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Capital

Fechamento do Prontomed vai superlotar PS e hospitais infantis

Por Paula Maciulevicius e Paula Vitorino | 06/02/2012 13:59

Média de atendimento do Prontomed é de 26 consultas por dia, que serão transferidas para a emergência do hospital que já contabiliza diariamente, 50 consultas pediátricas

“Não estamos fechando as portas, estamos cortando gastos com pediatras”, explica diretor. (Foto: Paula Vitorino)
“Não estamos fechando as portas, estamos cortando gastos com pediatras”, explica diretor. (Foto: Paula Vitorino)

Com o fechamento do setor de pediatria do Prontomed, já anunciado na semana passada e confirmado hoje pelo diretor-presidente da junta administrativa da Santa Casa, Issam Moussa, durante coletiva, a contagem regressiva começa. A partir de março, quando a determinação entra em vigor, o problema vai ser a pediatria do Pronto Socorro sobrecarregada.

Para se ter noção, a média de atendimento dos nove pediatras do Prontomed é de 26 consultas por dia, que serão transferidas para a emergência do hospital que já contabiliza diariamente, 50 consultas pediátricas. Isso feito somente por dois pediatras.

“Não é muito atender 50 pacientes em um dia. Sou médico e acho que não é muito”, comenta Moussa, relacionando o atendimento à portaria do Ministério da Saúde que estabelece a média de 15 minutos por consulta.

Além de sobrecarregar o Pronto Socorro, a medida tomada pela junta administrativa deve concentrar pacientes no Hospital da Criança e São Lucas.

“Não estamos fechando as portas, estamos cortando gastos com pediatras”, explica o diretor-presidente.

A partir de março a pediatria do Prontomed mantém apenas a internação. O atendimento de urgência e emergência que era realizado no setor passa todo para o Pronto Socorro da Santa Casa e vai ficar concentrado no SUS.

“É importante dizer para a sociedade que ela não vai deixar de ser assistida. Ali no Pronto Socorro trabalham dois pediatras que vão continuar recebendo atendimento”, reforçou Issam Moussa.

Criado há 20 anos, a pediatria do Prontomed é o único setor onde os médicos são profissionais celetistas, que seguem a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e não por produtividade e somam R$ 80 mil à folha de pagamento.

A “economia”, defendida pela junta com o fechamento da unidade, será de mais de 50%. Em um cálculo apresentado hoje durante a coletiva, se os celetistas seguissem a remuneração por produtividade, como as demais especialidades, a folha de pagamento ficaria em R$ 25 mil.

“A Santa Casa não tem obrigação de ficar pagando para médico pediatra atender plano de saúde. Não tem que arcar com ônus desses pediatras. Se quiser atendimento, os planos de saúde vão ter que arcar com isso”, ressaltou Moussa.

Questionado sobre o por que a medida foi adotada apenas agora, depois de anos de funcionamento, o diretor diz “cabe a antiga administração dizer. Quando nós assumimos nos comprometemos a fazer o que tinha que ser feito”.

Ainda na tentativa de reverter a decisão, a Unimed e a Cassems entraram em contato para negociar com a administração do hospital. Uma reunião com a Cassems está prevista para a próxima quarta-feira.

Com fechamento, a Santa Casa já anunciou onde pretende investir. A hora de plantão paga para enfermeiros e médicos vai subir de R$ 52 para R$ 80.

A alternativa para os profissionais é de passar de celetista para remuneração por produção, o que quer dizer ganhar pela consulta que realizar e não um salário fixo. A posição do Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) é contrária ao que é oferecido.

“Seria submeter para um trabalho autônomo”, explica o presidente do Sindicato João Batista Botelho.

“Vai faltar médico, com certeza, mas os profissionais também têm direito de lutar para manter o contrato”, enfatiza.

Segundo o sindicato a decisão vai depender da classe médica em cima do que a empresa propor.

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