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Capital

"Era primeira vez que saia para pedalar à noite", diz pai de estudante

Integrante de grupo, ciclista afirma que o meio de transporte deveria ser mais respeitado no trânsito

Por Mirian Machado | 11/03/2021 17:05
Emanuelle em foto postada no Instagram (Reprodução)
Emanuelle em foto postada no Instagram (Reprodução)

O pai da jovem Emanuelle Aleixo Gorski, de 21 anos, descreve a filha em poucas palavras “maravilhosa, alegre, feliz e sorridente”. Ontem à noite, a felicidade acabou. Um passeio "inocente" de bicicleta acabou em tragédia. Segundo o médico Anthony Guerra Gorski, de 50 anos, foi a primeira vez que a jovem pedalava à noite.

Estudante de Direito, Emanuelle morava com a mãe e era a mais velha dos irmãos de 18 e 13 anos.  “Eu sempre levava eles [filhos] para caminharem aos domingos de manhã, mas à noite nunca. Acredito que seja a primeira vez que ela tenha saído pra pedalar a noite”, explicou Gorski.

Emanuelle foi atropelada na quarta-feira (10) por uma caminhonete S-10 na rotatória da Avenida Hiroshima com a Mato Grosso na entrada do Parque dos Poderes. A jovem morreu uma hora após dar entrada na Santa Casa de Campo Grande.

Placa em rotatória onde jovem de 21 anos foi atropelada alerta sobre ciclistas. (Foto: Aletheya Alves)
Placa em rotatória onde jovem de 21 anos foi atropelada alerta sobre ciclistas. (Foto: Aletheya Alves)

Para quem é "experiente" nas pedaladas, Emanuelle foi vítima de problemas crônicos na cidade.

Segundo Pedro Garcia integrante do grupo ‘Bici nos Planos de Campo Grande’ o grande problema no trânsito da Capital ainda é a falta de educação. Conforme informou, a bicicleta ainda é vista como um lazer ou esporte, mas ela foi criada como um meio de transporte e deve ser respeitada como os outros veículos.

“Nem a ciclovia é segura para a gente. Não tem sinalização para os motoristas ou mesmo um semáforo para nós, há poucas placas indicando para ter cuidado”, explicou.

Sobre o atropelamento de Emanuelle, Pedro diz não saber as circunstancias de como ocorreu o acidente, porém, à noite não deveria ser uma preocupação. “Li que ela estava sem capacete, mas só o capacete não salva vida se o motorista estava  a 50 ou 60 km/h. Tem que haver limite de velocidade menor principalmente na área central e fiscalização”, afirma.

Na principal Avenida da Capital, por exemplo, os condutores olham apenas para um dos lados ao atravessar, diz. "Já sofri um acidente assim. Quando o motorista olha para o outro lado já está em cima da gente", reclama o ciclista.

“O trânsito é ofensivo. Além da sinalização tem que ter mais campanhas de educação voltadas para os ciclistas, outdoor, nas redes sociais. Ainda falta muita educação de ambas as partes, ciclistas, motoristas e pedestres. Talvez se tivesse isso tudo, essa menina estaria agora em casa com a família”, lamenta.

O acidente foi registrado na Depac Centro (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário), como morte a esclarecer para a apuração em andamento. O condutor da caminhonete já foi identificado.

Minutos antes, Emanuelle chegou a postar um vídeo no Instagram, avisando que estava "passeando de bike na Cidade do Natal”, na Avenida Afonso Pena. Ao lado de outra jovem, agradecia por ter amiga que "chama para programas saudáveis".

Após as publicações, ela pegou a bicicleta, percorreu cerca de 5 quilômetros e, no cruzamento da Avenida Mato Grosso com a Avenida Hiroshima foi atingida pelo veículo.

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