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Capital

“Eu apoio a medida”, diz Riedel sobre concessão de postos de saúde

Ele avaliza ideia de terceirizar unidades do Aero Rancho e Tiradentes para obter “melhor resultado"

Por Maristela Brunetto e Fernanda Palheta | 27/04/2026 11:50

“Eu apoio a medida”, diz Riedel sobre concessão de postos de saúde
Governador defende que é preciso experimentar mudança em busca de resultados (Fotos: Osmar Veiga)

RESUMO

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O governador Eduardo Riedel apoiou a proposta da Prefeitura de Campo Grande de transferir a gestão dos centros de saúde do Aero Rancho e Tiradentes a organizações sociais, afirmando que o estado já adota modelo semelhante em hospitais de Três Lagoas, Ponta Porã e Dourados. A prefeita Adriane Lopes defende que a medida, prevista como piloto de um ano, pode reduzir em 20% os custos das unidades, que somam R$ 8 milhões mensais.

O governador Eduardo Riedel (PP) disse esta manhã, ao participar de um evento no Hospital do Câncer, que apoia a iniciativa da Prefeitura de Campo Grande de repassar ao setor privado, a uma organização social, a gestão dos centros de saúde do Aero Rancho e Tiradentes, os dois principais da cidade. O secretário Marcelo Vilela divulgou a iniciativa, que passou a receber críticas e tem sido alvo de protestos. Riedel disse que avalizava a ideia, por se tratar de uma busca por um melhor resultado.

Ele disse que era preciso entender a origem das críticas feitas à proposta. “A gente quer mudar, vai mudar fazendo da mesma maneira? Não. Eles estão tentando fazer diferente”, disse em relação à intenção da Prefeitura. A fala ocorreu na entrega de um andar do Hospital do Câncer Alfredo Abrão, estruturado com recursos de empresários do agro. A presença do setor privado na saúde acabou sendo a tônica de vários discursos, assim como a importância do apoio da sociedade organizada para a entrega de serviços públicos.

Durante o discurso, ele também disse que “assinava embaixo” da iniciativa sobre os postos e falou em parceria com a prefeita Adriane Lopes para ampliar as ações do poder público. O governador citou que esse caminho, de entregar a gestão de unidades de saúde ao setor privado, já ocorre na esfera estadual. As organizações sociais administram os hospitais de Três Lagoas e Ponta Porã. Em Dourados, o hospital também passa a ter gestão privada.

Antes da fala de Riedel, o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, já tinha abordado a ideia da gestão privada, citando o próprio Hospital do Câncer, ao mencionar que Vilela estava sendo massacrado e merecia um voto de confiança. Ele questionou que se era cabível em um hospital, porque não seria possível em uma unidade de saúde.

Ele questionou se era cabível em um hospital, porque não seria possível em uma unidade de saúde.

Simões se estendeu no tema ao apontar que grandes hospitais têm custeio privado em São Paulo, como o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, e destacou a participação de empresários do agro na estruturação do setor recém-inaugurado.

Vilela falou sobre as fortes críticas que a iniciativa vem sofrendo, apontando que ainda era uma proposta-piloto, com avaliação ao longo de um ano. Segundo o que ele tem dito, o custeio pode reduzir em 20% na gestão privada. As duas unidades que estão nos planos da prefeitura têm custeio médio de R$ 4 milhões por mês. Ele disse que, quando levou o assunto ao Conselho Municipal de Saúde, era para haver debate, mas a proposta foi rejeitada de imediato.

“Eu apoio a medida”, diz Riedel sobre concessão de postos de saúde
Adriane acredita que a mudança na gestão trará eficiência à saúde

Riedel e Adriane defenderam que é preciso haver a experiência. “A repercussão é negativa por segmentos que discordam, mas acredito que é um ano de experiência para ter eficiência e aplicabilidade do recurso público, trazendo respostas para a população”, comentou a prefeita. Ela aponta que há uma zona de conforto e uma mudança poderia gerar resultados. “Quando você propõe algo novo, sempre é complexo, porque as pessoas não querem algo novo, elas querem fazer como é feito até hoje, mas como é feito até hoje, os resultados não são suficientes e nem satisfatórios. É esse ponto onde nós estamos entrando com essa proposta, é uma análise, é um estudo de um ano para ver eficiência, e aí quem vai dizer serão as pessoas, é a população, quem é atendido lá na ponta.”

Ela também criticou o tom das críticas direcionadas ao secretário nos debates. “Acredito que nós temos uma democracia. E tudo se discute. A gente levou para a sociedade civil, a gente levou na Câmara, na Casa de Leis, para uma discussão, para uma escuta, mas não houve essa escuta”, argumentou, defendendo que esse poderia ser o caminho para alcance de eficiência na saúde.