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Capital

Família diz viver sob ameaça, vinda de presídio, para sair de casa da Emha

Por Viviane Oliveira | 24/02/2012 19:54

Conforme a Emha, a família foi beneficiada por uma casa que estava abandonada

"Eles já apontaram a arma na cabeça da minha neta de 4 anos e ameaçaram levar o bebê de 25 dias. Disse apavorada a dona e casa". (Fotos: Marlon Ganassin)
"Eles já apontaram a arma na cabeça da minha neta de 4 anos e ameaçaram levar o bebê de 25 dias. Disse apavorada a dona e casa". (Fotos: Marlon Ganassin)

No Jardim Noroeste, em Campo Grande, uma família vive um pesadelo há 6 meses. Os moradores foram contemplados com uma casa da Ehma (Agência Municipal de Habitação), mas o que não sabiam é que o imóvel tinha um ex-dono, um presidiário que, de dentro da cadeia, passou a fazer ameaças para desocuparem a residência.

A diarista de 55 anos conta que morou na favela do bairro Morada Verde durante 14 anos. Em julho do ano passado, foi retirada do local, uma área de risco, pela Ehma e passou a morar no residencial Leon Denizart.

“Depois de 10 dias que mudamos para cá, passamos a receber ameaças de vários homens. Eles entram aqui todos armados e falam que querem a casa que pertence ao amigo, que está no Presídio de Segurança Máxima, e nós vamos ter que sair daqui”, relata.

Na casa humilde de três cômodos, a diarista mora com uma filha de 26 anos que tem três filhos: um de 11, 4 anos e um bebê de 25 dias. A família relata que nos primeiros meses chegou a registrar boletim de ocorrência contra ameaças, mas não adiantou.

O menino de 11 anos, de tanto medo, mudou-se para a casa do tio, de um cômodo. O garoto fica sozinho, porque o tio sai para trabalhar às 5h.

“Já procurei a Ehma mais de 15 vezes para contar o que vem acontecendo. A única reposta que tenho é que eu não posso sair da casa, enquanto eles não arrumarem outra para mim, se não eu perco o direito”, disse a diarista que teme pela sua vida e a dos netos.

Ela conta que os homens são comparsas do rapaz que está preso e não têm hora para entrar na casa. O local não tem muro. “Os bandidos entram armados, apontam a arma na nossa cabeça e ligam para o presídio. Com o celular no viva voz o antigo 'dono da casa’ fala para eles jogarem nossas coisas para fora e matar todo mundo”.

Na casa humilde de três cômodos, a diarista mora com uma filha de 26 anos que tem três filhos: um de 11, 4 anos e um bebê de 25 dias.
Na casa humilde de três cômodos, a diarista mora com uma filha de 26 anos que tem três filhos: um de 11, 4 anos e um bebê de 25 dias.

No feriado de Carnaval, a diarista relata que eles invadiram a casa todos os dias, nas últimas vezes apontaram a arma na cabeça da criança de 4 anos, que chorava muito, e ameaçaram levar o bebê.

“O desespero é que o homem está para sair do presídio. Segundo os vizinhos, ele morava aqui com a esposa e a filha. Conforme a mulher, o homem foi preso por tráfico de drogas e é considerado perigoso pela própria família”.

Em resposta, o diretor-presidente da Emha, Paulo Matos, informou que a família foi beneficiada pela casa que estava abandonada. “No total 350 casas foram retomadas pela Ehma por irregularidades, uma delas foi o imóvel do bairro Noroeste”, explica.

Conforme o diretor, na próxima segunda-feira (27), vai se reunir com a equipe de campo e em seguida acionar o jurídico. “Se precisar vamos pedir o apoio do MPE (Ministério Público Estadual). Eu posso afirmar que a casa não volta mais para o antigo dono”, finaliza.

Boletim de ocorrência - A diarista já registrou dois boletins de ocorrência por ameaça. O primeiro foi no dia 10 de agosto e outro no dia 30 do mesmo mês. De acordo com o delegado da 3º Delegacia, Márcio Custódio, responsável pela área do Noroeste, em nenhum dos registros a vítima relatou a autoria.

No boletim de ocorrência consta apenas que ela sofria ameaças por pessoas desconhecidas. “Nunca chegou a mencionar que era por um presidiário”, afirma.

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