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Capital

Famílias despejadas moram de favor ou sofrem para pagar aluguel

Após ordem judicial, elas foram retiradas de terreno invadido no Bairro Noroeste, na semana passada

Por Leonardo Rocha e Bruna Marques | 30/06/2020 11:47
Elisane com seu filho em terreno alugado (Foto: Kisie Ainoã)
Elisane com seu filho em terreno alugado (Foto: Kisie Ainoã)

As famílias que foram despejadas de área invadida no Bairro Noroeste, na semana passada, estão morando de favor ou sofrendo para pagar alugueis de terrenos ou quartos para que não fiquem jogados na rua. A maioria das pessoas está desempregada devido a pandemia, alguns se sustentando apenas com o auxílio emergencial.

Elisane Francisco Marques, de 44 anos, alugou um terreno próximo a área que foi despejada, para ficar com marido, filho e mais um senhor. Eles pagam R$ 315,00 de aluguel, com o dinheiro que estão recebendo do auxílio emergencial, já que o casal está desempregado.

“Estamos em uma situação difícil, pois com o auxílio conseguimos pagar o aluguel do terreno e comprar comida, mas se parar o benefício, não sabemos o que fazer”, disse Elisane. Ela é dona de casa e o marido pintor. Neste terreno alugado, eles montaram uma lona de madeira e tábua, com duas peças.

 “Quando chove, molha tudo, ainda tem este período de frio. Sonho ter um lote próprio e ter uma casa para morar com a família”, disse ela à reportagem. Depois da ordem de reintegração cumprida no dia 25, ela voltou ao local para pegar as “sobras” que restaram do local onde morava.

Eliane Conceição mostra sua geladeria vazia (Foto: Kisie Ainoã)
Eliane Conceição mostra sua geladeria vazia (Foto: Kisie Ainoã)

Ajuda – Já Eliane Conceição de Souza, 55, está morando de favor em uma casa de uma viúva que conheceu perto do local do despejo, que ofereceu uma peça para que ela não ficasse na rua junto com o filho, nora e três netos. “Estamos sem trabalho e no momento estamos vivendo de ajuda e doação de alimentos”.

Ela disse que falta leite e fraudas aos netos e que conseguiu doação de alimentos e alguns objetos, como cadeiras. “Não podemos morar aqui para sempre, preciso de um canto para mim, estamos passando necessidade, faz muito tempo que eu não sei o que é comer carne”, lamentou.

Também contou que na reintegração de posse as máquinas passaram por cima da cama da família. “Precisamos de ajuda, sou diarista, mas durante este período não tenho conseguido lugar para trabalhar”.

Reintegração – Após ordem judicial, a reintegração de área no Bairro Noroeste ocorreu no dia 25 de junho, onde patrolas com o apoio da Tropa de Choque foi ao local retirar 40 famílias que viviam no local nos últimos dois anos. Eles tinham batizado as áreas de “Estrela de Davi” e “Terra Prometida”.

Terreno onde moradores foram despejados na semana passada (Foto: Kisie Ainoã)
Terreno onde moradores foram despejados na semana passada (Foto: Kisie Ainoã)


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