Santa Luzia. O principal suspeito de ter cometido o crime, Gelvio Nascimento Rosseto, 26 anos, marido da vítima, foi preso em flagrante na casa da mãe dele. A vítima foi morta a golpes de faca e de tábua de carne na cabeça. O corpo dela foi encontrado em estado de decomposição, no dia 31 de agosto. 

No dia 15 de outubro, Maria das Dores, 50 anos, e a filha dela, Dayane July da Silva, de 29 anos, foram mortas a facadas, na Rua Palami, no Bairro Moreninha III. O corpo do suspeito de ter cometido o crime, Agenor Magalhães de Oliveira, 53 anos, ex-companheiro de Maria, foi encontrado no dia seguinte, na oficina mecânica, onde trabalhava há pelo menos 13 anos. O local fica na Rua Ipamerim com a rua Palmácia. A suspeita é de que o homem tenha cometido suicídio. 

Agenor Magalhães foi encontrado morto na oficina onde trabalhava (Foto: Adriano Fernandes)
Agenor Magalhães foi encontrado morto na oficina onde trabalhava (Foto: Adriano Fernandes)
Dia em que Vadecir se apresentou na Delegacia da Mulher (Foto:arquivo/Julia Kaifanny)
Dia em que Vadecir se apresentou na Delegacia da Mulher (Foto:arquivo/Julia Kaifanny)

No mesmo mês, Kátia Campos Valejo, 35 anos, foi morta a tiros, na casa do policial da reserva, Valdecir Ferreira, 55 anos, suspeito de ter cometido o crime. O assassinato ocorreu na Rua Tintoreto, no Bairro Nossa Senhora das Graças. Três dias depois do homicídio, Valdecir se apresentou na Delegacia da Mulher, prestou depoimento e foi liberado. No dia 21 de outubro, a Justiça decretou a prisão preventiva dele.

Mato Grosso do Sul aparece entre os 18 estados da Federação que apresentaram taxa de homicídio de mulheres acima da média nacional. De acordo com o Atlas da Violência 2016, divulgado em março deste ano pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), referente ao levantamento dos números de 2004 a 2014. O Estado aparece com a taxa de 6,4, ocupando a 11ª posição, seguido por Rondônia (6,4), Mato Grosso (7), Espírito Santo (7,1), Alagoas (7,3), Goiás (8,8) e Roraima, com 9,5.

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