Estouro recorrente de transformador causa prejuízos e medo em rua da Capital
Falhas constantes danificaram vários eletrodomésticos, enquanto concessionária diz não haver sobrecarga

Moradores da Rua Professor Xandinho, no bairro Vila Antônio Vendas, relatam prejuízos financeiros e risco à segurança provocados por estouros recorrentes de um transformador de energia instalado na via. Segundo eles, os problemas começaram em julho de 2025 e voltaram a ocorrer em 2026, sem que uma solução definitiva tenha sido apresentada.
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Moradores da Rua Professor Xandinho, em Vila Antônio Vendas, enfrentam problemas recorrentes com um transformador de energia desde julho de 2025. Os estouros do equipamento têm causado prejuízos financeiros significativos, com danos a eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos que ultrapassam R$ 10 mil. A Energisa, responsável pelo fornecimento de energia, afirma ter registrado apenas uma ocorrência nos últimos oito meses, causada por descarga atmosférica. A empresa promete realizar inspeção detalhada do circuito e orienta consumidores sobre o processo de ressarcimento por danos, conforme normas da Aneel.
A autônoma Larissa Figueira Martins Araújo, de 28 anos, conta que o primeiro estouro ocorreu em 27 de julho do ano passado. Antes disso, moradores já enfrentavam oscilações no fornecimento de energia, com trechos da rua sem luz. Na ocasião, a geladeira dela, avaliada em R$ 3,5 mil, queimou.
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No dia seguinte, Larissa procurou a Energisa para relatar o problema, mas diz que não recebeu esclarecimentos. “Perguntaram se estava chovendo ou ventando. Eu disse que não. Por incrível que pareça, toda vez que estoura não está chovendo nem ventando”, relatou.

A moradora relata ainda que se sentiu desacreditada durante o atendimento e que funcionários duvidaram do ocorrido. Segundo ela, ficou cerca de três meses sem geladeira, aguardando um posicionamento da concessionária, que não ocorreu. Nesse período, três técnicos estiveram na residência, dois deles sem cobrar pelo serviço, e emitiram laudos que foram encaminhados à empresa.
Em setembro, Larissa conseguiu consertar o eletrodoméstico, com custo de R$ 1,65 mil. No entanto, em 25 de dezembro, enquanto estava viajando, houve novo estouro do transformador, que danificou definitivamente a geladeira e afetou outros equipamentos, como filtro de água, câmeras de segurança e modem de internet. “O modem explodiu, derreteu a tomada de novo. A gente vive com medo. Qualquer barulho já faz pensar que é o transformador”, disse.
Outra moradora da rua, a psicopedagoga Annelise Peralta, de 55 anos, afirma que os danos a equipamentos eletrônicos têm sido frequentes. Ela relata preocupação não apenas com os prejuízos materiais, mas também com o risco à integridade física das pessoas. “Quando estoura, vem um clarão e a energia chega até aqui. Se alguém estiver na frente, pode levar descarga elétrica. É muito perigoso,” afirmou.

Annelise calcula prejuízo superior a R$ 10 mil, após a queima de dois freezers, uma cervejeira, um forno elétrico e diversos modems de internet. Já a empresária Fernanda Regina Saltareli, de 42 anos, que mantém um escritório no local, diz que um computador avaliado em R$ 5 mil quase foi perdido.
“Disseram que tivemos muita sorte de não queimar tudo. Para uma empresa, o prejuízo seria enorme,” afirmou. Segundo ela, vizinhos também tiveram centrais de alarme, interfones e impressoras danificados em diferentes episódios.
Moradores e comerciantes relatam que, a cada estouro, o barulho é intenso e dá a impressão de que a rua pode pegar fogo. Além das perdas financeiras, há receio de sair de casa e retornar para encontrar novos danos. Eles também mencionam que animais de estimação ficaram assustados após registros de faíscas e derretimento de tomadas e interfones durante as sobrecargas elétricas. Ao acionar a Energisa, os moradores informam que a empresa vai até o local fazer reparos pontuais, mas a empresa não resolve o problema.
Em nota, a Energisa informou que, após verificação em seus sistemas, foi registrada, nos últimos oito meses, apenas uma ocorrência que afetou o transformador da região, provocada por descarga atmosférica. A concessionária afirmou ainda que recentemente não houve novos registros de falhas no equipamento e que, em análise preliminar, não há indícios de sobrecarga. Mesmo assim, a empresa enviará equipes para inspeção detalhada do circuito e, se necessário, para programar manutenção na rede elétrica que atende à área.
Sobre pedidos de ressarcimento por danos a equipamentos eletroeletrônicos, a empresa destacou que, conforme normas da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o consumidor tem direito a solicitar indenização. Para isso, é necessário registrar a solicitação junto à Energisa, informando data e horário da ocorrência, número da unidade consumidora, marca e modelo do aparelho e laudo técnico. Cada caso, segundo a concessionária, é analisado individualmente.
Procurado pela reportagem, o Procon de Mato Grosso do Sul informou que os direitos e deveres sobre a distribuição de energia elétrica são regulados pela Resolução Aneel nº 1.000/2021, que estabelece responsabilidades e procedimentos para garantir a qualidade do serviço e que em caso de danos elétricos, o consumidor deve acionar a concessionária e registrar protocolo com informações sobre a ocorrência e os equipamentos afetados.
De acordo com o órgão de defesa do consumidor, após o registro do protocolo, a distribuidora tem prazo de até um dia útil para verificar no local ou retirar para análise os equipamentos utilizados na conservação de alimentos perecíveis e medicamentos, como geladeiras e freezers. Para os demais casos, o prazo é de até dez dias úteis.
Em caso de perda de alimentos, o consumidor pode requerer o ressarcimento dos valores, desde que comprove os prejuízos. Para isso, é possível encaminhar à concessionária fotos dos itens descartados, informando o valor de cada produto conforme registrado no estabelecimento comercial, ou, alternativamente, realizar a recompra dos itens e apresentar a respectiva nota fiscal.
Caso haja dificuldades durante o procedimento, recomenda-se buscar orientação junto ao Procon e à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que presta atendimento por meio de seu site e pelo telefone 167, de segunda a sábado, das 7h às 19h (horário de MS). Para o atendimento, é fundamental possuir o número de protocolo do contato realizado com a concessionária.
Até o momento, o Procon de Mato Grosso do Sul não registrou reclamações relacionadas a danos elétricos. Ainda assim, o órgão orienta que os consumidores comuniquem à concessionária qualquer aumento de carga na unidade consumidora, como a ampliação do número de aparelhos de ar-condicionado ou a instalação de carregadores para veículos elétricos.
Essa comunicação contribui para a redução da sobrecarga na rede de distribuição e nos transformadores, permitindo que a concessionária dimensione adequadamente a demanda e atenda de forma mais eficiente os consumidores de determinado bairro ou município.
Em caso de dúvidas ou reclamações sobre a distribuição de energia elétrica, o consumidor deve entrar em contato com a concessionária de sua região. Se o problema persistir, é possível acionar a Aneel pelo telefone 167 e o Procon Mato Grosso do Sul pelo site www.procon.ms.gov.br ou pelo telefone 151.
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