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Capital

Em velório, mãe implora: "Parem de chamar minha filha de garota de programa"

Silvana foi velada e enterrada na manhã desta quinta-feira, no cemitério Memorial Park

Ana Oshiro e Bruna Marques | 19/08/2021 10:27
Silvana foi velada e enterrada no cemitério Memorial Park (Foto: Henrique Kawaminami)
Silvana foi velada e enterrada no cemitério Memorial Park (Foto: Henrique Kawaminami)

Na manhã desta quinta-feira (19), Silvana Domingos dos Santos, de 31 anos, foi velada e enterrada no cemitério Memorial Park, em Campo Grande. Silvana pode ser o primeiro caso de feminicídio na Capital, em 2021. Ela foi morta a pauladas na última terça-feira (17).

Durante o velório, a mãe de Silvana fez um apelo à imprensa, pedindo que parem de falar que a filha era garota de programa, conforme foi registrado no boletim de ocorrências, na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

"O que tá mais me magoando, me machucando mais, é o que a imprensa tá falando, denegrindo a imagem da Silvana. Se ela fosse [garota de programa], eu mesma falaria aqui, que eu não tenho vergonha, não teria vergonha nunca da minha filha se ela tivesse fazendo programa mesmo, mas não tava", disse Rosana Domingos, de 53 anos, aos prantos.

Rosana, mãe de Silvana, implorou para imprensa não chamar filha de garota de programa. (Foto: Henrique Kawaminami)
Rosana, mãe de Silvana, implorou para imprensa não chamar filha de garota de programa. (Foto: Henrique Kawaminami)

Uma das linhas de investigação, é que o uso de drogas e dívidas com agiota possam ter causado a morte dela, mas, de acordo com Rosana, é tudo mentira. "Nunca que a minha filha ia fazer programa, e essa história de dívida de droga, nunca, minha filha jamais usaria droga. Tudo isso que tão falando é mentira", falou a mãe da vítima indignada.

Ivone, avó de Silvana, também não acredita que neta era garota de programa. (Foto: Henrique Kawaminami)
Ivone, avó de Silvana, também não acredita que neta era garota de programa. (Foto: Henrique Kawaminami)

Para Ivone Aparecida Domingos, de 65 anos, avó materna de Silvana, a versão divulgada também é falsa. "Minha neta era uma mulher que criava três filhos sozinha, trabalhava como diarista, era batalhadeira e guerreira. Ela vivia pros filhos e pro trabalho. O que mais tá machucando meu coração, é falarem que ela era mulher de programa, isso tá me doendo, porque eu tenho certeza absoluta que ela não era".

Descartando que a morte seja por dívida de drogas, ou que o ex-namorado de Silvana tenha envolvimento com o assassinato, Rosana disse não saber o motivo que causou a morte da filha, mas desconfia das duas amigas, que são as principais testemunhas do crime.

"Elas que passaram pra polícia que minha filha tava fazendo programa, mas não tava. E a menina que tava na casa entrou em contradição várias vezes, eu ouvi da boca dela que minha filha tinha sido morta com três tiros, depois ela disse pra polícia que não ouviu nada. Essas amigas falam uma coisa pra um, e outra coisa pra outro", explicou Rosana.

Parentes velaram Silvana na manhã desta quinta-feira. (Foto: Henrique Kawaminami)
Parentes velaram Silvana na manhã desta quinta-feira. (Foto: Henrique Kawaminami)

No primeiro depoimento, registrado no boletim de ocorrência, a amiga de Silvana disse à polícia que se escondeu em um quarto da casa, pois ficou desconfiada do cliente que Silvana iria atender e contou que ouviu três barulhos altos como tiro. Já no depoimento para a delegada da Deam, a jovem disse que só ouviu uma discussão entre Silvana e o homem, sobre dívidas de drogas.

"Eu sinto no meu coração que essas duas amigas sabem sim o que aconteceu. Não tô acusando ninguém, pois não tenho provas, mas elas sabem alguma coisa sim. Quando eu cheguei na delegacia eu falei: "Vocês tem culpa pela morte da Silvana", foi a primeira coisa que eu disse quando encontrei as duas amigas dela", contou Rosana ao Campo Grande News.

A família acredita na justiça de Deus e da terra, e diz que só vai descansar, quando as pessoas envolvidas na morte de Silvana forem presas. "Eu sei que vão pegar quem fez isso, cedo ou tarde, vão pegar", disse a mãe da vítima. O caso segue em investigação pela Deam.

Silvana tinha 31 anos e foi morta a pauladas, na última terça-feira. (Foto: Redes Sociais)
Silvana tinha 31 anos e foi morta a pauladas, na última terça-feira. (Foto: Redes Sociais)


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