ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MARÇO, DOMINGO  01    CAMPO GRANDE 24º

Capital

Emagrecedores são nova muamba de envio ilegal pelos Correios em MS

Operação apreende milhares de medicamentos irregulares e revela nova forma de funcionamento do comércio

Por Gabi Cenciarelli | 15/01/2026 14:32
Emagrecedores são nova muamba de envio ilegal pelos Correios em MS
Emagrecedores apreendidos nos Correios (Foto: Divulgação SES)

Uma ação conjunta da Vigilância Sanitária Estadual e dos Correios revelou um novo e preocupante capítulo do comércio ilegal de medicamentos em Mato Grosso do Sul: o envio, em larga escala, de substâncias usadas para emagrecimento por meio do serviço postal. A operação, realizada entre os dias 9 e 12 de janeiro em Campo Grande, resultou na apreensão de milhares de medicamentos sem registro, procedência ou autorização sanitária, incluindo substâncias de alto risco à saúde.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Uma operação conjunta da Vigilância Sanitária Estadual e dos Correios em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, resultou na apreensão de milhares de medicamentos emagrecedores ilegais entre 9 e 12 de janeiro. Foram analisadas 570 encomendas suspeitas, identificadas por raio-X. Entre os produtos apreendidos estavam 3.168 ampolas de tirzepatida, 78 canetas de retratutida, além de outros medicamentos controlados sem registro na Anvisa. A nova estratégia dos infratores consiste em enviar ampolas avulsas para reabastecimento, dificultando a identificação do conteúdo e aumentando riscos aos consumidores.

A fiscalização foi conduzida pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da Coordenadoria de Vigilância Sanitária Estadual (CVISA), dentro da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Ao todo, 570 encomendas previamente retidas pelo setor de segurança postal foram analisadas pela Gerência de Medicamentos e Produtos para Saúde (GEMPS), após identificação de conteúdo suspeito em inspeções por raio-X realizadas nos dias 7 e 8 de janeiro.

Segundo a Vigilância Sanitária, a abertura dos pacotes só ocorreu com autorização legal e na presença das equipes técnicas, conforme os protocolos previstos em lei.

Milhares de ampolas e drogas controladas 

Entre os itens apreendidos estão 3.168 ampolas de tirzepatida, 78 canetas de retratutida, além de semaglutida, somatropina, esteroides anabolizantes, toxina botulínica, oxandrolona, lisdexanfetamina e suplementos alimentares. Todos os produtos estavam em desacordo com a legislação sanitária brasileira, sem comprovação de registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), origem conhecida ou autorização para transporte e comercialização.

Parte das substâncias é classificada como medicamento de uso controlado, exigindo prescrição médica e acompanhamento profissional, o que amplia a gravidade da infração.

Nova estratégia do comércio ilegal

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos fiscais foi a mudança na estratégia dos remetentes ilegais. Em vez de enviar as chamadas “canetas emagrecedoras” completas, os responsáveis passaram a despachar ampolas avulsas para reabastecimento desses dispositivos, o que dificulta a identificação imediata do conteúdo e amplia o risco ao consumidor final.

“O conteúdo suspeito é identificado inicialmente pelos Correios por meio do raio-X. No entanto, a confirmação da irregularidade só ocorre com a abertura dos pacotes, feita exclusivamente na presença da Vigilância Sanitária”, explicou a CVISA.

Historicamente, o tráfico pelos Correios estava mais associado ao envio de drogas ilícitas em pequenas quantidades. O volume e o tipo de medicamento apreendido nesta operação, porém, indicam a consolidação de um mercado paralelo de remédios de alto valor e alta procura, impulsionado pela popularização das terapias para emagrecimento.

Risco grave à saúde

A Secretaria de Estado de Saúde alerta que o uso de medicamentos para emagrecimento sem prescrição, sem registro sanitário ou adquiridos por canais informais representa risco grave à saúde. Entre as possíveis consequências estão reações adversas severas, infecções, intoxicações, complicações metabólicas e até risco de morte.

“A obesidade é uma doença crônica que deve ser tratada com base em diretrizes clínicas reconhecidas, sempre com acompanhamento de profissionais habilitados. O uso indiscriminado dessas substâncias pode trazer danos irreversíveis”, reforçou a SES.

As apreensões ocorreram em razão do descumprimento de diversas normas, entre elas a Lei Federal nº 6.360/1976, que dispõe sobre a vigilância sanitária de medicamentos, a Lei Federal nº 6.437/1977, que define infrações à legislação sanitária, a Lei Estadual nº 1.293/1992 e resoluções da Anvisa que regulam o registro, a comercialização e o transporte de medicamentos no Brasil.

Todo o material apreendido será devidamente inutilizado ou encaminhado conforme prevê a legislação.

A Vigilância Sanitária Estadual orienta que denúncias sobre comercialização, transporte ou uso irregular de medicamentos podem ser feitas diretamente aos canais oficiais do órgão. A colaboração da população é considerada fundamental para coibir o avanço do comércio ilegal e proteger a saúde coletiva.