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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

19/02/2016 18:01

Falta de manutenção na drenagem teria causado rompimento de asfalto

Ricardo Campos Jr.
Placas de asfalto arrancadas pela chuva (Foto: Fernando Antunes)Placas de asfalto arrancadas pela chuva (Foto: Fernando Antunes)
Máquina recolheu fragmentos de asfalto durante a tarde desta sexta (Foto: Fernando Antunes)Máquina recolheu fragmentos de asfalto durante a tarde desta sexta (Foto: Fernando Antunes)

Entupimento ou a ineficiência da rede de drenagem podem explicar o fato de a chuva arrancar e arrastar o asfalto na Rua Jerônimo de Albuquerque, no bairro Nova Lima, durante o temporal do fim da tarde de quinta-feira (18). O engenheiro civil Chaia Jacob Neto, especialista em planejamento urbano e professor da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), acredita que se as tubulações tivessem absorvido pelo menos parte da enxurrada, talvez os estragos não tivessem sido tão grandes.

“As galerias devem estar entupidas com sujeira. Você sempre tem que mantê-las limpas e desobstruídas. Nós notamos que a maioria delas não tem manutenção. Está certo que o volume de água ontem foi muito grande, mas mesmo assim a ideia é que ela não deve correr sobre o pavimento e por isso aconteceu essa situação toda”, explica.

Chaia acrescenta que possivelmente a água penetrou por baixo da capa asfáltica por alguma erosão e foi descolando a rua.“O problema sempre vai existir enquanto houver obstrução. A questão não é o pavimento. Aquela capa, ela simplesmente serve de pista de rolamento. Enquanto não tivermos um sistema de drenagem, isso vai se repetir”, diz o engenheiro.

Segundo ele, a enxurrada ganhou força pela inclinação da via e por receber a enxurrada de várias ruas ao redor.

“A terra que desce das vias não pavimentadas vai assorear a galeria, que vai entupir. Você tem que ter esse cuidado de fazer a limpeza. As linhas de ônibus da cidade geralmente não possuem drenagem. No Nova Lima, aquela rua é como se fosse um vale, concentra águas tanto de um lado como do outro”, explica.

Mesmo apresentando uma explicação para o problema, o especialista trata a situação como atípica. “Às vezes você tem um pequeno buraquinho no meio-fio, a água vai batendo até levar um pedacinho, aí ela entra, levanta e leva embora”.

“Dentro das bocas de lobo tem um espaço mais baixo chamado caixa de areia. Quando você tem a precipitação, ela vai separando esses produtos sólidos, mas se não for retirando ao longo do tempo, chega ao ponto de aquilo subir e começar a assorear”, pontua.

Para engenheiro, bocas de lobo entupidas ou sistema de drenagem ineficaz causaram problema (Foto: Fernando Antunes)Para engenheiro, bocas de lobo entupidas ou sistema de drenagem ineficaz causaram problema (Foto: Fernando Antunes)

Providências – O Campo Grande News consultou a prefeitura se já dispunha de um diagnóstico próprio para o problema, mas até a publicação desta matéria não houve retorno. Durante a tarde, o município enviou equipes munidas com uma pá carregadeira para remover as placas que ficaram soltas.

Moradores ainda estão chocados com a situação, pois situação semelhante nunca havia sido vista no bairro.

O asfalto que ainda está no lugar apresenta ondulações e sinais de descolamento principalmente perto do meio-fio, podendo ser arrastado na próxima chuva.

“Se o serviço fosse bom, isso não teria acontecido”, diz o pedreiro Medison Antônio Pereira, 44 anos, que teve a casa invadida pela água e várias placas de asfalto acumuladas na calçada. “É uma porcaria, tem lugares com apenas três centímetros de piche”.

A comerciante Jackelyne Sanches, 23 anos, conta que só foi possível ver que a pavimentação havia cedido quando a água baixou. Quando começou a chover, ela foi para a casa do namorado e voltou apenas pela manhã. “Parecia o fim do mundo”, pontua.

“Eu acho que é conseqüência de várias coisas. As bocas de lobo estão entupidas. A rede de drenagem que eles fizeram foi mal planejada”, diz a moradora.

Carros e ônibus disputando espaço com retroescavadeira (Foto: Fernando Antunes)Carros e ônibus disputando espaço com retroescavadeira (Foto: Fernando Antunes)


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