Equipe interventora afasta diretores para garantir dados e senhas do Consórcio
Equipe diz que transição na gestão ocorreu sem conflitos e situação não terá impacto nos demais funcionários
A equipe nomeada pela Prefeitura de Campo Grande para conduzir a intervenção no Consórcio Guaicurus iniciou nesta terça-feira (16) os primeiros procedimentos práticos da medida que transferiu temporariamente a gestão do transporte coletivo da Capital para o poder público. Entre as ações adotadas já nas primeiras horas de trabalho estão o afastamento dos diretores da concessionária das funções de gestão e a obtenção de acesso aos sistemas, documentos e informações internas da empresa.
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A Prefeitura de Campo Grande iniciou nesta terça-feira (16) a intervenção no Consórcio Guaicurus, transferindo temporariamente a gestão do transporte coletivo ao poder público. O interventor-geral Alexandro de Oliveira afastou os diretores da concessionária e obteve acesso a sistemas e documentos internos. A medida pode durar até 180 dias e visa produzir diagnóstico para embasar decisões sobre o futuro da concessão.
Segundo o interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, a prioridade neste momento é garantir a preservação dos dados e reunir todas as informações necessárias para a realização da auditoria e do diagnóstico que servirão de base para futuras decisões sobre a concessão.
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De acordo com ele, a substituição da diretoria faz parte do procedimento padrão previsto para intervenções em contratos de concessão e não representa, necessariamente, uma medida punitiva.
"Como a gente está assumindo a gestão e tem também um papel de auditoria que vai ser desempenhado pela gente, é importante que a gente tenha um procedimento de entrada em que a gente afaste os diretores. O que muda são só os diretores. É uma questão de precaução, prevista em lei inclusive, para garantir que as informações sejam mantidas dentro da empresa e também para que haja continuidade, evitando qualquer tipo de boicote ou sabotagem nos serviços", explicou.
Apesar da mudança administrativa, Alexandro afirmou que a transição ocorreu sem resistência por parte da concessionária. "A gente encontrou um cenário extremamente confortável. Não houve nenhum tipo de problema por parte da concessionária. Eles nos receberam dentro de um processo urbanizado, cooperaram, entenderam o nosso trabalho e colaboraram", relatou.
Segundo ele, além da preservação das informações, a equipe também buscou transmitir segurança aos funcionários da empresa para evitar instabilidade durante o processo. "Também é importante acalmar os funcionários e mostrar que isso é um procedimento previsto em contrato, que pode acontecer. É todo um trabalho planejado para que não haja qualquer tipo de interferência ou prejuízo no serviço que já vem sendo prestado", afirmou.

Senhas, relatórios e dados já estão sob análise - Questionado sobre o acesso aos sistemas da empresa, o interventor confirmou que a equipe já recebeu as credenciais e começou a levantar informações consideradas essenciais para entender a situação da concessão.
"A gente evita que essas informações saiam de lá e também para que possamos ter acesso a elas. Relatórios, o que tem, o que deve, o que a gente precisa saber do operacional. Essa é a finalidade", disse.
O trabalho envolve o levantamento de dados financeiros, administrativos e operacionais do Consórcio Guaicurus, incluindo informações sobre contratos, receitas, despesas, manutenção da frota e funcionamento do sistema.
A expectativa da equipe é que, a partir desse material, seja possível produzir um diagnóstico detalhado sobre as causas dos problemas apontados pela Prefeitura e pela Justiça na prestação do serviço.
Experiência em outras intervenções - Durante a coletiva, Alexandro também citou a experiência acumulada em processos semelhantes, especialmente em uma intervenção no setor de saneamento em Cuiabá (MT).
Embora não tenha atuado como interventor naquela ocasião, ele participou diretamente da condução dos trabalhos como presidente da comissão responsável pela intervenção e como diretor de regulação.
"Participei de uma intervenção muito complexa no saneamento da cidade de Cuiabá. Não fui interventor, mas participei diretamente como presidente da comissão da intervenção e também como diretor de regulação", afirmou.
Segundo ele, intervenções costumam ocorrer em momentos de crise contratual e exigem um trabalho técnico para identificar problemas e apontar soluções. "São situações críticas. É quando existe uma situação crítica no contrato. Lá a gente conseguiu êxito, conseguimos a melhoria do serviço e os investimentos necessários", relatou.
Diagnóstico antes de qualquer decisão - Apesar da experiência anterior, o interventor evitou antecipar conclusões sobre o cenário encontrado em Campo Grande ou sobre possíveis medidas futuras.
Segundo ele, qualquer avaliação neste momento seria precipitada, já que a equipe ainda está iniciando a análise dos dados internos da concessionária. "No momento a gente tem que apurar. Se eu falasse alguma coisa seria um trabalho de adivinhação. Eu não tenho ainda os todos os dados", afirmou.
Alexandro ressaltou que sua escolha e a dos demais integrantes da equipe ocorreu por critérios técnicos e destacou a complexidade do trabalho que será desenvolvido nos próximos meses.
"Quando fui convidado e sondado para participar, foi por critérios técnicos. Isso já é um grande indicativo da seriedade de como isso vem sendo conduzido pela gestão. Foram buscados profissionais com experiência porque realmente é algo sério e sensível para o município e para a população", declarou.
O objetivo, segundo ele, é fornecer informações que permitam ao Executivo tomar decisões definitivas sobre o futuro do transporte coletivo da Capital.
"O que eu espero é que, ao final, com as nossas informações e com o nosso trabalho, a gente consiga subsidiar o Executivo e a prefeita para que ela tome uma decisão. E essa decisão é que será responsável pela virada de chave e pela busca da melhoria do sistema", disse.
Ele destacou que qualquer transformação efetiva no transporte coletivo passa necessariamente por investimentos e aperfeiçoamentos na gestão e na operação.
"Quando a gente fala de melhoria, a gente fala de investimentos, melhoria de qualidade técnica, melhoria da prestação de serviço e melhoria de gestão. Eu espero que as informações que vamos levantar sirvam para que o Executivo possa tomar essa decisão e dar essa virada de chave."
A intervenção no Consórcio Guaicurus foi decretada pela Prefeitura de Campo Grande na segunda-feira (16) e poderá durar até 180 dias. Durante esse período, a equipe interventora terá acesso integral às estruturas da concessionária, incluindo sistemas de bilhetagem, documentos financeiros, contratos, veículos, garagens e centros de controle operacional.
Ao final dos trabalhos, a administração municipal poderá decidir pela devolução da gestão ao consórcio, aplicação de sanções contratuais ou até mesmo abertura de processo de caducidade da concessão.
O que diz o Consórcio - Em nota, o Consórcio Guaicurus informou que recebeu o decreto de intervenção "com o respeito devido às instituições" e que está analisando integralmente o teor da medida, seus efeitos jurídicos, operacionais e administrativos.
O grupo informou que, após concluir essa avaliação, divulgará um posicionamento institucional específico sobre o tema. O consórcio também reafirmou o compromisso com a prestação do serviço de transporte coletivo em Campo Grande e declarou que adotará todas as providências cabíveis para defesa de seus direitos, conforme a legislação aplicável.


